terça-feira, 6 de outubro de 2026

Nota do Cimi sobre as eleições: defesa da democracia, da justiça e da solidariedade exige ação coletiva e corajosa


Resultado eleitoral de 4 de outubro fortalece autoritarismo e traz ameaça evidente à democracia em nosso país; segundo turno nos dá a oportunidade de evitar colapso social, político e ambiental 

Diante do resultado do primeiro turno das Eleições de 2026, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) reafirma seu compromisso inabalável em defesa dos direitos dos povos indígenas e de um Brasil mais justo, plural e democrático. Ao longo de seus 54 anos de caminhada, o Cimi enfrentou diversos momentos políticos em nosso país, atravessando o período da ditadura militar, a luta pela redemocratização e por uma Constituição cidadã e o período de avanços na garantia de direitos fundamentais no país. Na esteira da luta destemida e resistente dos povos indígenas, o Cimi aprendeu a lidar com as diversas conjunturas, com coragem e sem perder nunca o horizonte de um país de todas e de todos.

O resultado do pleito eleitoral realizado no dia 4 de outubro acarretará no fortalecimento do autoritarismo e do bolsonarismo dentro do Congresso Nacional. Isto representa uma ameaça evidente à democracia em nosso país. Através da Plataforma Congresso Anti-Indígena, o Cimi colocou à disposição da sociedade, durante esta campanha eleitoral, dados e informações que escancaram como a bancada majoritária da direita e da extrema direita no Congresso Nacional tem atuado, de forma sistemática, contra os direitos dos povos indígenas e contra a Constituição Federal. Essa mesma bancada reacionária foi responsável pela fragilização da política de proteção ambiental, pelas tentativas de blindagem dos parlamentares e pela legitimação da grilagem, além de impedir avanços sociais como o fim da escala 6x1. Muitos desses parlamentares, envolvidos em casos de corrupção e de violência, foram reeleitos. Bolhas informativas falaciosas e as ruas sem lei das redes sociais induziram a um sentimento de rejeição e não de construção de país, de futuro. Desejar a mudança é legítimo; conduzir a mudança para o abismo e o autoritarismo é muito perigoso.

Ainda temos a oportunidade, no segundo turno das eleições para a presidência da República, de evitar que o bolsonarismo golpista retome o controle sobre o poder Executivo, agora com ainda menos salvaguardas do que no ciclo anterior. Não podemos naturalizar o golpe de Estado nem a violência. 33 milhões de pessoas decidiram não manifestar-se nas eleições do dia 4 de outubro, e elas são absolutamente fundamentais para que possamos preservar os espaços mínimos de democracia e de soberania que existem em nosso país, apesar de seu desgaste contínuo e sensível.

Vivemos tempos de grandes desafios. O colapso ambiental e a degradação das instituições políticas precisam ser enfrentados de forma coletiva, organizada e com lideranças e decisões corajosas, porque o futuro de todos nós está em risco. Os povos indígenas sempre nos mostraram o caminho para uma sociedade mais justa, onde os bens comuns sejam o sentido do ato político e do convívio nas diferenças. Mesmo em situações difíceis, como esta, os povos nos ensinaram e transformaram o luto em luta por um projeto de país, de sociedade, em que a justiça e a paz se abracem.

O Cimi se compromete a continuar somando com todos os movimentos, organizações, entidades e pessoas de boa-fé para construir um país onde o autoritarismo não tenha espaço. E fazemos este chamado a toda a sociedade para não desistir, para continuar prezando pelos valores da solidariedade e da justiça, para continuar defendendo a democracia. Trabalharemos nas próximas semanas para que possamos nos re-encantar com a boa política, com a política do bem comum, da convivência e dos direitos, e com isso consigamos transformar os resultados de ontem e evitar que o autoritarismo e o militarismo voltem a cercear nossas vidas.

O Cimi continuará, para além de qualquer resultado eleitoral, defendendo de forma irrestrita os direitos dos povos indígenas, a democracia e o Bem Viver.
Avançaremos!

Brasília, 5 de outubro de 2026.

Conselho Indigenista Missionário – Cimi

ARTIGO: O valor de saber

Por David Walmsley, presidente do Fórum Mundial de Editores, editor-chefe do Globe and Mail; Mariya Gabriel, diretora-geral adjunta de Comunicação e Informação da UNESCO; e Liz Corbin, diretora de Notícias da União Europeia de Radiodifusão. 

