sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Nações Unidas buscam jovens com grandes ideias para proteger o planeta


O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) procura jovens que implementam soluções inovadoras para combater a mudança climática, a perda de biodiversidade e natureza, e a poluição e os resíduos.

Pessoas vencedoras do Prêmio Jovens Campeões da Terra receberão reconhecimento global, financiamento inicial, formação, orientação e acesso a agentes de mudança influentes.

As candidaturas estão abertas até 31 de março de 2026.

Mãos ancestrais plantando o futuro

Legenda: Mãos ancestrais plantando o futuro: Crianças indígenas da etnia Terena, plantando uma muda nativa do Pantanal em uma área em restauração dentro de seu território, a Terra Indígena Cachoeirinha, em Miranda, no Mato Grosso do Sul. Foto selecionada pelo concurso internacional de fotografia sobre Transformação Urbana, organizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).
Foto: © UNU/Gustavo Figueiroa.

O PNUMA lançou a convocatória para a edição de 2026 do Prêmio Jovens Campeões da Terra, que homenageia jovens que promovem soluções inovadoras para proteger o planeta.

O prêmio Jovens Campeões da Terra é a principal iniciativa global do PNUMA voltada para a juventude. Desde 2017, ele reconheceu 33 jovens pioneiros – ativistas, empreendedores e inovadores ambientais de 18 a 30 anos – por suas ideias excepcionais para proteger o meio ambiente. O programa é realizado em parceria com o CEO americano de tecnologia limpa Chris Kemper, que também é defensor de parcerias do PNUMA e cofundador da Planet A.

Os Jovens Campeões de 2026 receberão US$ 10.000 em financiamento inicial de Kemper, orientação, acesso a uma rede de especialistas e oportunidades de participar de eventos de alto nível das Nações Unidas. Eles também serão levados a Nova Iorque para competir em uma competição de apresentações por uma bolsa de US$ 100.000 da Planet A.

O PNUMA incentiva inscrições de jovens empreendedores, cientistas, economistas, artistas e comunicadores de todas as origens que estejam promovendo ideias ousadas para as pessoas, o planeta e a prosperidade. Para demonstrar viabilidade e comprometimento, as pessoas candidatas devem ter aplicado suas ideias por um período mínimo de seis meses.

"Enfrentar as crises interligadas da mudança climática, degradação dos solos, perda de biodiversidade e natureza, poluição e resíduos não é um ato de caridade. Isso pode trazer benefícios econômicos tangíveis para países, comunidades e indivíduos", disse a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen. 

"Estamos orgulhosas de que, por meio do programa Jovens Campeões, esses indivíduos incríveis recebam orientação, treinamento e financiamento inicial para transformar ideias ambiciosas em soluções viáveis para as pessoas e o planeta."

As pessoas vencedoras do Prêmio Jovens Campeões da Terra de 2025 foram: Jinali Mody, da Índia, fundador e CEO da Banofi Leather, que transforma resíduos da cultura da banana em uma alternativa vegetal ao couro; Joseph Nguthiru, fundador da startup queniana HyaPak, que produz embalagens biodegradáveis a partir da polpa do jacinto aquático; e Noemi Florea, inventora do Cycleau, um sistema que converte água cinza em água potável. Nguthiru ganhou também uma bolsa de US$ 100.000 da Planet A.

"Estamos orgulhosos de apoiar esses jovens incríveis que estão mudando o mundo", disse Kemper. "Joseph, Jinali e Noemi nos mostraram no ano passado que os indivíduos podem fazer muito para proteger nosso planeta. Estou animado para conhecer os Jovens Campeões de 2026."

Para mais informações, acesse a página do Prêmio: https://www.unep.org/youngchampions/ 

Mudas de mangue na llha de Deus
Legenda: Mudas de mangue na llha de Deus: Duas crianças participam de uma ação de replantio de mudas de mangue na Ilha de Deus, em Recife - PE. Foto selecionada pelo concurso internacional de fotografia sobre Transformação Urbana, organizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).
Foto: © UNU/Rafael Martins.

