quinta-feira, 29 de outubro de 2026

UNAIDS: Junta de Coordenação rejeita encerramento do Programa

Reunida em Genebra nesta segunda (26), a Junta de Coordenação do UNAIDS rejeitou o encerramento do Programa e aprovou diretrizes para sua transformação, mantendo o mandato da ONU sobre HIV e o papel central das comunidades na resposta à AIDS. 

A Junta também aprovou o plano de trabalho e o orçamento para 2027 e determinou a criação de uma equipe de transição para implementar as mudanças previstas pela Iniciativa ONU80, preservando a atuação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS nos países. 

Em 26 de outubro de 2026, a Junta de Coordenação do Programa do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) rejeitou o encerramento do Programa, aprovou diretrizes para sua transformação e confirmou seu plano de trabalho e orçamento para 2027.

Legenda: Em 26 de outubro de 2026, a Junta de Coordenação do UNAIDS rejeitou o encerramento do Programa, aprovou diretrizes para sua transformação e confirmou seu plano de trabalho e orçamento para 2027.
Foto: © UNAIDS.

A Junta de Coordenação do Programa do UNAIDS (PCB) reafirmou seu forte apoio à continuidade de um Programa Conjunto do UNAIDS mais enxuto e eficiente.

Os membros do PCB foram unânimes ao defender que a transformação preserve a proteção de pessoas e comunidades que vivem com, são afetadas por, ou estão mais expostas ao HIV. Além disso, destacaram a importância de garantir que governos e comunidades mantenham e ampliem os avanços da resposta à AIDS.

Junta aprova diretrizes para transformar o UNAIDS

Em sua declaração, a diretora executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, destacou a importância da decisão: 

“Vocês rejeitaram o encerramento do UNAIDS e escolheram, em vez disso, transformar e fortalecer este Programa Conjunto único. Agradeço aos países que integram o Programa, aos organismos doadores, à sociedade civil e ativistas que se mantiveram firmes e se empenharam pelo futuro do UNAIDS. Salvar o UNAIDS é apenas o começo. Agora, precisamos transformá-lo e garantir que essa transformação seja bem-sucedida.”

Na sessão especial realizada em 26 de outubro, a Junta tomou conhecimento do relatório final do Grupo de Trabalho do PCB e aprovou as diretrizes estratégicas gerais para a transição do UNAIDS, conforme estabelecido no documento. Em seguida, solicitou ao presidente da Junta que encaminhe essas diretrizes e as decisões tomadas ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC).

As decisões apoiam as diretrizes estabelecidas pelas reformas da Iniciativa ONU80 do secretário-geral das Nações Unidas. Nesse contexto, uma ONU transformada deve avaliar seu sucesso não pelas estruturas que mantém ou extingue, mas pelo impacto que gera na vida das pessoas.

Ao se dirigir ao Conselho, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, afirmou: “A intenção do secretário-geral é preservar e fortalecer a resposta da ONU ao HIV diante das mudanças e ancorá-la de forma mais sólida nos países.”

Em 26 de outubro de 2026, a Junta de Coordenação do UNAIDS rejeitou o encerramento do Programa, aprovou diretrizes para sua transformação e confirmou seu plano de trabalho e orçamento para 2027.
Legenda: Em 26 de outubro de 2026, a Junta de Coordenação do UNAIDS rejeitou o encerramento do Programa, aprovou diretrizes para sua transformação e confirmou seu plano de trabalho e orçamento para 2027.
Foto: © UNAIDS.

Sete diretrizes para a transição do UNAIDS

O relatório apresenta as principais orientações estratégicas para a transformação do Programa Conjunto:

  1. Continuidade do mandato: o UNAIDS não será encerrado, e o mandato das Nações Unidas sobre HIV será mantido.
  2. Secretariado fortalecido: uma estrutura central, mais enxuta e focada, liderará quatro funções essenciais.
  3. Maior liderança dos copatrocinadores: as organizações copatrocinadoras assumirão maior protagonismo nas áreas técnicas, de acordo com a divisão de responsabilidades.
  4. Comunidades no centro das decisões: o novo modelo priorizará a cocriação e a coliderança em todos os níveis.
  5. Proteção de direitos: os direitos humanos e a igualdade de gênero serão preservados.
  6. Governança inclusiva: o mandato do ECOSOC e a governança inclusiva por meio do PCB serão mantidos.
  7. Transição gradual: o processo não será acelerado e levará em conta o contexto e o nível de preparação de cada país.

Além disso, a Junta solicitou à diretora executiva a criação de uma equipe de trabalho para a transição. O grupo reunirá representantes do Secretariado, das organizações copatrocinadoras e duas pessoas representantes das comunidades, indicadas pela delegação de organizações não governamentais (ONGs) do PCB.

A equipe trabalhará em estreita colaboração com os países que implementam o Programa e consultará as partes interessadas relevantes. Também deverá prestar contas à Junta e apresentar um plano de implementação com todos os custos detalhados.

