terça-feira, 26 de maio de 2026

ONU: Conflito no Oriente Médio ameaça reverter ganhos de desenvolvimento duramente conquistados

Economias em desenvolvimento estão sofrendo os impactos mais profundos do conflito no Oriente Médio, à medida que o crescimento desacelera e a inflação aumenta, aponta novo relatório das Nações Unidas apresentado nesta terça (19) em Nova Iorque. 

O relatório sobre a Situação e Perspectivas da Economia Mundial - Atualização de maio de 2026 aponta que custos de energia mais altos, comércio mais fraco e condições financeiras mais restritas pesam sobre um cenário global em deterioração.

Porto de Lagos, na Nigéria. Relatório do Departamento Econômico e Social das Nações Unidas lançado nesta terça (19) aponta para um recuo no crescimento do PIB global para 2,5% — 0,2 pontos porcentuais abaixo da projeção de janeiro e bem abaixo dos níveis anteriores à pandemia da COVID-19.

Legenda: Porto de Lagos, na Nigéria. Relatório do Departamento Econômico e Social das Nações Unidas lançado nesta terça (19) aponta para um recuo no crescimento do PIB global para 2,5% — 0,2 pontos porcentuais abaixo da projeção de janeiro e bem abaixo dos níveis anteriores à pandemia da COVID-19.
Foto: © mtcurado/Getty Images Signature.

A crise no Oriente Médio trouxe mais um choque para a economia global, desacelerando o crescimento, reacendendo as pressões inflacionárias e aumentando a incerteza, de acordo com o relatório sobre a Situação e Perspectivas da Economia Mundial - atualização de maio de 2026.

O crescimento do PIB global está agora previsto em 2,5% em 2026 — 0,2 pontos porcentuais abaixo da projeção de janeiro e bem abaixo do padrão pré-pandemia. Uma recuperação modesta é projetada em 2,8% em 2027. Mercados de trabalho sólidos, demanda resiliente do consumidor e comércio e investimento impulsionados pela IA em economias selecionadas devem fornecer algum apoio, mas a revisão para baixo enfatiza um enfraquecimento adicional de um cenário global em deterioração.

O choque é sentido principalmente no setor de energia — por ofertas restritas, preços em ascensão e aumento dos custos de frete e seguro — com efeitos em cascata nas cadeias de suprimentos e aumento dos custos de produção globalmente. Embora o aumento dos preços proporcione ganhos extraordinários substanciais para as empresas de energia, ele intensificou as pressões de custo para famílias e empresas em todo o mundo. O impacto geral dependerá da duração das interrupções nos mercados de energia, deixando o contexto altamente incerto e os riscos inclinados para o lado negativo.

O conflito interrompeu a tendência de desinflação global em curso desde 2023. Nas economias industrializadas, a inflação está prevista para subir de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026, ultrapassando ainda mais as metas dos bancos centrais na maioria dos casos. Nas economias em desenvolvimento, o aumento é mais acentuado: a inflação deve acelerar de 4,2% para 5,2%, à medida que os custos mais altos de energia, transporte e importação corroem a renda real e ampliam as pressões de preços em uma ampla gama de bens.

Uma preocupação de particular importância são os preços dos alimentos. O fornecimento de fertilizantes foi interrompido, elevando os custos, o que pode reduzir o rendimento das culturas agrícolas, exercendo uma pressão ascendente sobre os preços dos alimentos.

Para os bancos centrais, o ambiente de inflação cada vez mais incerto representa um dilema: elevar as taxas de juros para conter a inflação corre o risco de enfraquecer ainda mais o crescimento, enquanto a inação aumenta o risco de que as pressões de preços só aumentem.

Os mercados financeiros globais permaneceram resilientes até agora, absorvendo o choque inicial de forma ampla e ordenada. No entanto, os preços mais altos de energia elevaram as expectativas de inflação, impulsionando os rendimentos dos títulos de curto prazo para cima. Para os países em desenvolvimento, isso restringiu as condições de financiamento externo e enfraqueceu as posições fiscais, particularmente onde o espaço fiscal já é limitado.

“A crise no Oriente Médio intensificou as tensões nas economias em desenvolvimento,” disse o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Li Junhua. 

“O aumento dos custos de empréstimos e a renovação das pressões de fluxo de capital arriscam aprofundar as vulnerabilidades da dívida e restringir os recursos disponíveis para o desenvolvimento sustentável em um momento crítico.”