Edital do IPARDES para seleção de bolsistas - Projeto Vulnerabilidade Socioambiental


Edital do IPARDES para seleção de bolsistas para atuar no projeto Vulnerabilidade Socioambiental aos Riscos de Desastres Naturais nos Municípios do Estado do Paraná.

Vagas para graduados em ciências econômicas, estatística e geografia, nas seguintes áreas:

- 1 vaga para a área de geografia física

- 1 vaga para a área de água, interações ambientais e desastres naturais

- 1 vaga para indicadores econômicos e sociais

Link para inscrições: https://www.ipardes.pr.gov.br/Pagina/Selecao-de-Bolsistas-Fundo-Parana

Data limite para o recebimento das inscrições: 04/03/2026


Justiça Federal embarga mansão irregular no entorno do Parque Nacional do Superagui

A 11ª Vara Federal de Curitiba determinou o embargo imediato de uma mansão construída de forma irregular no entorno do Parque Nacional do Superagui, em Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual de Guaraqueçaba, no litoral do Paraná. A decisão atende a um pedido de tutela de urgência do Ministério Público Federal (MPF).

Laudos da Polícia Federal apontam que a edificação excede em mais de 300% a área autorizada pelos órgãos ambientais para construção, impedindo a regeneração da vegetação nativa. Por isso, o MPF solicitou a demolição do imóvel e a restauração integral da área e teve parte do pedido atendido.

A ação mostra que as proprietárias do imóvel receberam autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para ampliar uma casa em 100 metros quadrados, desde que com licenciamento ambiental. No entanto, vistorias técnicas revelaram a existência de duas edificações que somam 414,51 metros quadrados, construídas sem o devido licenciamento ambiental. 

No despacho, o juiz federal substituto Roger Rasador Oliveira destacou os riscos ambientais. "No caso concreto, o Ministério Público Federal aponta que, segundo o laudo confeccionado pela DPF, 'os impactos decorrentes das construções analisadas estão relacionados, principalmente, ao impedimento da regeneração natural da vegetação'", descreveu. 

O magistrado então determinou, em despacho no dia 20 de dezembro de 2025, a proibição de qualquer presença ou uso da construção e fixou multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento do embargo.

As rés têm prazo de 30 dias para apresentar contestação.

Fonte: Justiça Federal do Paraná


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Organizações indígenas divulgam nota de repúdio à criminalização de lideranças Pataxó no extremo sul da Bahia



Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia e povo Pataxó denunciam tortura de adolescente indígena por policiais durante operação na Terra Indígena Comexatibá 

O Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), o Conselho de Caciques do Território Barra Velha do Monte Pascoal e o Conselho de Liderança e Caciques do Território Comexatibá divulgaram uma nota, nesta quarta-feira (25), em que denunciam a detenção arbitrária de doze indígenas do povo no extremo sul da Bahia. As organizações denunciam que os indígenas foram mantidos sob "condições desumanas" enquanto aguardavam pelas oitivas na delegacia, e que um adolescente Pataxó de 14 anos relatou ter sofrido tortura dos policiais que realizaram a operação.

As detenções ocorreram na tarde de terça-feira (24) na retomada Barra do Cahy, na Terra Indígena (TI) Comexatibá, município de Prado. Os indígenas foram conduzidos para a Delegacia Regional de Teixeira de Freitas, onde permaneciam detidos até o final da tarde desta quarta.

"Nos últimos dois dias, pessoas ligadas ao movimento Invasão Zero realizaram manifestações e bloqueios de estradas na região, inclusive com relatos de que alguns indígenas ligados à Invasão Zero e que são de dentro da Terra Indígena estariam realizando este bloqueio no território. À noite, inclusive, mulheres que permaneceram na comunidade Barra do Cahy relataram que tiros foram disparados contra a retomada", relatam as organizações indígenas.

"Há hoje, no extremo sul da Bahia, um cenário orquestrado para a disseminação de informações falsas que insuflam o ódio e o preconceito contra o povo Pataxó, e que tem como um de seus componentes a criminalização de lideranças do povo", aponta a nota. "Nessa rede de ódio e difamação que busca impedir que os Pataxó reconquistem seu território originário, invasores da terra indígena têm se articulado com políticos regionais e com meios de comunicação locais, veiculando informações falsas e impregnadas de racismo e preconceito contra os indígenas".