Preparado para o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, assinalado em 28 de setembro.

ARTIGO: Os dividendos da integridade informacional: o valor de saber

Legenda: Autores do artigo “Os dividendos da integridade informacional: o valor de saber”, publicado em 28 de setembro de 2026.
Foto: © iwan-fra

Os dividendos da integridade informacional: o valor de saber

Não nos falta informação. Nunca tivemos tanta. No entanto, em todo o mundo, as pessoas lutam para responder às perguntas mais simples: o que realmente aconteceu? Quem decidiu o quê? É verdade?

Esse é o paradoxo da nossa era. As sociedades mais conectadas da história também estão entre as mais vulneráveis à confusão, à manipulação e à desconfiança. A informação circula mais rápido do que a responsabilidade. Os algoritmos recompensam a indignação em detrimento da precisão. A inteligência artificial gera falsidades plausíveis em larga escala. Em um ambiente como esse, o direito de saber não é apenas uma questão de transparência; é a essência da liberdade.

Sem uma compreensão precisa do que está acontecendo e do que está sendo feito em seu nome, a névoa do engano se adensa e os malfeitores podem enganar impunemente.

A sociedade é mais vulnerável quando o acesso à informação é negado. A Access Now e a coalizão #KeepItOn documentaram 313 interrupções da internet em 52 países em 2025, o maior número já registrado. As interrupções bloqueiam o jornalismo, silenciam comunidades e negam às pessoas informações potencialmente vitais.

As leis de acesso à informação são um pilar da integridade da informação, e o monitoramento mais recente da UNESCO mostra progresso. Sua pesquisa de 2025 mostrou que 141 países têm garantias legais para o acesso à informação. Mas adoção não é implementação, e muitos países ainda enfrentam lacunas práticas em supervisão, recursos, aplicação, manutenção de registros e gerenciamento de dados. Dos países pesquisados, 51 não conseguiram fornecer dados sobre gestão documental, apesar de relatarem ter sistemas ou procedimentos em vigor.

Os órgãos reguladores de acesso à informação e outros supervisores transformam as disposições legais em direitos exigíveis. No entanto, muitos deles são prejudicados por mandatos fracos, nomeações atrasadas, cortes orçamentários, interferência política, limites em seus poderes e ataques à sua independência. Para que o acesso à informação funcione, esses órgãos devem ser protegidos por lei, receber poderes e recursos adequados e estar protegidos de influências indevidas.

Os danos causados pela desinformação são reais. A UNESCO estima que casos individuais de desinformação podem acarretar custos econômicos e sociais de US$ 350 bilhões a US$ 510 bilhões anualmente
Legenda: A UNESCO estima que casos individuais de desinformação podem acarretar custos econômicos e sociais de US$ 350 bilhões a US$ 510 bilhões anualmente.

A lacuna foi ainda mais confirmada por um teste de leis de acesso à informação realizado em 2025, em conjunto pela UNESCO e pelo Centro para o Direito e a Democracia. Em 146 pedidos idênticos realizados em 76 países, 38% não receberam nenhuma resposta substancial, apenas 42% resultaram em divulgação completa e o tempo médio de resposta foi de 22 dias. Um exercício semelhante será repetido este ano para medir qualquer mudança.

O acesso à informação precisa evoluir, mas exemplos das deficiências estão por toda parte, mesmo em países com legislação bem-intencionada.

Em um vácuo de informação, o jornalismo corajoso e independente é indispensável. O jornalismo destila a informação para o entendimento público. Ele investiga, questiona, corrobora e contextualiza, mas também combate a desinformação. Ele faz perguntas que algumas partes preferem evitar. E dá aos cidadãos os meios para participar de forma significativa na vida pública.

Os danos causados pela desinformação são reais

A UNESCO estima que casos individuais de desinformação podem acarretar custos econômicos e sociais de US$ 350 bilhões a US$ 510 bilhões anualmente, por meio de respostas de saúde pública enfraquecidas, eleições distorcidas, atraso em ações climáticas, perdas financeiras, danos à reputação e erosão da confiança nas instituições. A desinformação, portanto, não é apenas um problema de comunicação. É um risco de governança, um passivo econômico e uma ameaça direta à capacidade das pessoas de tomar decisões informadas.