Países reforçam apoio à presença do UNAIDS

Diante dos cortes de financiamento e da possibilidade de retirada de países, diversos governos que integram o Programa se mobilizaram para apoiar o UNAIDS. O embaixador da Argélia, Idris Latreche, anunciou uma contribuição voluntária antecipada de US$ 40 mil — cerca de R$ 220 mil — para o escritório do UNAIDS no país, destinada a 2027. Além disso, a Argélia disponibiliza gratuitamente as instalações do escritório e profissionais nacionais para apoiar suas operações.

Outros países também contribuíram, entre eles Benin, Brasil, Camboja, China, Costa do Marfim, Cazaquistão, Laos, Filipinas, África do Sul e Tailândia.

“Essas contribuições refletem o compromisso da Argélia com nossos esforços coletivos para manter uma presença eficaz do UNAIDS nos países, garantir a continuidade dos serviços e evitar interrupções que possam afetar as pessoas que dependem deles”, afirmou o embaixador Latreche.

Junta aprova orçamento para 2027

A Junta também aprovou o plano de trabalho e o orçamento do UNAIDS para 2027, que incluem a simplificação dos relatórios de desempenho.

Na ocasião, agradeceu aos governos que contribuíram para o orçamento de 2026 e pediu aos demais que liberem suas contribuições o mais rápido possível. Além disso, incentivou os governos a assumirem compromissos plurianuais e a disponibilizarem prontamente os recursos destinados a 2027.

Winnie Byanyima concluirá mandato em dezembro

Durante a reunião, Winnie Byanyima informou à Junta que concluirá seu mandato como diretora executiva do UNAIDS em 31 de dezembro de 2026. A partir de 1º de janeiro de 2027, o secretário-geral das Nações Unidas nomeará uma pessoa para exercer interinamente a função de diretora executiva, enquanto a Junta inicia o processo de seleção da próxima liderança do Programa.

Para saber mais, siga @unaidsbrasil nas redes sociais e visite a página do UNAIDS no Brasil: https://unaids.org.br/ 




CRT-04 é desmembrado e dá origem ao CRT-PR: veja o que muda para os profissionais técnicos

Mudança reorganiza o atendimento aos profissionais técnicos do Paraná e de Santa Catarina, com atualização do sistema SINCETI e criação de um Conselho Regional próprio para o Paraná.

O Conselho Regional dos Técnicos Industriais da 4ª Região (CRT-04) foi desmembrado, dando origem a uma nova estrutura de atendimento para os profissionais técnicos do Paraná e de Santa Catarina. Com a reorganização, o CRT-SC passa a atender os profissionais de Santa Catarina, enquanto o CRT-PR assume o atendimento dos profissionais registrados no Paraná.

A mudança busca adequar a estrutura regional à distribuição dos profissionais dos dois estados, estabelecendo unidades responsáveis pelo atendimento e pelos serviços relacionados ao exercício profissional.

CRT-SC e CRT-PR: entenda a nova estrutura

Com o desmembramento, a organização regional passa a funcionar da seguinte forma:

  • CRT-SC: dá continuidade à estrutura do CRT-04 e atende os profissionais técnicos de Santa Catarina.

  • CRT-PR: constitui o novo Conselho Regional responsável pelos profissionais técnicos do Paraná.

Essa reorganização é importante para que os profissionais identifiquem corretamente o Regional responsável por seus registros, solicitações e demais demandas administrativas.

Sistema SINCETI passará por atualização

Para implementar as alterações decorrentes do desmembramento, foi anunciada uma atualização do Sistema de Informação dos Conselhos dos Técnicos Industriais (SINCETI), abrangendo tanto o sistema corporativo quanto o ambiente de acesso dos profissionais.

Conforme o comunicado encaminhado aos profissionais, a atualização estava programada para a manhã de quinta-feira, 29 de outubro de 2026.

Durante a execução dos procedimentos, o sistema ficará temporariamente indisponível, afetando o acesso aos serviços digitais.

Horário de indisponibilidade

O comunicado informa que o SINCETI ficará indisponível das 10h às 12h.

Para evitar transtornos, a orientação é realizar emissões de documentos, consultas e solicitações antes das 10h ou aguardar a retomada do sistema, prevista para as 12h.

Caso ocorram dificuldades de acesso após esse horário, os profissionais deverão entrar em contato com o atendimento do respectivo Conselho Regional.

O que os profissionais devem fazer?

Diante da mudança, algumas medidas práticas podem ajudar a evitar dificuldades no acesso aos serviços profissionais:

1. Identificar o Conselho Regional responsável

Os profissionais registrados no Paraná devem procurar o CRT-PR. Já os profissionais de Santa Catarina devem utilizar os canais de atendimento do CRT-SC.

2. Antecipar solicitações importantes

Quem precisar emitir documentos, realizar consultas ou encaminhar solicitações pelo SINCETI deve, sempre que possível, antecipar esses procedimentos em relação ao período de indisponibilidade anunciado.

3. Verificar o acesso após a atualização

Após a retomada do sistema, é recomendável conferir o acesso ao ambiente profissional e verificar se as funcionalidades necessárias estão disponíveis.

4. Procurar o atendimento regional em caso de problemas

Se houver dificuldades relacionadas ao acesso, aos registros ou às solicitações após a implementação das mudanças, o profissional deverá procurar o Conselho Regional correspondente ao seu estado.