Confira a nota na íntegra:

Repúdio à criminalização de lideranças do povo Pataxó em luta pela demarcação de suas terras

No início da noite do dia 24 de fevereiro, doze indígenas do povo Pataxó foram conduzidos à Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas (BA) na tarde desta terça-feira (24), incluindo quatro menores de idade. Os adultos prestaram depoimento e foram ouvidos apenas durante a madrugada já do dia 25 de fevereiro.

Os indígenas foram abordados na retomada Barra do Cahy, Terra Indígena (TI) Comexatibá, pela Força Integrada de Segurança, composta por Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e também pela Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), e levados para prestar depoimento.

Na mesma tarde, duas turistas foram alvejadas no distrito de Corumbau, dentro do perímetro da TI Comexatibá, território que teve sua portaria declaratória expedida pelo Ministério da Justiça em novembro de 2025 e onde os indígenas têm sido alvo de uma série de ataques armados perpetrados por fazendeiros e milícias rurais. Nos últimos dois dias, pessoas ligadas ao movimento Invasão Zero realizaram manifestações e bloqueios de estradas na região, inclusive com relatos de que alguns indígenas ligados à Invasão Zero e que são de dentro da Terra Indígena estariam realizando este bloqueio no território. À noite, inclusive, mulheres que permaneceram na comunidade Barra do Cahy relataram que tiros foram disparados contra a retomada.

Os indígenas do povo Pataxó negam qualquer relação com os disparos que atingiram os turistas. Apesar disso, imediatamente houve uma articulação, envolvendo políticos e meios de comunicação, e forças de segurança para vinculá-los e condená-los imediatamente e publicamente pela ação, mesmo seus envolvimentos com os disparos sendo totalmente desconexo com a realidade e inviável geograficamente, uma vez que os indígenas não poderiam ter contato com as turistas por conta do bloqueio realizado pelos indígenas ligados ao aos fazendeiros.

É importante registrar que um dos menores de idade, um adolescente de 14 anos, relatou ter sofrido tortura dos policiais que realizaram a operação, o ameaçando com arma de fogo, facas e tortura psicológica para confissão, para além de o conjunto de indígenas ser mantido sob condições desumanas na delegacia enquanto aguardavam pelas oitivas. Apesar de terem sido detidos durante a tarde, os depoimentos iniciaram apenas às duas horas da manhã. Neste intervalo, os Pataxó, que estavam sem camisa, foram obrigados a aguardar por horas numa sala gelada, onde a delegacia se negou a diminuir a temperatura do ambiente.

Essa situação reflete o contexto de desumanização que tem sido recorrente no tratamento dado ao povo Pataxó pelas forças de segurança pública, referendado por parte da opinião pública local.

Há hoje, no extremo sul da Bahia, um cenário orquestrado para a disseminação de informações falsas que insuflam o ódio e o preconceito contra o povo Pataxó, e que tem como um de seus componentes a criminalização de lideranças do povo. Nessa rede de ódio e difamação que busca impedir que os Pataxó reconquistem seu território originário, invasores da terra indígena têm se articulado com políticos regionais e com meios de comunicação locais, veiculando informações falsas e impregnadas de racismo e preconceito contra os indígenas.

Enquanto mobilizam milícias privadas que, nos últimos anos, provocaram, entre outras, as mortes de Samuel, Nawir, Gustavo e Vitor, os agressores atribuem aos Pataxó crimes que eles próprios praticam. O assim chamado movimento Invasão Zero, que surgiu, não por acaso, no sul da Bahia, tem atuado cotidianamente para destruir a reputação dos Pataxó junto à população local e acirrar os conflitos na região.

Quando a portaria declaratória de Comexatibá foi publicada, o território já aguardava há dez anos sem nenhum avanço na demarcação. A TI Barra Velha do Monte Pascoal aguarda há ainda mais tempo por um avanço no processo demarcatório; antes disso, o povo Pataxó, expulso de suas terras, lutou por décadas para reaver seu território originário, do qual jamais se desvinculou.