Apresentação do relatório “Situação e Perspectivas da Economia Mundial - Atualização de maio de 2026”, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, em 19 de maio de 2026.
Legenda: Apresentação do relatório “Situação e Perspectivas da Economia Mundial - Atualização de maio de 2026”, na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, em 19 de maio de 2026.
Foto: © Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA)/Predrag Vasic.

Desaceleração generalizada com impactos regionais desiguais

O impacto da crise é altamente desigual, com o dano mais severo concentrado na Ásia Ocidental, incluindo o Oriente Médio. O crescimento na região está projetado para despencar de 3,6% em 2025 para 1,4% em 2026, impulsionado não apenas pelo choque de energia, mas também por danos diretos à infraestrutura e graves interrupções na produção de petróleo, comércio e turismo.

Em outros lugares, os resultados variam amplamente, moldados sobretudo pela exposição e pela capacidade de resposta:

Espera-se que os Estados Unidos permaneçam comparativamente resilientes, com crescimento projetado em 2,0% em 2026, amplamente estável em relação a 2025, apoiado por uma demanda doméstica e investimento contínuo em tecnologias avançadas, como inteligência artificial. 

A Europa, por outro lado, está mais exposta, com forte dependência de energia importada, o que sobrecarrega famílias e empresas. O crescimento na União Europeia está projetado para desacelerar de 1,5% em 2025 para 1,1% em 2026, enquanto o Reino Unido enfrenta uma moderação mais acentuada, de 1,4% para 0,7%.

Na Ásia, a diversificação da matriz energética da China, as reservas estratégicas consideráveis e o apoio político proativo estão fornecendo um amortecedor importante, com o crescimento projetado para moderar de 5,0% em 2025 para 4,6% em 2026. A Índia continua sendo uma das principais economias de crescimento mais rápido, com a produção ainda esperada para expandir em 6,4%, embora a redução em relação a 7,5% em 2025 ressalte o arrasto de custos de importação de energia mais altos e condições financeiras mais apertadas.

Na África, o crescimento médio deve diminuir apenas ligeiramente — de 4,2% em 2025 para 3,9% em 2026 — mas isso mascara uma divisão mais profunda: os exportadores de petróleo e gás estão se beneficiando de preços elevados, enquanto os importadores líquidos de energia enfrentam crescentes pressões fiscais devido aos custos mais altos de combustível e alimentos. 

Na América Latina e no Caribe, a maioria das economias está relativamente menos exposta, mas a região permanece em uma trajetória de baixo crescimento. O crescimento está previsto para desacelerar de 2,5% em 2025 para 2,3% em 2026, restringido por investimentos fracos e espaço de política limitado.

Crise no Oriente Médio ameaça ganhos de desenvolvimento

A deterioração das perspectivas globais subestima a verdadeira dimensão do recuo econômico. 

O conflito no Oriente Médio ameaça reverter ganhos de desenvolvimento duramente conquistados, e desacelerar ainda mais o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Sanaa, capital do Iêmen. Lançado nesta terça (19) em Nova Iorque, o relatório da ONU sobre a “Situação e Perspectivas da Economia Mundial - Atualização de maio de 2026” aponta que o impacto da crise no Oriente Médio é altamente desigual, com o dano mais severo concentrado na própria região. O crescimento no Oriente Médio está projetado para despencar de 3,6% em 2025 para 1,4% em 2026, impulsionado não apenas pelo choque de energia, mas também por danos diretos à infraestrutura e graves interrupções na produ

Legenda: Sanaa, capital do Iêmen. Lançado nesta terça (19) em Nova Iorque, o relatório da ONU sobre a “Situação e Perspectivas da Economia Mundial - Atualização de maio de 2026” aponta que o impacto da crise no Oriente Médio é altamente desigual, com o dano mais severo concentrado na Ásia Ocidental. Espera-se que crescimento na região despenque de 3,6% em 2025 para 1,4% em 2026.
Foto: © Mtugurhan/Getty Images Signature.

Os consequentes choques de preços estão corroendo a segurança alimentar, a renda real e o investimento produtivo — aumentando o risco de cicatrizes sociais e econômicas duradouras. As famílias de baixa renda suportam o fardo mais pesado, já que os preços mais altos de alimentos e energia ocupam uma parcela maior de seus gastos e o aumento dos custos supera os salários, aumentando a pobreza. No entanto, os governos que mais precisam proteger as populações vulneráveis são os menos equipados para fazê-lo: os fluxos de ajuda estão diminuindo drasticamente, o aumento dos custos do serviço da dívida está deslocando gastos com saúde, educação e proteção social, e o espaço fiscal para responder está altamente limitado. 