As emissoras de serviço público e as organizações de mídia independentes são um contrapeso fundamental para esse problema. Seu mandato não é buscar engajamento a qualquer custo, mas informar e servir a todos os públicos. No entanto, elas enfrentam as pressões simultâneas de públicos fragmentados, declínio da confiança, interferência política, restrições financeiras, dependência de plataformas e conteúdo falso, sintético e manipulado desenfreado. Sua luta para continuar produzindo jornalismo de qualidade não é uma preocupação setorial, mas, sim, democrática.

A resposta deve incluir investimentos renovados em jornalismo de interesse público, independência editorial, checagem de fatos, verificação de fontes abertas, Alfabetização Midiática e Informacional (AMI) e colaboração transfronteiriça. Assim como as notícias falsas se espalham globalmente, os fornecedores de jornalismo confiável devem cooperar transnacionalmente. O ecossistema da informação seria mais pobre e muito mais frágil sem a mídia de interesse público – mas ela não pode defendê-lo sozinha.

No Dia Mundial das Notícias e no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, o desafio é prático e apelamos a todos os atores no espaço da informação para que façam melhor:

  • Os governos devem aplicar as leis de acesso à informação e proteger a supervisão independente.
  • As plataformas e as empresas de tecnologia devem assumir total responsabilidade pelos espaços de informação que criam, em total consonância com o direito internacional dos direitos humanos.
  • E as organizações de comunicação social, de todos os tipos, devem sempre optar pelo rigor em vez do alcance.

A informação confiável e de livre acesso é um benefício compartilhado. Mas depende de autoridades que protejam o acesso à informação, de jornalistas que procurem a verdade acima de tudo e do direito dos cidadãos aos fatos. O dividendo da integridade é real, mas só é alcançado quando todas e todos nós fazemos a nossa parte.

Para saber mais, siga @unescobrasil nas redes e acesse a página da campanha #InformaçãoDeVerdade, da ONU Brasil. 



ONU abre inscrições para concurso de cartazes para o Dia Mundial da Alimentação 2026

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) convida crianças e jovens de 5 a 19 anos de todo o mundo para participar da competição global de cartazes para o Dia Mundial da Alimentação, assinalado em 16 de outubro.

Envie uma ilustração que mostre o que o tema “Inovar hoje para nutrir o amanhã” significa para você e como a inovação pode ajudar a alimentar o mundo, proteger o planeta e construir um futuro melhor para todas as pessoas. 

A submissão dos cartazes deverá ser feita até 6 de novembro de 2026 através do formulário on-line disponível na página global da FAO.

Cartaz da brasileira Emilly Kamily Hardt, 15 anos, de Quedas do Iguaçu (PR). A jovem foi uma das vencedoras da edição de 2025 do Concurso Mundial de Cartazes para o Dia Mundial da Alimentação, e a única da América Latina e Caribe entre os 12 ganhadores. Sobre sua obra, Emilly destaca: “Meu desenho relata a união entre o mundo, a agricultura e a alimentação, para lembrar a importância da terra e do cultivo em nossas vidas”. Foto: © Emilly Kamily Hardt.

Legenda: Cartaz da brasileira Emilly Kamily Hardt, 15 anos, de Quedas do Iguaçu (PR). A jovem foi uma das vencedoras da edição de 2025 do Concurso Mundial de Cartazes para o Dia Mundial da Alimentação, e a única da América Latina e Caribe entre os 12 ganhadores. Sobre sua obra, Emilly destaca: “Meu desenho relata a união entre o mundo, a agricultura e a alimentação, para lembrar a importância da terra e do cultivo em nossas vidas”.
Foto: © Emilly Kamily Hardt.

O Dia Mundial da Alimentação 2026 convoca todas as pessoas a refletirem sobre como a inovação está transformando a forma como os alimentos são produzidos, armazenados, transportados e comercializados.

Inspirado no tema deste ano, o concurso de cartazes para o Dia Mundial da Alimentação convida crianças e jovens, de 5 a 19 anos, a enviarem ilustrações para inspirar ações para um futuro melhor.