Canais de atendimento dos Conselhos Regionais

Confira os contatos divulgados para atendimento aos profissionais.

Conselho Regional dos Técnicos Industriais de Santa Catarina — CRT-SC

Endereço: Rua Campolino Alves, nº 84, Capoeiras, Florianópolis/SC — CEP 88085-110.

Telefone: (48) 3030-8397, 8271 ou 8378.

WhatsApp: (48) 98857-6916.

E-mail: atendimento@crtsc.org.br.

Horário de atendimento: das 8h às 17h.

Conselho Regional dos Técnicos Industriais do Paraná — CRT-PR

Endereço: Rua Doutor Faivre, nº 888, Centro, Curitiba/PR — CEP 80060-140.

Telefone: (41) 4106-7737, 4141-6582 ou 4103-6676.

WhatsApp: (41) 98778-7352.

E-mail: atendimentopr@crt04.org.br.

Horário de atendimento: das 9h às 16h.

Os contatos e horários acima foram reproduzidos do comunicado fornecido e podem estar sujeitos a alterações.

O que muda na prática?

A principal mudança é a definição de estruturas regionais distintas para os profissionais técnicos do Paraná e de Santa Catarina.

Para os profissionais paranaenses, a criação do CRT-PR representa a implantação de um Regional próprio para o atendimento das demandas profissionais no estado. Para os catarinenses, o CRT-SC dá continuidade à estrutura regional anteriormente compartilhada.

A atualização do SINCETI é uma etapa operacional necessária para refletir essa nova organização nos sistemas de atendimento.

Conclusão

O desmembramento do CRT-04 estabelece uma nova organização para o atendimento aos técnicos industriais do Paraná e de Santa Catarina. A partir dessa reorganização, os profissionais devem observar qual Regional é responsável por seu estado e utilizar os canais de atendimento correspondentes.

A recomendação é manter os dados de acesso ao SINCETI atualizados, antecipar solicitações durante períodos de manutenção e acompanhar os comunicados oficiais dos Conselhos Regionais para obter informações sobre eventuais ajustes nos serviços.

Atenção: antes de compartilhar informações sobre a implementação, consulte os canais oficiais do CRT-PR e do CRT-SC para confirmar a situação atual do sistema e eventuais mudanças nos procedimentos de atendimento.


quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Nome Científico do Margaridão/Girassol Mexicano

Margaridão/Girassol Mexicano (Tithonia diversifolia)

ONU alerta: emissões precisam cair 18% até 2030 para evitar o agravamento da crise climática

Cenário de ultrapassagem mínima possível da meta de 1,5°C do Acordo de Paris limita o pico do aquecimento global em meados do século a cerca de 1,7°C a 1,8°C.

Para viabilizar esse cenário, são necessários cortes de 18% nas emissões até 2030 e de 45% até 2035, bem como a ampliação contínua da remoção de CO₂ ao longo do século.

Avanços em energias renováveis e políticas climáticas já proporcionaram reduções reais de emissões em diversos países e setores, mas será necessária uma expansão massiva em escala global para colocar o mundo na trajetória adequada.

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2026: O Ponto de Retorno, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em 21 de outubro de 2026, alerta que as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) precisam ser reduzidas em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040 para limitar o pico do aquecimento global a cerca de 1,7°C a 1,8°C.
Legenda: O Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2026: O Ponto de Retorno, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em 21 de outubro de 2026, alerta que as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) precisam ser reduzidas em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040 para limitar o pico do aquecimento global a cerca de 1,7°C a 1,8°C.
Foto: © PNUMA.

Com o aumento da temperatura global previsto para ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, são necessárias reduções urgentes e ambiciosas das emissões de gases de efeito estufa para minimizar a intensidade e a duração dessa ultrapassagem e fazer com que a temperatura global retorne a 1,5 °C até o fim do século, conclui um novo relatório do PNUMA lançado nesta quarta (21). 

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2026: O Ponto de Retorno analisa um cenário de ultrapassagem do limite de 1,5 °C mais baixa possível, no qual o pico de aquecimento por volta de meados do século é limitado a 1,7–1,8 °C e o aumento da temperatura global retorna a 1,5 °C ou menos até 2100, com cerca de 50% de probabilidade.

Para seguir essa trajetória, as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) teriam de ser reduzidas em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, todos os percentuais em relação aos níveis de 2025. Em contraste, a implementação integral das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) reduziria as emissões em apenas 5% a 8% até 2030 e 11% a 15% até 2035, em comparação com os níveis de 2025.

“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos limitar ao máximo o aumento da temperatura, reduzir o tempo em que ela permanecerá acima de 1,5 °C e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo desse patamar até o fim do século”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem sobre o relatório. 

“O novo Relatório sobre a Lacuna de Emissões do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostra o que será necessário para isso: reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em 18% até 2030 e em 45% até 2035, em comparação com os níveis de 2025.”