As retomadas e a autodemarcação que o povo decidiu realizar são parte desse mesmo contexto de morosidade e desrespeito reiterado aos direitos indígenas. E a violência injustificável que se volta contra os indígenas é a reação daqueles que foram beneficiados pelo roubo das terras Pataxó.

Não aceitaremos nenhum retrocesso. Nenhuma outra medida além do andamento devido nos procedimentos demarcatórios e a regularização definitiva dessas áreas como terras indígenas – o que jamais deixaram de ser – resolverá a situação de conflitos e de violência contra o povo Pataxó.

Cobramos das autoridades o fim da perseguição às lideranças e ao povo Pataxó, a conclusão definitiva das demarcações, a retirada de todos os invasores e a investigação dos grupos que articulam a violência e a desinformação contra o povo Pataxó.

25 de fevereiro de 2026

Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba)
Conselho de Caciques do Território Barra Velha do Monte Pascoal
Conselho de Liderança e Caciques do Território Comexatibá

ONU Turismo convida para evento virtual sobre turismo de baixo carbono

Assinalando o Dia Mundial da Resiliência do Turismo, a ONU Turismo lidera a organização de seminários virtuais sobre turismo de baixo carbono, no âmbito da iniciativa One Planet, liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O próximo encontro internacional será realizado nesta quinta (26), a partir das 12:00. O evento é aberto ao público. As inscrições devem ser feitas através deste link

O seminário promove estratégias de baixa emissão de carbono no setor do turismo para fortalecer a resiliência climática, como foco em alianças nacionais, regionais e globais e nos resultados da COP30 em Belém. 

Assinalado em 17 de fevereiro, o Dia Mundial da Resiliência do Turismo foi estabelecido pela Assembleia Geral da ONU como um apelo global à ação. A data enfatiza a vulnerabilidade do setor a choques externos e a urgência de estratégias nacionais de reabilitação, incentivando a criação de mecanismos que protejam o ecossistema econômico em momentos de crise.
Legenda: Assinalado em 17 de fevereiro, o Dia Mundial da Resiliência do Turismo foi estabelecido pela Assembleia Geral da ONU como um apelo global à ação. A data enfatiza a vulnerabilidade do setor a choques externos e a urgência de estratégias nacionais de reabilitação, incentivando a criação de mecanismos que protejam o ecossistema econômico em momentos de crise.
Foto: © Dreamstime

Por ocasião do Dia Mundial da Resiliência do Turismo, seminários da rede global One Planet exploram como o turismo pode promover um padrão de desenvolvimento com baixa emissão de carbono e resiliente à mudança climática, com base nos recentes progressos multilaterais e nos resultados da COP30 em Belém. 

Liderada pelo PNUMA, a iniciativa One Planet reúne governos e o setor privado em torno de um plano de ação conjunta para garantir que o desenvolvimento do turismo seja sustentável e adaptado aos desafios ambientais atuais. A iniciativa apoia a implementação da Declaração sobre o Reforço da Ação Climática no Turismo, acordada na COP29 em Baku, no Azerbaijão. 

SERVIÇOMesa redonda virtual da iniciativa One Planet sobre turismo de baixo carbono

Objetivos

  1. Consolidar o progresso da cooperação multilateral: refletir sobre como os resultados da COP29 e da COP30 estão moldando as ações climáticas no turismo, com foco em traduzir o impulso político em implementação rumo à COP31.
  2. Promover a troca de experiências entre a iniciativa One Planet e políticas, ferramentas e soluções que estão sendo operacionalizadas por países e empresas em todo o mundo. 

Mais informações e agenda detalhada estão disponíveis na página da iniciativa One Planet

Sobre o Dia Mundial da Resiliência do Turismo

Assinalado em 17 de fevereiro, o Dia Mundial da Resiliência do Turismo foi estabelecido pela Assembleia Geral da ONU como um apelo global à ação. A data enfatiza a vulnerabilidade do setor a choques externos e a urgência de estratégias nacionais de reabilitação, incentivando a criação de mecanismos que protejam o ecossistema econômico em momentos de crise.

O turismo sustentável e o ecoturismo são ferramentas fundamentais para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para diversos grupos de países, incluindo os países menos desenvolvidos, os pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e os países de renda média, o setor representa uma fonte vital de emprego e renda, conectando diretamente o crescimento econômico à preservação da natureza e à responsabilidade ambiental.

O turismo desempenha um papel essencial na erradicação da pobreza e no fortalecimento de comunidades locais, incluindo povos indígenas, mulheres e jovens. Ao promover a inclusão financeira e o desenvolvimento rural, o turismo resiliente permite a formalização do trabalho e a proteção de recursos marinhos, garantindo a segurança alimentar e o incentivo ao empreendedorismo de pequenos agricultores.

Para saber mais, siga @unwto nas redes e visite a página da data internacionalhttps://www.un.org/en/observances/tourism-resilience-day  



terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

ONU oferece bolsas de estudo sobre Oceano e Direito do Mar

As Nações Unidas abriram convocatória para a edição de 2026 do Programa de Bolsas de Estudos sobre Oceano e Direito do Mar.

O programa inclui 4 meses de treinamento presencial na sede da ONU em Nova Iorque, além de discussões em grupo, cursos e seminários on-line.

O programa é aberto a funcionários governamentais de países em desenvolvimento que estão envolvidos diretamente com assuntos relacionados ao direito do mar, incluindo a implementação do novo Tratado do Alto Mar.

O prazo para envio de inscrições é 22 de março de 2026.

Foto vencedora da competição internacional de fotografia para o Dia Mundial do Oceano, na categoria Vida na Água.
Legenda: Foto vencedora da competição internacional de fotografia para o Dia Mundial do Oceano, na categoria Vida na Água.
Foto: © ONU/Galice Hoarau.

Organizado com apoio da Fundação Nippon, do Japão, o Programa de Bolsas de Estudos busca apoiar os países em desenvolvimento a abordar questões críticas e urgentes em matéria de assuntos oceânicos e direito do mar, com foco na implementação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) de 1982, incluindo o Tratado do Alto Mar, e das metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14: Vida na Água

O programa de estudos consiste em um ciclo de treinamento de aproximadamente quatro meses na Divisão de Assuntos Oceânicos e Direito do Mar da ONU, em Nova Iorque, além de exercícios baseados em cenários, discussões em grupo e seminários on-line. 

O treinamento presencial está programado para ocorrer do início de setembro até meados de dezembro de 2026. 

As bolsas incluem subsídio mensal, seguro médico e passagem aérea de ida e volta em classe econômica. Mais detalhes sobre as condições da bolsa e o apoio financeiro estão disponíveis aqui.

Foto finalista da competição internacional de fotografia para o Dia Mundial do Oceano, na categoria Paisagens Oceânicas.
Legenda: Foto finalista da competição internacional de fotografia para o Dia Mundial do Oceano, na categoria Paisagens Oceânicas.
Foto: © ONU/Marcelo Ogata.

Quem pode participar

Pessoas interessadas devem:

  • Ter entre 25 e 45 anos de idade;
  • Ter concluído com sucesso um curso de graduação;
  • Ser funcionário(a) público(a) de um país em desenvolvimento, em qualquer nível de governo;
  • Lidar diretamente com questões críticas relacionadas à:
    • Implementação da UNCLOS e de instrumentos correlatos;
    • Implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 14: Vida na Água;
    • Estabelecimento de zonas marítimas e delimitação de fronteiras marítimas;
    • Políticas oceânicas nacionais e/ou regionais;
    • Gestão da zona costeira;
    • Conservação e gestão de recursos marinhos vivos;
    • Transporte e navegação marítima;
    • Segurança marítima;
    • Proteção e preservação do meio ambiente marinho;
    • Oceano e mudança climática;
    • Ciências marinhas.
  • Ter domínio do inglês oral e escrito (as atividades são ministradas em inglês). 
Foto selecionada na competição internacional de fotografia para o Dia Mundial do Oceano, na categoria Novos Despertares.
Legenda: Foto selecionada na competição internacional de fotografia para o Dia Mundial do Oceano, na categoria Novos Despertares.
Foto: © ONU/Patrick Webster.

Como se inscrever

Pessoas interessadas devem preencher os formulários disponíveis na seção "APPLY NOW" da página do programa: https://www.un.org/oceancapacity/content/apply-now

Para se inscrever, pessoas interessadas devem:  

1. Preencher os formulários exigidos  

  1. Formulário de histórico pessoal e apresentação de proposta de tema de pesquisa/estudo
  2. Formulário de endosso da entidade governamental a qual a pessoa é vinculada
  3. Formulário de inscrição 

2. Enviar os três formulários preenchidos, juntamente com uma cópia da página de identificação do passaporte, para o seguinte endereço de e-mail: doalos@un.org, com o assunto "2026 UNNF Strategic Needs Fellowships."

O prazo para envio do conjunto completo de materiais de inscrição é 22 de março de 2026. Inscrições atrasadas ou incompletas não serão consideradas. 

Os resultados serão comunicados individualmente aos candidatos selecionados e, posteriormente, publicados na seção de notícias da página do programa até o final de maio de 2026. Onze bolsas serão oferecidas para a edição de 2026 do Programa de Estudos. 

Compromisso com a diversidade

  • O programa busca atingir um equilíbrio de gênero (50/50) e diversidade geográfica entre os participantes. Candidaturas de mulheres são fortemente incentivadas. 

  • Acomodações adequadas podem ser oferecidas, mediante solicitação, para apoiar a participação de pessoas com deficiência.

Foto finalista da competição internacional de fotografia para o Dia Mundial do Oceano, na categoria Oceano é Vida.
Legenda: Foto finalista da competição internacional de fotografia para o Dia Mundial do Oceano, na categoria Oceano é Vida.
Foto: © ONU/Rachel Moore.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Nota de Falecimento: Frei Sérgio Antônio Görgen, referência na luta social e ambiental

Faleceu nesta terça-feira, dia 3, aos 70 anos, Frei Sérgio Antônio Görgen, frade franciscano, líder religioso e importante militante das causas sociais e ambientais no Brasil.

Reconhecido nacionalmente por sua atuação em defesa da agroecologia, da alimentação saudável e do trabalho junto às populações mais vulneráveis, Frei Sérgio dedicou toda a sua vida ao cuidado dos pobres e necessitados, unindo fé, compromisso social e ação comunitária.

Além de sua trajetória religiosa, Frei Sérgio também teve atuação marcante na política e nos movimentos sociais. Ex-deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), participou ativamente da criação e consolidação de importantes organizações populares, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e o próprio PT.

O legado de Frei Sérgio Antônio Görgen permanece vivo nas lutas que ajudou a construir e nas pessoas que inspirou ao longo de sua caminhada.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Relatório da ONU: Investir na saúde do planeta aumenta o PIB e reduz mortes e pobreza

A degradação ambiental tira milhões de vidas e custa trilhões anualmente.


Modelos tradicionais de negócios levarão a impactos ainda maiores, ameaçando a prosperidade nacional.

O Panorama Ambiental Global (Global Environment Outlook) aponta para ganhos anuais de pelo menos US$ 20 trilhões com a transformação de cinco sistemas-chave.

Foto: © PIXABAY

A mais completa análise do cenário ambiental global já realizada concluiu que investir em clima estável, em natureza e terras saudáveis e em um planeta livre de poluição pode gerar trilhões de dólares adicionais ao PIB global, evitar milhões de mortes e tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza e da fome. A sétima edição do Panorama Ambiental Global: O futuro que podemos escolher (Global Environment Outlook - GEO-7), lançado durante a sétima sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente em Nairóbi, é o resultado do trabalho de 287 cientistas multidisciplinares de 82 países.

O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) conclui que as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade, a degradação da terra, a desertificação, a poluição e os resíduos têm causado um grande impacto no planeta, nas pessoas e nas economias – custando trilhões de dólares por ano. Seguir nos atuais caminhos de desenvolvimento só intensificará esse impacto.