Os designs vencedores de cartazes serão anunciados na página do Dia Mundial da Alimentação e serão promovidos nas redes sociais da FAO e pelos escritórios da FAO em todo o mundo. As crianças e adolescentes vencedores também receberão um Certificado de Reconhecimento e um pacote de presentes surpresa.

Os cartazes podem ser desenhados, pintados ou esboçados com canetas, lápis, giz de cera ou carvão, ou com tinta a óleo, acrílica ou aquarela, bem como técnicas mistas. Também são permitidas obras de arte criadas digitalmente. Fotografias não são permitidas. Ferramentas de IA generativa são proibidas para a criação da arte em si, embora possam ser usadas para ideação ou edição, desde que isso seja declarado.

Como participar?

Para saber mais, siga @FAOBrasil nas redes e visite a página do Dia Mundial da Alimentação 2026.

Seja criativo(a). Seja ousado(a). Mostre-nos a sua visão do amanhã!   Para participar, você deve ter entre 5 e 19 anos. O prazo final para inscrições é 6 de novembro de 2026.

Legenda: Seja criativo(a). Seja ousado(a). Mostre-nos a sua visão do amanhã!

Para participar, você deve ter entre 5 e 19 anos. O prazo final para inscrições é 6 de novembro de 2026.

Foto: © FAO.


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Revista Ecologia e Nutrição Florestal - ENFLO publicou noiva edição - Setembro/2026

A Revista Ecologia e Nutrição Florestal - ENFLO teve uma nova edição publicada: 

Link: https://periodicos.ufsm.br/enflo/issue/current

Ecologia e Nutrição Florestal - ENFLO


Pedal da Primavera reúne aventura, natureza e ciclismo no Refúgio Bela Vista

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Os amantes do ciclismo já podem se preparar para uma experiência especial em meio à natureza. Está chegando o Pedal da Primavera no Refúgio Bela Vista, um evento que une esporte, aventura e contato com o meio ambiente.

As inscrições são gratuitas e estarão abertas de 10 a 30 de setembro de 2026, ou enquanto houver vagas disponíveis.

Os participantes poderão escolher entre dois percursos:

  • 9 km – opção para quem busca um percurso mais leve;
  • 25 km – para quem deseja um desafio maior.

Além de aproveitar as paisagens e o ar puro do Refúgio Bela Vista, os 800 primeiros inscritos que concluírem o percurso receberão uma camiseta do evento.

Inscrições

As vagas são limitadas, por isso é importante realizar a inscrição dentro do período estabelecido e garantir a participação.

Confira o folder oficial do evento para consultar as informações completas e realizar sua inscrição.

Informações e contato

Para dúvidas e outras informações:

Janini
📞 +55 45 99950-1240
📧 eventosgfsports@gmail.com

Prepare sua bike, convide os amigos e venha participar do Pedal da Primavera no Refúgio Bela Vista!

Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral

Alerta vem de levantamento feito pela ONU com mais de 1.300 pessoas tomadoras de decisão de 155 países, em todas as regiões do mundo.

Conflitos e guerras, tecnologias de fronteira, riscos econômicos, mudança climática e outros riscos ambientais e ameaças sociais compõem o novo mapa de vulnerabilidades globais. 

O Relatório sobre Riscos Globais 2026 foi apresentado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, às vésperas do Semana de Alto Nível da 81ª sessão da Assembleia Geral.

Relatório sobre Riscos Globais 2026
Legenda: Conflitos e guerras passaram ao centro das preocupações globais, enquanto os avanços tecnológicos e os riscos econômicos ganharam importância, aponta o Relatório sobre Riscos Globais 2026.
Foto: © ONU/Mark Garten.

O cenário de riscos globais mudou significativamente nos últimos dois anos. Conflitos e guerras passaram ao centro das preocupações, enquanto os avanços tecnológicos e os riscos econômicos ganharam importância. Ao mesmo tempo, a percepção sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder a esses desafios diminuiu em diversas áreas.

Os dados fazem parte de um novo relatório das Nações Unidas, baseado em uma pesquisa com cerca de 1,3 mil representantes de governos, empresas, sociedade civil e sistema ONU, de todas as regiões do mundo.