No entanto, o relatório conclui que há mais oportunidades do que nunca para acelerar a ação climática. Desde a adoção do Acordo de Paris, a geração de energia renovável cresceu rapidamente, o aumento da oferta total de energia proveniente do carvão e do petróleo foi menor do que o projetado e políticas climáticas reduziram as emissões em muitas regiões do mundo.

“Cada fração de grau e cada ano adicional de aquecimento acima de 1,5 °C aumentam os impactos e riscos climáticos, como as enchentes, ondas de calor e incêndios florestais letais que afetaram muitos países neste ano”, disse Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA. 

Casas destruídas na ilha da Picada após chuvas e novos alagamentos. Porto Alegre (RS)
Legenda: Casas destruídas pelas inundações de 2024 no Rio Grande do Sul. Ilha da Picada, Porto Alegre. 19/06/2024.
Foto: © Bruno Peres_Agência Brasil

“Por isso, precisamos mobilizar todos os esforços para minimizar o pico de aquecimento e fazer com que a temperatura global retorne a 1,5°C até o fim do século. Isso é possível."

“Temos inúmeros casos de sucesso que mostram que as emissões podem ser reduzidas rapidamente. Agora, cabe às nações implementar com urgência políticas capazes de promover reduções rápidas, profundas e contínuas das emissões, colocando o mundo no caminho certo para um clima mais estável e economias e sociedades mais estáveis.”

Projeções de temperatura seguem altas demais

O relatório conclui que, se as políticas atuais forem mantidas, o aquecimento global poderá atingir 2,8°C neste século e continuar aumentando posteriormente. Caso todas as NDCs sejam implementadas e esforços semelhantes sejam mantidos, o aquecimento seria limitado a 2,6 °C. Esses resultados são mais desfavoráveis do que as projeções apresentadas no ano passado devido à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à revisão das estimativas de emissões históricas. As novas NDCs apresentadas desde a publicação do relatório anterior tiveram impacto negligenciável nessas projeções.

Mesmo no cenário mais otimista, em que todas as NDCs e as metas adicionais de neutralidade de emissões líquidas sejam alcançadas, o aquecimento global ainda seria limitado a apenas 2,1°C neste século. Sem ações urgentes, manter o pico de aquecimento abaixo de 1,7°C a 1,8°C logo se tornará impossível. A cada cinco anos de emissões de CO₂ nos níveis atuais, o pico do aquecimento aumenta em cerca de 0,1°C.

Além disso, o cenário de menor ultrapassagem possível da meta de 1,5°C exige a remoção e o armazenamento permanente de aproximadamente 320 gigatoneladas de CO₂ da atmosfera ao longo deste século, o equivalente a cerca de oito anos das emissões globais de CO₂ registradas em 2024. No entanto, desafios socioeconômicos e tecnológicos tornam incertas as chances de alcançar esse objetivo.

A queima de combustíveis fósseis gera emissões de gases de efeito estufa que agem como um grande cobertor em torno da Terra, retendo o calor do sol e aumentando as temperaturas.
Legenda: A queima de combustíveis fósseis gera emissões de gases de efeito estufa que agem como um grande cobertor em torno da Terra, retendo o calor do sol e aumentando as temperaturas.

Iniciativas climáticas bem-sucedidas precisam ser ampliadas

Retornar a 1,5°C ou menos ainda é possível, especialmente porque há evidências crescentes de que políticas climáticas adotadas em diferentes partes do mundo podem, e de fato têm conseguido, reduzir as emissões. O relatório relaciona a implementação ou o fortalecimento de políticas voltadas ao clima a dezenas de mudanças estruturais em países desenvolvidos e em desenvolvimento, resultando em reduções significativas das emissões.

Mais de 220 avaliações de políticas públicas oferecem evidências adicionais sobre quais medidas são eficazes. As políticas avaliadas no setor de eletricidade reduziram as emissões em uma média de 9%, enquanto instrumentos econômicos, incluindo sistemas de comércio de emissões e impostos sobre carbono, alcançaram reduções de 5% a 13% em diferentes setores durante os períodos analisados. Ainda assim, esses sucessos permanecem concentrados em setores, países e períodos específicos. Colocar o mundo na trajetória de menor ultrapassagem possível da meta de 1,5°C exige replicar, ampliar e sustentar esses resultados positivos.

Acelerar a implementação das metas do Balanço Global

Na primeira edição do Balanço Global (GST, na sigla em inglês), os países concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar a taxa anual de melhoria da eficiência energética até 2030, além de promover a transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, reduzir as emissões não relacionadas ao CO₂, interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal, entre outras medidas.

No entanto, as taxas recentes de variação em todos os indicadores que acompanham as emissões absolutas de GEE apontam na direção errada. Isso inclui as emissões de CO₂ dos sistemas energéticos, as emissões do transporte rodoviário e as emissões não relacionadas ao CO₂, especialmente as emissões de metano. Embora os cenários baseados nas políticas atuais projetem que algumas dessas emissões se estabilizem até 2030, nenhum deles aponta para reduções na velocidade e na escala necessárias para minimizar a magnitude e a duração da ultrapassagem da meta de 1,5°C.