Na frente ambiental, os persistentes preços altos da energia arriscam um retorno de curto prazo a combustíveis intensivos de carbono, mesmo reforçando o argumento de longo prazo para acelerar a mudança da dependência de combustíveis fósseis. Lidar com essas ameaças intersetoriais requeruma sustentada ação multilateral, incluindo manter o comércio aberto, expandir o financiamento concessional e apoiar a transformação estrutural. 

Compromisso de Sevilha, o resultado da Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, fornece uma estrutura crítica para aumentar o financiamento, abordar os desafios da dívida e apoiar os países mais vulneráveis.

Ventos contrários ao crescimento da produtividade

Além desses impactos do conflito no Oriente Médio, o relatório chama a atenção para o enfraquecimento das bases para o crescimento de médio prazo. O crescimento da produtividade global desacelerou desde a crise financeira global, e as interrupções atuais correm o risco de reforçar essa tendência, amortecendo o investimento e os fluxos comerciais.

Em todas as regiões, as lacunas crescentes em habilidades, inovação e na acumulação de capital, estão contribuindo para um desempenho cada vez mais desigual. A fragmentação geopolítica e o espaço fiscal restrito correm o risco de corroer ainda mais o crescimento da produtividade, consolidando as divergências existentes. Em meio a esses ventos contrários, a inteligência artificial oferece um potencial significativo, mas também representa riscos consideráveis, com ganhos prováveis concentrados em um número limitado de países.

Para saber mais, busque #WorldEconomyReport nas redes e acesse o relatório na íntegra: https://desapublications.un.org/publications/world-economic-situation-and-prospects-mid-2026 


Ação climática é essencial para moradia acessível, mas descarbonização de prédios desacelera


Emissões operacionais de edifícios aumentaram 1%, chegando a 9,9 GtCO₂ em 2024.

Globalmente, edifícios estão se tornando mais eficientes em termos energéticos, mas o progresso é muito lento para atingir metas climáticas.

USD 5,9 trilhões em investimentos em eficiência energética são necessários até 2030.
 

Foto: © Pixabay

A descarbonização do setor de edificações e construção desacelerou, tornando-o tanto uma grande fonte de emissões quanto cada vez mais vulnerável aos impactos climáticos e aos choques nos preços da energia, segundo um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Aliança Global para Edificações e Construção (GlobalABC).

A décima edição do Relatório de Status Global para Edifícios e Construção (2025-2026) avalia o progresso do setor com base em sete indicadores-chave que abrangem políticas, finanças, tecnologias e investimentos alinhados com os compromissos globais para uma trajetória de emissões líquidas zero até 2050.

Publicado em meio a uma crise global de moradia e acessibilidade energética, o relatório destaca como a ação climática nas edificações pode reduzir as contas de energia, melhorar as condições de vida e fortalecer a resiliência aos impactos climáticos, ao mesmo tempo em que reduz as emissões de gases de efeito estufa.

“De casas e escolas a hospitais e locais de trabalho, edifícios desempenham um papel fundamental em nossas vidas”, afirma Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA. “Os edifícios podem tanto perpetuar os riscos climáticos quanto oferecer condições de vida mais seguras, saudáveis e acessíveis. Com metade dos prédios do mundo ainda a serem construídos ou reformados até 2050, governos têm uma oportunidade crucial de impulsionar a construção de emissões zero e resiliente por meio de melhores políticas, normas e investimentos.”

A cada dia, o mundo constrói cerca de 12,7 milhões de metros quadrados de área construída – o equivalente a aproximadamente toda a cidade de Paris em novos espaços a cada semana.

Em 2024, a área construída global cresceu 1,7%, atingindo 273 bilhões de metros quadrados. Esse crescimento acelerado foi impulsionado principalmente pela construção em economias emergentes, incluindo Índia e Sudeste Asiático. O setor de edificações e construção agora responde por quase 50% da extração global de materiais, 37% das emissões globais de gases de efeito estufa e 28% do consumo global de energia.