Os participantes avaliaram 28 riscos globais, agrupados em cinco categorias — política, tecnologia, economia, meio ambiente e sociedade — considerando sua probabilidade, gravidade, velocidade de materialização e o grau de preparação do sistema multilateral para responder a eles.

A comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2024, mostra uma mudança no mapa de riscos. Naquele ano, as maiores preocupações estavam relacionadas ao meio ambiente, à desinformação e às pandemias. Em 2026, os riscos geopolíticos ganharam destaque.

O relatório define como vulnerabilidade global a existência de uma grande diferença entre a importância atribuída a um risco e a capacidade percebida das instituições multilaterais de responder a ele.

Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral, aponta relatório das Nações Unidas.

Legenda: Novos riscos globais avançam mais rápido do que a capacidade de resposta multilateral, aponta relatório das Nações Unidas.
Foto: © ONU.

Riscos políticos são a principal vulnerabilidade

Os riscos políticos registraram a mudança mais expressiva desde 2024. Todos foram considerados mais importantes do que há dois anos, enquanto a percepção sobre a preparação das instituições multilaterais caiu em quase todos os casos.

O risco de guerra em larga escala se destaca especialmente. Ele está entre os riscos mais interconectados, aumentou em importância e apresentou a maior queda na percepção sobre a capacidade de resposta multilateral.

Inteligência artificial e outras tecnologias ampliam vulnerabilidades

A percepção sobre a preparação multilateral para riscos tecnológicos permaneceu baixa, em níveis semelhantes aos observados em 2024.

Por outro lado, aumentou de forma significativa a importância atribuída aos riscos relacionados à inteligência artificial e às tecnologias de fronteira, assim como à concentração de poder impulsionada pela tecnologia.

As preocupações com possíveis rupturas de sistemas de cibersegurança também permanecem. Segundo a pesquisa, a compreensão desses riscos ainda é limitada, enquanto as tecnologias avançam rapidamente.

A combinação entre maior importância percebida e baixa preparação coloca os riscos tecnológicos entre as principais vulnerabilidades globais.

Riscos econômicos ganham espaço

As preocupações com os riscos econômicos também aumentaram. Quatro dos cinco riscos avaliados nessa categoria foram considerados mais importantes do que em 2024.

A possibilidade de uma crise financeira global aparece como destaque, especialmente devido à preocupação com seus efeitos sistêmicos e com a capacidade do sistema multilateral de coordenar uma resposta internacional.

Meio ambiente: menos preocupação relativa, mas lacunas permanecem

Os riscos ambientais foram considerados, em geral, um pouco menos importantes do que em 2024. A percepção sobre a preparação multilateral, porém, continua desigual.

A perda de biodiversidade e a poluição em larga escala deixaram de aparecer entre as áreas de maior vulnerabilidade. A mudança ocorreu principalmente porque esses riscos passaram a ser considerados menos importantes, e não porque a preparação para enfrentá-los tenha melhorado.

A vulnerabilidade continua elevada diante dos riscos relacionados a desastres naturais, devido, em parte, à percepção de baixa capacidade para reduzi-los. A inação diante da mudança do clima continua sendo considerada o risco global de maior importância.

Riscos sociais apresentam menor vulnerabilidade

Seis anos após o início da pandemia de COVID-19, diminuiu a preocupação com novas pandemias e riscos biológicos em comparação com 2024.

Também perderam importância relativa os riscos relacionados a movimentos em massa de pessoas e à proliferação de atores não estatais.

Ao mesmo tempo, as pessoas participantes consideraram o sistema multilateral mais preparado para responder a esses riscos do que há dois anos.

Um mapa de riscos em transformação

A comparação entre as pesquisas de 2024 e 2026 mostra que o cenário global não está apenas mudando, mas que os diferentes riscos estão evoluindo em ritmos distintos.

Os resultados apontam para uma maior preocupação com conflitos, tecnologias de fronteira e instabilidade econômica, ao mesmo tempo em que algumas ameaças ambientais e sociais perderam importância relativa.

Para as Nações Unidas, compreender essas mudanças é fundamental para fortalecer a capacidade de prevenção e resposta internacional. Ao oferecer aos Estados-membros e formuladores de políticas uma visão compartilhada e baseada em evidências sobre os riscos globais e a capacidade de resposta do sistema multilateral, o relatório busca contribuir para que ações sejam tomadas antes que os riscos atuais se transformem em crises.