A segunda edição do GST pode avançar a partir dos compromissos assumidos na primeira ao reafirmar as áreas prioritárias de ação para mitigação, ampliar as metas quantitativas para 2035 e 2040 e tornar as ações já previstas mais concretas, por meio de objetivos mais claros e, sempre que possível, quantificados. O relatório apresenta uma avaliação preliminar dessas possíveis extensões para 2035 e 2040, alinhadas ao cenário de menor ultrapassagem possível da meta de 1,5°C.

Para alcançar a meta de triplicar a capacidade global de energia renovável e dobrar a taxa anual de melhoria da eficiência energética, uma extensão desse objetivo até 2035 implicaria, no mínimo, triplicar a capacidade de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis e reduzir a intensidade energética primária do PIB em pelo menos 30% em relação aos níveis de 2025. Para 2040, essas estimativas aumentariam para, no mínimo, 4,5 vezes e pelo menos 40%, respectivamente.

A boa notícia é que, desde a adoção do Acordo de Paris, a capacidade global de geração de eletricidade renovável cresceu em um ritmo três vezes superior ao previsto, enquanto a expansão da energia solar fotovoltaica aumentou sete vezes mais do que o antecipado. 

A continuidade dessas tendências, apoiada por políticas adicionais, colocaria o mundo na trajetória necessária para triplicar a capacidade de energia renovável até 2030 e elevar a participação da energia eólica e solar na geração de eletricidade a níveis compatíveis com o cenário de menor ultrapassagem possível da meta de 1,5°C.

Ampliar a meta relacionada à transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos exigiria, globalmente, uma redução da participação de carvão, petróleo e gás na oferta total de energia em, no mínimo, 55%, 15% e 5%, respectivamente, até 2035, em comparação com 2025. Para 2040, seriam necessárias reduções de pelo menos 75%, 30% e 35%, respectivamente.

Ao mesmo tempo, a geração de eletricidade a partir do carvão teria de cair pelo menos 75% até 2035, em relação aos níveis de 2025, e ser praticamente eliminada em escala global até 2040. As emissões de metano precisariam ser ao menos 25% inferiores aos níveis de 2025 até 2035 e ao menos 40% inferiores até 2040.

Para saber mais, acesse o relatório na página global do PNUMA e siga @unep_pt nas redes sociais! 

O que eu posso fazer? 

A mudança climática não é uma ameaça distante. É uma realidade que impacta nosso presente e o futuro da humanidade na Terra, nosso lar compartilhado. 

Todas as pessoas podem apoiar a #AçãoClimática e ajudar a minimizar os impactos da mudança global do clima em nossas comunidades, cidades e na natureza.  

Confira algumas dicas das Nações Unidas: 

📢 Pressione as autoridades a adotarem políticas e práticas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e investirem nas capacidades de adaptação de nossas cidades aos efeitos da mudança do clima. 

♻️  Faça escolhas sustentáveis no seu dia a dia e coloque em prática os cinco pilares do conceito do #ResíduoZero: repense, recuse, reduza, reutilize, recicle.  

🌳 Procure obter mais informações sobre as cadeias de produção, e dê preferência a produtos e empresas que adotam práticas sustentáveis, incluindo a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade. 

🗣️ Informe-se e compartilhe conhecimento com pessoas próximas e familiares. Conscientização é o primeiro passo para a mudança! 

💚 Apoie e participe de iniciativas e organizações que atuam para a restauração de ecossistemas degradados pela ação humana. 

📌 Confira mais informações na página especial da ONU Brasil sobre educação ambiental. 

NOTA AOS EDITORES

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal voz global em questões ambientais. A organização exerce liderança e promove parcerias em prol da proteção do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando países e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer o bem-estar das futuras gerações.


terça-feira, 27 de outubro de 2026

ONU parabeniza o Brasil por eleições participativas e pacíficas

Nota do Sistema das Nações Unidas no Brasil sobre as eleições presidenciais no Brasil

Bandeiras hasteadas a meio mastro na Casa da ONU Brasil, em 13 de novembro de 2023.
Legenda: Bandeiras hasteadas na Casa da ONU Brasil, em Brasília (DF), em 13 de novembro de 2023.
Foto: © ONU/Isadora Ferreira.

O Sistema das Nações Unidas (ONU) no Brasil parabeniza o povo brasileiro pela realização de eleições gerais participativas e pacíficas, que resultaram na escolha de representantes dos poderes executivo e legislativo, em âmbito federal e estadual.

A ONU Brasil cumprimenta as autoridades eleitas e as brasileiras e os brasileiros por seu engajamento cívico e compromisso com o processo democrático, além de reiterar o apoio ao Brasil em seus esforços para promover o desenvolvimento justo, inclusivo e sustentável.

Para saber mais, siga @onubrasil nas redes sociais e acompanhe a cobertura da ONU News. 



Acreditamos na luta coletiva, diz Greenpeace


As milhões de pessoas que recentemente ocuparam as ruas do Brasil em defesa da democracia também deram seu recado nas urnas.

 

O poder popular venceu as fake news e a manipulação das redes sociais em nome de um Brasil mais digno, soberano e justo.