No entanto, abordagens que envolvam toda a sociedade e todo o governo para transformar os sistemas econômico e financeiro, de materiais e resíduos, energia, alimentos e meio ambiente podem trazer benefícios macroeconômicos globais que poderiam chegar a S$ 20 trilhões por ano até 2070 e continuar crescendo.

Um fator-chave para essa abordagem é deixar de lado o PIB e adotar indicadores que também acompanhem o capital humano e natural, incentivando as economias a avançarem em direção à circularidade, à descarbonização do sistema energético, à agricultura sustentável, à restauração de ecossistemas e muito mais.

"O Panorama Ambiental Global apresenta uma escolha simples para a humanidade: continuar no caminho para um futuro devastado pelas mudanças climáticas, natureza em declínio, terras degradadas e ar poluído, ou mudar de direção para garantir um planeta saudável, pessoas saudáveis e economias saudáveis. Não se trata de escolha alguma, na verdade", disse Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA.

"E não nos esqueçamos de que o mundo já fez muitos progressos: desde acordos globais que abrangem as mudanças climáticas, a natureza, a terra e a biodiversidade, a poluição e os resíduos, até mudanças reais na indústria em expansão das energias renováveis, a cobertura global de áreas protegidas e a eliminação gradual de produtos químicos tóxicos", acrescentou. "Apelo a todas as nações para que aproveitem estes avanços, invistam na saúde do planeta e conduzam suas economias rumo a um futuro próspero e sustentável."

Um caminho melhor

O relatório apresenta dois caminhos de transformação, analisando: mudanças comportamentais para dar menos ênfase ao consumo material; e mudanças nas quais o mundo depende principalmente do desenvolvimento tecnológico e dos ganhos de eficiência.

Os caminhos de transformação preveem que os benefícios macroeconômicos globais começarão a aparecer em 2050, crescerão para US$ 20 trilhões por ano até 2070 e, a partir daí, atingirão US$ 100 trilhões por ano. Os caminhos projetam a redução da exposição aos riscos climáticos, a redução da perda de biodiversidade até 2030 e o aumento das terras naturais.

Nove milhões de mortes prematuras podem ser evitadas até 2050, por meio de medidas como a redução da poluição do ar. Até 2050, quase 200 milhões de pessoas poderiam sair da subnutrição e mais de 100 milhões de pessoas sairiam da pobreza extrema.

Para atingir emissões líquidas zero até 2050 e garantir financiamento adequado para a conservação e restauração da biodiversidade, é necessário um investimento anual de cerca de US$ 8 trilhões até 2050. No entanto, o custo da inação é muito mais alto.

Transformações radicais necessárias

Seguir os caminhos da transformação exigiria mudanças radicais em cinco áreas principais. O relatório descreve as medidas recomendadas para cada área, incluindo:

• Economia e finanças: ir além do PIB para métricas abrangentes e inclusivas de riqueza; precificar externalidades positivas e negativas para avaliar corretamente os bens; e eliminar gradualmente e redirecionar subsídios, impostos e incentivos que resultam em impactos negativos sobre a natureza.

• Materiais e resíduos: implementar o design circular de produtos, a transparência e a rastreabilidade de produtos, componentes e materiais; transferir investimentos para modelos de negócios circulares e regenerativos; e mudar os padrões de consumo para a circularidade por meio de uma mudança de comportamento.

• Energia: descarbonizar a matriz energética; aumentar a eficiência energética; promover a sustentabilidade social e ambiental nas cadeias de valor de minerais críticos; e enfrentar os desafios de acesso à energia e de pobreza energética.

• Sistemas alimentares: Mudar para dietas saudáveis e sustentáveis; aumentar a circularidade e a eficiência da produção; e reduzir a perda e o desperdício de alimentos.

• Meio ambiente: acelerar a conservação e restauração da biodiversidade e dos ecossistemas; apoiar a adaptação e resiliência climática, apoiando-se em soluções baseadas na natureza; e implementar estratégias de mitigação climática.

O relatório apela ao co-desenvolvimento e à co-implementação paralelos dessas soluções. Considerar diversos sistemas de conhecimento, especialmente o conhecimento indígena e o conhecimento local, é crucial para transições justas que abordem tanto a sustentabilidade ambiental quanto o bem-estar humano.

O relatório exorta governos, organizações não governamentais e multilaterais, o setor privado, a sociedade civil, a academia, organizações profissionais, o público e os povos indígenas a reconhecerem a urgência das crises ambientais globais, aproveitarem os progressos alcançados nas últimas décadas e colaborarem na co-concepção e implementação de políticas, estratégias e ações integradas para proporcionar um futuro melhor para todos.

Degradação crescente

Com base em diversas fontes, o relatório também detalha as consequências atuais e futuras dos modelos de desenvolvimento habituais.
As emissões de gases de efeito estufa aumentaram 1,5% ao ano desde 1990, atingindo um novo pico em 2024 — elevando as temperaturas globais e intensificando os impactos climáticos. O custo dos eventos climáticos extremos atribuídos às mudanças climáticas nos últimos 20 anos é estimado em US$ 143 bilhões por ano.

Estima-se que entre 20% e 40% da área terrestre mundial esteja degradada, afetando mais de três bilhões de pessoas, enquanto um milhão das cerca de oito milhões de espécies estão ameaçadas de extinção.

Nove milhões de mortes são atribuíveis anualmente a alguma forma de poluição. O custo econômico dos danos à saúde causados apenas pela poluição do ar foi de cerca de US$ 8,1 trilhões em 2019 — ou cerca de 6,1% do PIB global.

O estado do meio ambiente piorará drasticamente se o mundo continuar a impulsionar as economias seguindo o caminho atual. Sem ação, o aumento da temperatura média global provavelmente excederá 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais no início da década de 2030, excederá 2,0 °C na década de 2040 e continuará subindo. Nesse caminho, as mudanças climáticas reduziriam 4% do PIB global anual até 2050 e 20% até o final do século.

Espera-se que a degradação da terra continue nos níveis atuais, com o mundo perdendo terras férteis e produtivas do tamanho da Colômbia ou da Etiópia anualmente — em um momento em que as mudanças climáticas podem reduzir a disponibilidade de alimentos por pessoa em 3,4% até 2050.

Os 8 bilhões de toneladas de resíduos plásticos que poluem o planeta continuarão a se acumular — elevando as perdas econômicas anuais relacionadas à saúde, hoje estimadas em US$ 1,5 trilhão, decorrentes da exposição a substâncias químicas tóxicas presentes nos plásticos.

Notas aos editores:

Sobre a metodologia de modelagem do GEO-7
A metodologia de caminhos de transformação do GEO-7 constrói novas narrativas para ilustrar transformações alternativas dos cinco sistemas e utiliza um conjunto de modelos para quantificar essas narrativas, bem como as tendências atuais.

Esses modelos abrangem elementos-chave dos cinco sistemas, crises ambientais globais e seus objetivos relacionados, além das implicações ambientais e socioeconômicas. Os modelos estão interligados para levar em conta as interdependências críticas e o feedback entre os modelos componentes. Os resultados são comparados com bancos de dados de cenários estabelecidos e literatura existente para abordar a incerteza e a consistência com a comunidade de cenários mais ampla. Embora a metodologia forneça insights valiosos, ela é limitada em termos de escopo do cenário, cobertura de questões e nível de agregação.

Esses cenários são baseados em uma estrutura que inclui modelos bem estabelecidos e validados, amplamente utilizados por outras avaliações ambientais globais, incluindo aquelas produzidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), pela Plataforma Intergovernamental de Ciência e Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e pelo Painel Internacional de Recursos (IRP).

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) 
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente é a principal autoridade ambiental global que define a agenda ambiental global, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável dentro do sistema das Nações Unidas e atua como um defensor autorizado do meio ambiente global. 

Para mais informações, entre em contato com: Unidade de Notícias e Mídia do PNUMA através do email unep-newsdesk@un.org