Para saber mais, acesse o relatório completo e visite a página especial da ONU Brasil para a 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. 



Congresso da ONU em Abu Dhabi reúne líderes para reforçar combate ao crime transnacional

O 15º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal será aberto neste sábado (26) em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, pela diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Monica Juma. 

O principal encontro mundial dedicado à prevenção do crime e à justiça criminal busca fortalecer a cooperação internacional para enfrentar novas formas de ameaças. Este ano, o evento terá como foco os impactos da tecnologia sobre a criminalidade global e as respostas das instituições de segurança e justiça diante de ameaças cada vez mais complexas, como crimes cibernéticos e golpes online.

Em entrevista à ONU News, a líder do UNODC alerta que o uso de tecnologias digitais por organizações criminosas “está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo.”

Monica Juma, diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, em reunião do Conselho de Segurança sobre a questão relativa ao Haiti.
Legenda: A diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Monica Juma, faz um pronunciamento ao Conselho de Segurança sobre a situação no Haiti.
Foto: © ONU/Manuel Elías.

O 15º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, principal encontro mundial dedicado à prevenção do crime e à justiça criminal, será realizado em Abu Dhabi, de 26 de setembro a 1º de outubro. O evento, que acontece a cada cinco anos, discutirá novas formas de ameaças e a atuação de redes criminosas transnacionais.

A diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Monica Juma, alerta que o uso das novas tecnologias digitais pelo crime “está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo”. Em entrevista à ONU News, Juma também ressaltou a importância do Congresso das Nações Unidas para a promoção da justiça criminal.

Crimes cibernéticos, tráfico e golpes online estarão entre os temas do evento global, que buscará fortalecer a cooperação internacional para aprimorar respostas rápidas, inteligentes e coordenadas diante de ameaças que se expandem com o uso da tecnologia. 

Escritório das Nações Unidas em Viena, na Áustria, sede global do UNODC.
Legenda: Escritório das Nações Unidas em Viena, na Áustria, sede global do UNODC.
Foto: © ONU/Mark Garten.

Confira a entrevista da chefe do UNODC à ONU News: 

ONU News: O Congresso da ONU sobre Crime, realizado a cada cinco anos, oferece uma plataforma para que o mundo se reúna para fazer a seguinte pergunta: como o crime mudou?

Monica Juma: O fator determinante hoje é, obviamente, a tecnologia. Há cinco anos, a tecnologia evoluía de maneira muito diferente. Agora, ela está possibilitando uma infinidade de crimes em diversos setores. O que estamos vendo é uma convergência de tipos de crimes que está criando um ecossistema de lucros ilícitos com um alcance muito amplo em todo o mundo. Com a tecnologia, milhões de pessoas podem se tornar alvos em uma fração de segundo. Não há necessidade de intermediários nem de cruzar fronteiras.

ONU News: Como o Congresso sobre Crime pode ajudar a garantir que os sistemas de justiça e de aplicação da lei nos países em desenvolvimento não fiquem para trás em meio a uma crescente exclusão digital global?

Monica Juma: A tecnologia, na verdade, não está deixando ninguém para trás. Países considerados muito avançados em termos de tecnologia são tão vulneráveis quanto os mais fracos. Os criminosos organizados não têm inibições em relação às fronteiras. Os traficantes não dependem mais apenas de pessoas que transportam outras pessoas através das fronteiras em barcos. Agora, eles também estão usando tecnologia e desinformação para criar empregos falsos e, às vezes, acabam se infiltrando em cadeias de suprimentos de negócios legítimos, incluindo serviços bancários.

É exatamente por isso que o Congresso das Nações Unidas sobre Crime é tão importante. Esse é o valor da ONU. Temos a capacidade de reunir todos à mesa, e é isso que veremos em Abu Dhabi. Haverá representantes de todas as partes do mundo.

No UNODC, estamos criando cada vez mais plataformas para a interação entre fronteiras e setores, por exemplo: investigadores, promotores, agentes de segurança pública, autoridades judiciais e até mesmo jornalistas investigativos. 

O objetivo é criar uma convergência de competências que possa ser rapidamente utilizada para transmitir informações, provas ou suspeitas a alguém que possa agir com base nelas quase imediatamente.