 

Em uma sociedade democrática e com participação social, acreditamos que, com diálogo e construção conjunta, poderemos avançar rumo ao desmatamento zero na Amazônia e à consolidação do Brasil como uma liderança climática global.

 

Continuaremos cobrando do governo federal ações fortes e concretas pela defesa do meio ambiente, dos direitos humanos e de uma transição energética justa.

 

Com uma maioria do Congresso Nacional composta por parlamentares contrários às pautas ambientais e de direitos humanos, temos certeza de que serão 4 anos muito desafiadores.

 

Por isso, precisaremos manter viva, firme e forte a mobilização popular da juventude, das ruas e das redes. Só assim vamos impedir retrocessos sociais e a destruição irreversível do meio ambiente.

 

Somos ativistas com o compromisso de defender a Amazônia e lutar ao lado dos povos indígenas, das populações tradicionais, dos movimentos sociais e das periferias urbanas.

 

Temos muito trabalho pela frente e acreditamos no poder da transformação por meio da luta coletiva.

 

Com o seu apoio, conseguiremos seguir com o nosso trabalho de fiscalização, denúncia e divulgação de crimes ambientais.

O Greenpeace Brasil não aceita recursos financeiros de governos ou empresas. Apenas de pessoas físicas, como você.

Teremos momentos difíceis para o meio ambiente, mas ao seu lado, lutaremos juntos por um Brasil mais verde e justo.

 

Contamos com você. Faça uma doação e apoie o trabalho do Greenpeace Brasil.

Vamos juntos! 

Equipe do Greenpeace Brasil 


Programação Mercado Público Barrageiro - 29/10 a 01/11/2026 - Foz do Iguaçu

image.png

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Guaíra-PR: Lula cresce 24,77% nos votos, enquanto Bolsonaro avança 4,58%

Em Guaíra, no Paraná, Lula conquistou 1.201 votos a mais entre o primeiro e o segundo turno, mais que o dobro dos 550 votos adicionais de Bolsonaro.

image.png

Os números da eleição presidencial revelam uma diferença expressiva no crescimento dos dois candidatos.

Jair Bolsonaro

  • 1º turno: 12.008 votos (67,35%).

  • 2º turno: 12.558 votos (67,49%).

  • Crescimento: 550 votos, ou 4,58%.

Luiz Inácio Lula da Silva

  • 1º turno: 4.848 votos (27,19%).

  • 2º turno: 6.049 votos (32,51%).

  • Crescimento: 1.201 votos, ou 24,77%.

O que chama a atenção?

Lula teve um crescimento proporcional de votos aproximadamente 5,4 vezes maior que o de Bolsonaro. Sua participação na votação aumentou 5,32 pontos percentuais, enquanto a de Bolsonaro subiu apenas 0,14 ponto percentual.

Apesar do avanço de Lula, Bolsonaro manteve a liderança em Guaíra, alcançando 67,49% dos votos válidos no segundo turno.

O dado que chama a atenção: Lula acrescentou 651 votos a mais que Bolsonaro entre os dois turnos, embora tenha permanecido em segundo lugar na cidade.

Análise baseada nos resultados eleitorais informados para Guaíra-PR. O crescimento percentual considera a votação de cada candidato no primeiro turno como base de comparação. A diferença de votos entre os turnos não permite identificar, por si só, como cada eleitor votou anteriormente.

E você, o que acha desses números? Compartilhe e participe do debate!



TETRA: Lula vence em virada histórica

TETRA: Lula vence em virada histórica!

Líder se torna o único presidente da Nação a vencer 4 eleições!
Uploaded Image

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Contra o fim da escala 6×1 e das demarcações: os aliados de Flávio Bolsonaro servem às elites

Levantamento da Plataforma Congresso Anti-Indígena mostra que parlamentares bolsonaristas que se opuseram ao fim da escala 6×1 também atuam de forma sistemática contra os direitos dos povos indígenas

Por Luis Ventura Fernández, secretário executivo do Cimi

O fim da escala 6×1 é uma das principais discussões dentro do Congresso Nacional nos últimos tempos. Ontem (14) a proposta foi aprovada por 75 votos a favor e apenas um contrário. O senador Hamilton Mourão (Republicanos/RS), ex vice-presidente de Jair Bolsonaro, foi o único senador a votar contra e revelou que colegas do PL votaram a favor por ‘pressão popular’, não por convicção de que o texto é um direito a ser reconhecido. A pauta também está presente na disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo agora no segundo turno, que decide o futuro da democracia no Brasil. Para os candidatos à presidência, o debate se apresenta como um tema estratégico, visto que afeta de maneira direta a vida de aproximadamente 37 milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiras.

Existem duas perspectivas presentes sobre o fim da escala 6×1 nos planos de governos para os próximos quatro anos. O presidente Lula impulsiona o debate em favor da redução da jornada de trabalho, o que beneficiaria trabalhadoras e trabalhadores a contar com maior tempo para passar com sua família, se profissionalizar, ou que permitiria ocupar com lazer e descanso. Para Flávio Bolsonaro, a escala de trabalho foi debatida via fragilização dos direitos trabalhistas, com uma ilusória orientação de que empresa e empregado acordariam como proceder, sem uma regularização trabalhista e com uma disparidade de peso na decisão que não garantiria uma segurança ao trabalhador.

Flávio Bolsonaro precisou ceder um dia da votação da PEC 221/2019, em um oportunismo diante da campanha eleitoral. Certamente descontente em adaptar seu posicionamento e contradizer o que vinha sustentando até então, o senador sinalizou favorável ao fim da escala 6×1. A mudança ocorreu devido à pressão, como sinalizou o senador Hamilton Mourão, e Flávio Bolsonaro evitou desgaste em tempo de campanha. Uma pesquisa da Genial/Quaest indica que 72% da população brasileira é favorável à medida. Logo, o candidato do PL não opta pelo direito dos trabalhadores e trabalhadoras, mas assinala positivamente ao fim da escala 6×1 devido a uma obstinação quase patológica pelo poder que circunda a família Bolsonaro, na qual a ambição pessoal se sobrepõe a qualquer compromisso ético, democrático ou coletivo. Inclusive, os posicionamentos do presidenciável indicam uma possível revogação da decisão ocorrida ontem sobre a PEC do fim da escala 6×1.

No Legislativo, a temática foi debatida através da Proposta de Emenda à Constituição 221/2019, que prevê dois dias de repouso na semana e redução da carga horária máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. A intensa mobilização social em defesa das trabalhadoras e trabalhadores, ocupando as ruas e as redes pelo fim da escala 6×1, obrigou o Congresso Nacional a avançar no debate. A PEC iniciou as discussões na terça-feira (6), na plenária do Senado Federal e ontem (14), após cinco sessões de pronunciamentos, foi aprovada. Ainda assim, parlamentares aliados a Flávio Bolsonaro articularam para não comparecer ao plenário do Senado Federal para dificultar a formação do quórum necessário à votação que iniciou a discussão da matéria. Rogério Marinho (PL/RN), chefe da campanha de Flávio Bolsonaro, tentou pautar no mesmo dia antes da votação do fim da escala 6×1 a PEC do pagamento do trabalhador por horas trabalhadas, medida que fragiliza os direitos trabalhistas. E Tereza Cristina (PP/MS), que mudou o voto também só ontem, se articula para chegar à presidência do Senado, o que facilitaria a derrubada do que foi conquistado pela mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras.

O que une as duas pautas é a mesma agenda de interesses econômicos neoliberal que fragilizam direitos territoriais e trabalhistas, como mostram os dados a seguir.

A questão que cabe entender, desde a relação aos indígenas, é a afinidade entre a dignidade do trabalhador e da trabalhadora (jornada de trabalho e fim da escala 6×1) e os direitos dos povos. As semelhanças vão além dos parlamentares que votaram a favor ou contra esses direitos. É de conhecimento público que a agenda eleitoral se encontra aberta e com projetos tão dissonantes. Contudo, ainda que alguns políticos tenham readequado os discursos e votos, constrangidos pela força da mobilização social dos trabalhadores e das trabalhadoras, a decisão em permanecer ao lado dos trabalhadores não aconteceu para Flávio Bolsonaro e 23 parlamentares que apoiam o candidato à presidência. Nos debates sobre o fim da escala 6×1 que antecederam a aprovação na noite de ontem, foram 19 deputados e 4 senadores da ala bolsonarista que mantiveram sua posição contra o direito, sobretudo, das trabalhadoras. São principalmente as mulheres que sofrem com a sobrecarga na jornada de trabalho. O que une as duas pautas é a mesma agenda de interesses econômicos neoliberal que fragilizam direitos territoriais e trabalhistas, como mostram os dados a seguir.

 
Povos Indígenas, agronegócio e a relação com o trabalho

O agronegócio brasileiro se articulou politicamente na virada do século, em meio a disputas crescentes com o governo federal e com setores progressistas da sociedade civil. Muitos dos embates entre legislativo e executivo se deram em torno das questões agrária, ambiental, indígena, mas também trabalhista. Caio Pompeia, antropólogo pesquisador sobre o tema, analisa que entre os anos 1990 e 2000 o projeto do agronegócio se reconstitui, de maneira intersetorial, em um coletivo político. Isso fez com que, por volta de 2010, o agronegócio pudesse se consolidar e aglutinar forças para a promoção de metas extensivas comuns na retirada de direitos.

Desde então, percebe-se a captura da agenda política pelo agronegócio, por meio do Legislativo, acompanhada pelo aumento do poder político dos agentes da concertação, entendida como um fenômeno que articula, em torno da pauta do agronegócio, interesses de diferentes setores econômicos neoliberais. Nesse sentido, a relação entre um Congresso Nacional majoritariamente anti-indígena e a atuação de parlamentares contrários a direitos trabalhistas – aqui especificamente sobre o debate do fim da escala 6×1 – pode ser analisada a partir dessa convergência de interesses. A pauta ruralista, historicamente marcada por conflitos em torno dos direitos indígenas, passou a congregar não apenas produtores rurais que avançam as fronteiras agrícolas às terras tradicionais, mas diferentes segmentos que abrangem toda a cadeia produtiva, da produção ao processamento, à comercialização e à distribuição. É possível mencionar exemplos dessa abertura, como são os casos dos frigoríficos, varejo e supermercados (onde a 6×1 é regra) ou resgates de trabalho análogo à escravidão no campo, onde muitos trabalhadores resgatados são indígenas.


O que nos dizem os dados sobre o Congresso Nacional?

Diante a relação entre as temáticas do agronegócio e a atuação como campo intersetorial que ataca desde os direitos indígenas até os dos trabalhadores e trabalhadoras, é urgente analisar quem são os 23 parlamentares que votaram contra a escala 6×1 e como esses atuaram, nos últimos anos, na temática dos direitos indígenas. Essa é uma questão possível de ser analisada a partir da Plataforma Congresso Anti-Indígena, do Conselho Indigenista Missionário.

Os dados levantados pela Plataforma Congresso Anti-Indígena evidenciam que aqueles que votaram contra os direitos trabalhistas também tiveram um comportamento desfavorável aos povos indígenas, unificando as vertentes ruralista e liberal de mercado em uma agenda de retirada de direitos. Ou seja, a visão de mundo e a visão da política destes parlamentares consiste em um país em que as trabalhadoras e trabalhadores devem ser explorados até a exaustão, assim como as terras indígenas devem ser retiradas de seus verdadeiros donos e colocadas à disposição das elites econômicas. Esta visão de país, extremamente colonial e autoritária, é radicalmente contrária a um Estado Democrático de Direito e caminha no avesso da Constituição Federal e dos desafios de nosso tempo. Este motivo já deveria ser suficiente para que parlamentares que apoiam as pautas de retirada de direitos não continuassem ocupando espaço no Congresso Nacional, porque representam o que de pior existe na velha política oligárquica.

Se analisarmos o comportamento dos 19 deputados e deputadas que votaram contra o fim da escala 6×1 e, de forma sistemática, contra os direitos indígenas, um elemento de destaque é que 17 dos 19 deputados foram coautores do Requerimento de Comissão Parlamentar (RCP) nº 04/2024. O RCP 04/2024 solicita a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar “fatos relativos à demarcação”. O requerimento parte de parlamentares ligados à bancada ruralista e a interesses do agronegócio e da mineração, setores historicamente contrários à demarcação e proteção das terras indígenas. Este requerimento é uma forma evidente de uso do poder legislativo para disseminar uma narrativa de suspeição sobre a demarcação das terras indígenas e de criminalização de órgãos estatais como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF). O RCP 04/2024 aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados.

Alguns dos deputados que buscam restringir o avanço nos direitos trabalhistas também foram autores de outras proposições legislativas claramente contrárias aos povos indígenas. É o caso do deputado Nicoletti (PL/RR), autor do PL 2303/2023, que pretende regulamentar a mineração e a exploração de recursos hídricos nas terras indígenas; ou o deputado Carlos Chiodini (MDB/SC), autor do PL 5531/2019, que pretendia manter a posse de não indígenas sobre territórios tradicionais até depois do decreto de homologação.

É fundamental destacar que dos 19 deputados que votaram contra o fim da escala 6×1 na Câmara, três se elegeram para o senado nas eleições que ocorreram no domingo (4): Caroline de Toni (PL/SC), Marcel van Hattem (NOVO/RS) e Nicoletti (PL/RR). Constitui-se, com esses, um senado majoritariamente anti-indígena e contra os direitos trabalhistas.

 
Contra os direitos indígenas e trabalhistas, a serviço do clã Bolsonaro

Um dos pontos de destaque é que três dos quatro senadores que votaram contra o fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e que votam contra os direitos indígenas, também integraram o governo Bolsonaro. Dois atuaram como ministros – Rogério Marinho e Tereza Cristina, ministra da Agricultura (2019–2022) indicada com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) – e um como vice-presidente, no caso de Hamilton Mourão. O senador Rogério Marinho (PL/RN) é, inclusive, o coordenador da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro; a senadora Tereza Cristina (PP/MS), uma das principais figuras do Agronegócio na política brasileira, chegou a ser cotada como vice nessa mesma chapa ou como eventual próxima presidenta do Senado.

Os quatro senadores que aparecem na tabela acima votaram sistematicamente contra os direitos dos povos indígenas nestes últimos quatro anos e são coautores de proposições inconstitucionais como o PDL 717/2024 ou as Propostas de Emendas à Constituição/PEC nº 10, 36, 48, 59 e 61. Todas essas propostas de emenda constitucional pretendem transferir a demarcação das terras indígenas ao Congresso Nacional ou regulamentar o arrendamento dentro das terras já demarcadas.

Defender os direitos indígenas e defender os direitos das trabalhadoras e trabalhadores são causas absolutamente fundamentais para a garantia da democracia no Brasil. Por isso, devem unir-se à maioria social para que, através de seu voto, consigam impedir que políticos que atuam contra os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, assim como os direitos indígenas, se elejam como representantes do povo contra o qual, sistematicamente, atuam. No contexto atual, cabe analisar sobre quem apoia quem na disputa pelo segundo turno.

Veja mais notícias em cimi.org.br