Progresso desde 2015

O relatório observa que, desde 2015:
• A intensidade energética global dos edifícios – que mede o consumo anual de energia de um edifício em relação ao seu tamanho – caiu 8,5%.
• As certificações de construção sustentável quase triplicaram.
• Em 2024, as energias renováveis supriram apenas 17,3% da demanda energética dos edifícios, muito abaixo do necessário para uma trajetória de emissões líquidas zero.
• O investimento em eficiência energética atingiu USD 275 bilhões em 2024, contribuindo para um investimento acumulado de USD 2,3 trilhões desde 2015.

Desde 2020, porém, o progresso se desacelerou, pois, a transição verde não acompanhou o ritmo da construção. Para alinhar o setor a uma trajetória de emissões líquidas zero, formuladores de políticas devem acelerar as melhorias em eficiência energética e a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis, enquanto o investimento em eficiência energética em edificações deve alcançar USD 5,9 trilhões até 2030, o equivalente a USD 592 bilhões anuais.

Exemplos Positivos por Região

O relatório destaca exemplos positivos em diversas regiões, incluindo:
• A União Europeia implementou políticas que tratam das emissões operacionais e das emissões liberadas antes e durante a construção (emissões incorporadas).
• Houve melhoria no desempenho energético das edificações no Japão e na Suíça.
• Crescimento nas energias renováveis in loco em edifícios na Austrália, Alemanha, Índia e Paquistão.
• Planos nacionais de ação climática (NDCs) cobrindo substancialmente estratégias do setor de edificações nas Bahamas, Camboja e Colômbia.
• Atualização dos códigos de desempenho energético em edificações na Califórnia, Quênia, Japão e Cingapura.
• Expansão da certificação de construção verde na China, Colômbia, Índia e Turquia.
• Roteiros nacionais de apoio à transformação do setor em Bangladesh, Índia, Indonésia, Jordânia, Gana e Senegal.
• Crescimento no investimento e financiamento para edificações sustentáveis no Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido.

O PNUMA e a GlobalABC continuarão trabalhando para fortalecer os dados, aprimorar as metodologias e apoiar a formulação de políticas nacionais. Esses esforços irão equipar os tomadores de decisão com as evidências necessárias para acelerar a ação climática, abordando simultaneamente os desafios de acessibilidade e equidade.

NOTAS AOS EDITORES

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)
O PNUMA é a principal voz global sobre o meio ambiente. Promove liderança e estimula parcerias no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.

Sobre a Aliança Global para Edificações e Construção (GlobalABC)
Fundada na COP21, sediada pelo PNUMA e com mais de 400 membros, incluindo 71 países, a GlobalABC é a principal plataforma global para atores comprometidos com uma visão comum: um setor de edificações e construção de emissões zero, eficiente e resiliente.

Principais Resultados do Trabalho da TNC Brasil - 2025


Programação do Mercado Público Barrageiro - Foz do Iguaçu - 27 a 31 de Maio de 2026

image.png

ONU: América Latina sofre efeitos do aumento da temperatura terrestre e oceânica, ciclo hidrológico mais instável e recuo das geleiras

Ondas de calor recordes, secas persistentes, chuvas extremas e ciclones tropicais devastadores afetaram comunidades e economias de toda a América Latina e do Caribe em 2025, aponta novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) lançado na segunda (18). 

O relatório sobre o Estado do Clima na América Latina e no Caribe em 2025 alerta que as condições meteorológicas e climáticas cada vez mais extremas tem afetado os sistemas agroalimentares do continente. 

Legenda: Moradores em rua alagada pela enchente no município de Eldorado do Sul. Porto Alegre (RS), 20/06/2024.
Foto: © Bruno Peres_Agência Brasil

Mensagens-chave:

  • O calor recorde representa um agravamento dos riscos à saúde pública
  • Um ciclo hidrológico mais extremo significa o aumento da seca ou de inundações
  • Furacões que se intensificam rapidamente colocam à prova preparação e resposta
  • O recuo das geleiras ameaça o abastecimento de água a longo prazo
  • Condições meteorológicas e climáticas extremas afetam os sistemas agroalimentares

Ao longo das costas do Atlântico, o nível do mar está subindo mais rapidamente do que a média global em algumas regiões do Atlântico tropical e do Caribe. A acidificação e o aquecimento contínuos dos oceanos estão agravando os riscos para os ecossistemas marinhos e a pesca, de acordo com o relatório da OMM sobre o Estado do Clima na América Latina e no Caribe em 2025.

“Os sinais de uma mudança climática são inconfundíveis em toda a América Latina e no Caribe, desde a aceleração do derretimento das geleiras e o aumento do nível do mar até a rápida intensificação de ciclones tropicais, calor extremo, inundações e secas”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

“Este relatório mostra que, embora os riscos estejam aumentando, também cresce nossa capacidade de antecipar e agir para salvar vidas e proteger meios de subsistência”, disse a líder da OMM. 

Isso ficou evidente com o furacão Melissa, em outubro de 2025 — o primeiro furacão de categoria 5 registrado a atingir a Jamaica. O evento causou 45 mortes e prejuízos econômicos de aproximadamente 8,8 bilhões de dólares americanos, mais de 41% do PIB. Embora o Melissa não tivesse precedentes históricos, as autoridades jamaicanas utilizaram modelos de risco de alta qualidade para orientar medidas financeiras preventivas e a preparação para desastres, o que limitou o número de vítimas e ajudou a ilha a lidar com a situação.

Outro grande risco é o calor extremo, que representa um fardo cada vez maior para a saúde pública. Em 2025, ondas de calor recorrentes e intensas — com temperaturas bem acima de 40 °C — afetaram grandes partes da América do Norte, Central e do Sul. Há, portanto, uma necessidade urgente de incorporar inteligência climática ao planejamento de saúde e à preparação para emergências, bem como de integrar alertas meteorológicos antecipados aos gatilhos de saúde pública.

Muitos países não publicam rotineiramente dados de mortalidade por calor com causa específica. Estima-se que haja aproximadamente 13.000 mortes atribuíveis ao calor anualmente (média em 17 países entre 2012 e 2021). Isso sugere uma subestimação significativa da mortalidade relacionada ao calor e há a necessidade de relatórios mais precisos, de acordo com o relatório.

O relatório também examina como os sistemas agroalimentares estão expostos a climas extremos e choques climáticos, com impactos simultâneos na produção agrícola, nos meios de subsistência rurais, no acesso aos alimentos e no funcionamento do mercado.

O relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 foi lançado no Auditório Olacyr de Moraes, no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em Brasília, Brasil. Ele fornece informações confiáveis sobre os principais indicadores climáticos, impactos e riscos, bem como sobre os principais eventos extremos regionais, incluindo ciclones tropicais, ondas de calor, chuvas intensas e secas, e ondas de frio.

“Essas conclusões são profundamente preocupantes. Mas também mostram por que nosso trabalho é importante. Informações climáticas não se resumem apenas a dados. Trata-se de pessoas”, disse Celeste Saulo.

“Trata-se de proteger as comunidades contra inundações, secas, furacões, ondas de calor e outros desastres. Trata-se de agricultores planejando suas safras, autoridades de saúde se preparando para riscos relacionados ao calor e comunidades costeiras se preparando para o aumento do nível do mar”, disse.

“O Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 não é apenas uma publicação científica. É um chamado à ação. Ele nos exorta a fortalecer as observações, investir em serviços, preencher lacunas de alerta antecipado e garantir que as informações climáticas cheguem àqueles que mais precisam delas”, disse Celeste Saulo.

Temperaturas

Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 - Organização Meteorológica Mundial (OMM)
Foto: © Organização Meteorológica Mundial (OMM)

Dos quatro períodos de 30 anos analisados no relatório, o período de 1991 a 2025 apresenta a tendência de aquecimento mais acentuada desde o início dos registros, em 1900: cerca de 0,26 °C por década na América do Sul e 0,25 °C por década na América Central e no Caribe. O México registrou a taxa de aquecimento mais rápida, cerca de 0,34 °C por década entre 1991 e 2025.

A temperatura média anual da superfície em 2025 ficou entre a quinta e a oitava mais quente já registrada.

Houve calor recorde em toda a região, incluindo 52,7 °C em Mexicali (México) – novo recorde nacional – e várias ondas de calor que ultrapassaram 40 °C–45 °C em toda a América Central. Muitos locais na América do Sul também registraram temperaturas acima de 40 °C, com 44 °C no Rio de Janeiro (Brasil) e 44,8 °C em Mariscal Estigarribia (Paraguai).

Precipitação

Nos últimos 50 anos, aproximadamente, as chuvas na América Latina e no Caribe tornaram-se mais extremas – oscilando entre secas e inundações, com períodos de seca mais longos e eventos de chuva mais intensos.

Chuvas intensas aumentaram na América Central e no norte da América do Sul (por exemplo, na Colômbia, na República Bolivariana da Venezuela e na região amazônica). O sudeste da América do Sul (sul do Brasil, Uruguai e norte da Argentina) também registrou um aumento na precipitação anual e inundações mais frequentes.

O Chile central, o nordeste do Brasil e algumas áreas da América Central e do Caribe estão se tornando mais secos. A região amazônica apresenta um quadro misto, com estações secas mais longas, estações chuvosas mais intensas e maior frequência de secas no sul e no leste da Amazônia.

Em 2025, chuvas extremas e inundações provocaram graves impactos humanitários, incluindo mais de 110.000 pessoas afetadas no Peru e no Equador (inundações de março), 83 mortes no México (inundações de outubro) e deslizamentos de terra generalizados e danos à infraestrutura.

Junho de 2025 foi o mês mais chuvoso já registrado no México. Apesar disso, a seca assolou as regiões norte e central do México – cobrindo até 85% do país em seu pico e criando uma crise hídrica para as plantações e reservatórios. Houve grave escassez de água no Caribe e déficits de precipitação superiores a 40% em partes do sul da América do Sul, contribuindo para perdas agrícolas e risco de incêndios florestais.

Recuo das geleiras

Foto: © Organização Meteorológica Mundial (OMM)

As geleiras andinas constituem uma importante reserva hídrica para cerca de 90 milhões de pessoas, fornecendo água doce para consumo doméstico, energia hidrelétrica, agricultura e indústria.

Conjuntos de dados recentes sobre o balanço de massa das geleiras globais mostram perdas aceleradas nas altas montanhas do sul dos Andes, bem como nas geleiras tropicais em regiões de baixa latitude, como Colômbia e Equador.

A convergência entre a perda acelerada de gelo, o aumento da demanda por água e a capacidade limitada de adaptação – particularmente entre as comunidades rurais andinas – torna o futuro da reserva hídrica andina um dos desafios mais urgentes para a segurança hídrica na América Latina.

Oceano

Foto: © Organização Meteorológica Mundial (OMM)

A América Latina é responsável por 8,8% do litoral mundial. O oceano está absorvendo o excesso de calor e o dióxido de carbono proveniente das atividades humanas. A acidificação e o aquecimento oceânicos resultantes, combinados com a desoxigenação, estão afetando os ecossistemas marinhos e os recifes de corais, prejudicando a pesca e as economias locais.

Em 2025, o pH da superfície do oceano continuou a diminuir (acidificação), atingindo um nível recorde de baixa em grandes partes do Atlântico e do Pacífico adjacentes à região.

Ocorreram ondas de calor marinhas extremas no Golfo do México e no Mar do Caribe, bem como na área oceânica adjacente ao Chile.

Ao longo das costas voltadas para o Atlântico, as taxas de elevação do nível do mar estão excedendo a média global em partes do Atlântico tropical e do Caribe.

Para saber mais, siga @wmo_omm nas redes e acesse o relatório na íntegra na página da OMM: https://wmo.int/resources/publication-series/state-of-climate-latin-america-and-caribbean/state-of-climate-latin-america-and-caribbean-2025 

“Chega de desculpas. Chega de esperar que os outros se movam primeiro. Simplesmente não há mais tempo para isso. Ainda é possível limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius e evitar o pior da mudança climática. Mas somente com ações climáticas drásticas e imediatas.” - António Guterres, secretário-geral da ONU, durante a coletiva de imprensa sobre o clima realizada em 27 de julho de 2023.

Confira dicas da campanha da ONU Brasil pela ação climática

📢 Pressione as autoridades a adotarem políticas e práticas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e investirem nas capacidades de adaptação de nossas cidades aos efeitos da mudança do clima. 

♻️  Faça escolhas sustentáveis no seu dia a dia e coloque em prática os cinco pilares do conceito do #ResíduoZero: repense, recuse, reduza, reutilize, recicle.  

🌳 Procure obter mais informações sobre as cadeias de produção, e dê preferência a produtos e empresas que adotam práticas sustentáveis, incluindo a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade. 

🗣️ Informe-se e compartilhe conhecimento com pessoas próximas e familiares. Conscientização é o primeiro passo para a mudança

💚 Apoie e participe de iniciativas e organizações que atuam para a restauração de ecossistemas degradados pela ação humana. 

Para mais informações, acesse a página da ONU Brasil para #EducaçãoAmbiental e siga @unep_pt@nacoesunidas e @onubrasil nas redes sociais. 


Consultoria Ambiental em Foz do Iguaçu?
Paraná Plan Soluções Ambientais
(44) 92002-4779