Estamos incentivando os países a cooperarem mais, inclusive nas áreas de compartilhamento de inteligência e análise forense, entre outras, mas a capacidade de concretizar essa cooperação ainda não foi totalmente viabilizada, até o momento, por parte dos Estados-membros. Para isso, são necessárias políticas, trocas de experiências e mecanismos adequados.

ONU News: Por que a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético é tão importante?

Monica Juma: A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético foi adotada por unanimidade pela Assembleia Geral em 2024, e já contamos com mais de 80 signatários. A Convenção oferece um conjunto completo de ferramentas que facilita a cooperação entre os países e estabelece padrões semelhantes que permitirão respostas mais rápidas e ágeis a ameaças comuns.

Estamos convocando e incentivando os países a ratificá-la para que ela possa entrar em vigor, pois, até que isso aconteça, sua plena utilização será limitada.

A ratificação é um processo legislativo interno, mas muitos países com os quais conversei pessoalmente indicaram que esse processo está em andamento. Esperamos que ela possa entrar em vigor em breve.

Na cerimônia de assinatura em Hanói, em 25 de outubro de 2025, o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético como um instrumento poderoso e juridicamente vinculante para fortalecer as defesas coletivas contra o crime cibernético.
Legenda: Na cerimônia de assinatura em Hanói, em 25 de outubro de 2025, o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético como um instrumento poderoso e juridicamente vinculante para fortalecer as defesas coletivas contra o crime cibernético. 
Foto: © UNODC.

ONU News: Centenas de milhares de vítimas de tráfico são forçadas a cometer crimes cibernéticos em centros de golpes em grande escala e em constante expansão. Como o Congresso sobre Crime pode lidar com essa situação?

Monica Juma: Em primeiro lugar, esses centros de golpes representam realmente uma crise global. Nosso último relatório sobre centros de golpes no Sudeste Asiático indicou que as vítimas eram de mais de 80 nacionalidades de todo o mundo. Trata-se de uma situação global que está se expandindo exponencialmente. Esses centros de golpes são uma verdadeira pandemia, se pensarmos bem.

Muitas vezes, eles se apresentam como oportunidades genuínas para jovens curiosos — que querem trabalhar e conhecer o mundo. É muito importante que eles sejam vistos como vítimas, e não como culpados, e que identifiquemos os verdadeiros autores do crime. São as pessoas que os estão enganando, recrutando e induzindo ao erro.

Também é importante proteger os direitos das vítimas e apoiá-las por meio de reabilitação e tratamento. Algumas delas passaram por experiências muito traumáticas, incluindo tortura e abuso, e essas experiências permanecerão com elas por muito tempo. De nossa parte, o UNODC vem apoiando o fortalecimento das capacidades dos sistemas de justiça criminal para lidar de forma eficaz com vítimas e grupos vulneráveis.

ONU News: O que pode ser feito para garantir que o Congresso sobre Crime apresente soluções reais em um momento de crescente polarização geopolítica e tensões globais?

Monica Juma: É verdade que o mundo está em uma situação muito preocupante, mas também é verdade que a ameaça do crime é algo que as pessoas sentem todos os dias em todo o mundo.

É impossível alcançar qualquer nível de produtividade ou sustentabilidade se houver insegurança no âmbito pessoal, local ou comunitário – e é exatamente isso que as drogas e o crime estão causando. Isso afeta as pessoas em todos os níveis, e essa realidade facilita a cooperação e a busca por soluções.

Assim, temos uma situação em que há uma convergência, tanto no nível da ameaça quanto no desejo de buscar soluções. Ao chegarmos a Abu Dhabi, não há debate sobre se isso é importante ou não.

Esperamos poder fortalecer as soluções apresentadas em Kyoto (sede do Congresso das Nações Unidas sobre o Crime de 2021) para agora analisar as ameaças atuais que estão sendo aceleradas por novas variáveis intervenientes, como a tecnologia.

Contamos com o papel da tecnologia para nos ajudar a responder de maneira ágil e mais eficaz, para que possamos restaurar ambientes mais seguros, proteger as comunidades e, assim, alcançar maior prosperidade para o mundo.

Para saber mais, siga @unodcprt nas redes e visite a página do 15º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal.