terça-feira, 20 de outubro de 2026

Contra o fim da escala 6×1 e das demarcações: os aliados de Flávio Bolsonaro servem às elites

Levantamento da Plataforma Congresso Anti-Indígena mostra que parlamentares bolsonaristas que se opuseram ao fim da escala 6×1 também atuam de forma sistemática contra os direitos dos povos indígenas

Por Luis Ventura Fernández, secretário executivo do Cimi

O fim da escala 6×1 é uma das principais discussões dentro do Congresso Nacional nos últimos tempos. Ontem (14) a proposta foi aprovada por 75 votos a favor e apenas um contrário. O senador Hamilton Mourão (Republicanos/RS), ex vice-presidente de Jair Bolsonaro, foi o único senador a votar contra e revelou que colegas do PL votaram a favor por ‘pressão popular’, não por convicção de que o texto é um direito a ser reconhecido. A pauta também está presente na disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo agora no segundo turno, que decide o futuro da democracia no Brasil. Para os candidatos à presidência, o debate se apresenta como um tema estratégico, visto que afeta de maneira direta a vida de aproximadamente 37 milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiras.

Existem duas perspectivas presentes sobre o fim da escala 6×1 nos planos de governos para os próximos quatro anos. O presidente Lula impulsiona o debate em favor da redução da jornada de trabalho, o que beneficiaria trabalhadoras e trabalhadores a contar com maior tempo para passar com sua família, se profissionalizar, ou que permitiria ocupar com lazer e descanso. Para Flávio Bolsonaro, a escala de trabalho foi debatida via fragilização dos direitos trabalhistas, com uma ilusória orientação de que empresa e empregado acordariam como proceder, sem uma regularização trabalhista e com uma disparidade de peso na decisão que não garantiria uma segurança ao trabalhador.

Flávio Bolsonaro precisou ceder um dia da votação da PEC 221/2019, em um oportunismo diante da campanha eleitoral. Certamente descontente em adaptar seu posicionamento e contradizer o que vinha sustentando até então, o senador sinalizou favorável ao fim da escala 6×1. A mudança ocorreu devido à pressão, como sinalizou o senador Hamilton Mourão, e Flávio Bolsonaro evitou desgaste em tempo de campanha. Uma pesquisa da Genial/Quaest indica que 72% da população brasileira é favorável à medida. Logo, o candidato do PL não opta pelo direito dos trabalhadores e trabalhadoras, mas assinala positivamente ao fim da escala 6×1 devido a uma obstinação quase patológica pelo poder que circunda a família Bolsonaro, na qual a ambição pessoal se sobrepõe a qualquer compromisso ético, democrático ou coletivo. Inclusive, os posicionamentos do presidenciável indicam uma possível revogação da decisão ocorrida ontem sobre a PEC do fim da escala 6×1.

No Legislativo, a temática foi debatida através da Proposta de Emenda à Constituição 221/2019, que prevê dois dias de repouso na semana e redução da carga horária máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. A intensa mobilização social em defesa das trabalhadoras e trabalhadores, ocupando as ruas e as redes pelo fim da escala 6×1, obrigou o Congresso Nacional a avançar no debate. A PEC iniciou as discussões na terça-feira (6), na plenária do Senado Federal e ontem (14), após cinco sessões de pronunciamentos, foi aprovada. Ainda assim, parlamentares aliados a Flávio Bolsonaro articularam para não comparecer ao plenário do Senado Federal para dificultar a formação do quórum necessário à votação que iniciou a discussão da matéria. Rogério Marinho (PL/RN), chefe da campanha de Flávio Bolsonaro, tentou pautar no mesmo dia antes da votação do fim da escala 6×1 a PEC do pagamento do trabalhador por horas trabalhadas, medida que fragiliza os direitos trabalhistas. E Tereza Cristina (PP/MS), que mudou o voto também só ontem, se articula para chegar à presidência do Senado, o que facilitaria a derrubada do que foi conquistado pela mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras.

O que une as duas pautas é a mesma agenda de interesses econômicos neoliberal que fragilizam direitos territoriais e trabalhistas, como mostram os dados a seguir.

A questão que cabe entender, desde a relação aos indígenas, é a afinidade entre a dignidade do trabalhador e da trabalhadora (jornada de trabalho e fim da escala 6×1) e os direitos dos povos. As semelhanças vão além dos parlamentares que votaram a favor ou contra esses direitos. É de conhecimento público que a agenda eleitoral se encontra aberta e com projetos tão dissonantes. Contudo, ainda que alguns políticos tenham readequado os discursos e votos, constrangidos pela força da mobilização social dos trabalhadores e das trabalhadoras, a decisão em permanecer ao lado dos trabalhadores não aconteceu para Flávio Bolsonaro e 23 parlamentares que apoiam o candidato à presidência. Nos debates sobre o fim da escala 6×1 que antecederam a aprovação na noite de ontem, foram 19 deputados e 4 senadores da ala bolsonarista que mantiveram sua posição contra o direito, sobretudo, das trabalhadoras. São principalmente as mulheres que sofrem com a sobrecarga na jornada de trabalho. O que une as duas pautas é a mesma agenda de interesses econômicos neoliberal que fragilizam direitos territoriais e trabalhistas, como mostram os dados a seguir.

 
Povos Indígenas, agronegócio e a relação com o trabalho

O agronegócio brasileiro se articulou politicamente na virada do século, em meio a disputas crescentes com o governo federal e com setores progressistas da sociedade civil. Muitos dos embates entre legislativo e executivo se deram em torno das questões agrária, ambiental, indígena, mas também trabalhista. Caio Pompeia, antropólogo pesquisador sobre o tema, analisa que entre os anos 1990 e 2000 o projeto do agronegócio se reconstitui, de maneira intersetorial, em um coletivo político. Isso fez com que, por volta de 2010, o agronegócio pudesse se consolidar e aglutinar forças para a promoção de metas extensivas comuns na retirada de direitos.

Desde então, percebe-se a captura da agenda política pelo agronegócio, por meio do Legislativo, acompanhada pelo aumento do poder político dos agentes da concertação, entendida como um fenômeno que articula, em torno da pauta do agronegócio, interesses de diferentes setores econômicos neoliberais. Nesse sentido, a relação entre um Congresso Nacional majoritariamente anti-indígena e a atuação de parlamentares contrários a direitos trabalhistas – aqui especificamente sobre o debate do fim da escala 6×1 – pode ser analisada a partir dessa convergência de interesses. A pauta ruralista, historicamente marcada por conflitos em torno dos direitos indígenas, passou a congregar não apenas produtores rurais que avançam as fronteiras agrícolas às terras tradicionais, mas diferentes segmentos que abrangem toda a cadeia produtiva, da produção ao processamento, à comercialização e à distribuição. É possível mencionar exemplos dessa abertura, como são os casos dos frigoríficos, varejo e supermercados (onde a 6×1 é regra) ou resgates de trabalho análogo à escravidão no campo, onde muitos trabalhadores resgatados são indígenas.


O que nos dizem os dados sobre o Congresso Nacional?

Diante a relação entre as temáticas do agronegócio e a atuação como campo intersetorial que ataca desde os direitos indígenas até os dos trabalhadores e trabalhadoras, é urgente analisar quem são os 23 parlamentares que votaram contra a escala 6×1 e como esses atuaram, nos últimos anos, na temática dos direitos indígenas. Essa é uma questão possível de ser analisada a partir da Plataforma Congresso Anti-Indígena, do Conselho Indigenista Missionário.

Os dados levantados pela Plataforma Congresso Anti-Indígena evidenciam que aqueles que votaram contra os direitos trabalhistas também tiveram um comportamento desfavorável aos povos indígenas, unificando as vertentes ruralista e liberal de mercado em uma agenda de retirada de direitos. Ou seja, a visão de mundo e a visão da política destes parlamentares consiste em um país em que as trabalhadoras e trabalhadores devem ser explorados até a exaustão, assim como as terras indígenas devem ser retiradas de seus verdadeiros donos e colocadas à disposição das elites econômicas. Esta visão de país, extremamente colonial e autoritária, é radicalmente contrária a um Estado Democrático de Direito e caminha no avesso da Constituição Federal e dos desafios de nosso tempo. Este motivo já deveria ser suficiente para que parlamentares que apoiam as pautas de retirada de direitos não continuassem ocupando espaço no Congresso Nacional, porque representam o que de pior existe na velha política oligárquica.

Se analisarmos o comportamento dos 19 deputados e deputadas que votaram contra o fim da escala 6×1 e, de forma sistemática, contra os direitos indígenas, um elemento de destaque é que 17 dos 19 deputados foram coautores do Requerimento de Comissão Parlamentar (RCP) nº 04/2024. O RCP 04/2024 solicita a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar “fatos relativos à demarcação”. O requerimento parte de parlamentares ligados à bancada ruralista e a interesses do agronegócio e da mineração, setores historicamente contrários à demarcação e proteção das terras indígenas. Este requerimento é uma forma evidente de uso do poder legislativo para disseminar uma narrativa de suspeição sobre a demarcação das terras indígenas e de criminalização de órgãos estatais como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF). O RCP 04/2024 aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados.

Alguns dos deputados que buscam restringir o avanço nos direitos trabalhistas também foram autores de outras proposições legislativas claramente contrárias aos povos indígenas. É o caso do deputado Nicoletti (PL/RR), autor do PL 2303/2023, que pretende regulamentar a mineração e a exploração de recursos hídricos nas terras indígenas; ou o deputado Carlos Chiodini (MDB/SC), autor do PL 5531/2019, que pretendia manter a posse de não indígenas sobre territórios tradicionais até depois do decreto de homologação.

É fundamental destacar que dos 19 deputados que votaram contra o fim da escala 6×1 na Câmara, três se elegeram para o senado nas eleições que ocorreram no domingo (4): Caroline de Toni (PL/SC), Marcel van Hattem (NOVO/RS) e Nicoletti (PL/RR). Constitui-se, com esses, um senado majoritariamente anti-indígena e contra os direitos trabalhistas.

 
Contra os direitos indígenas e trabalhistas, a serviço do clã Bolsonaro

Um dos pontos de destaque é que três dos quatro senadores que votaram contra o fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e que votam contra os direitos indígenas, também integraram o governo Bolsonaro. Dois atuaram como ministros – Rogério Marinho e Tereza Cristina, ministra da Agricultura (2019–2022) indicada com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) – e um como vice-presidente, no caso de Hamilton Mourão. O senador Rogério Marinho (PL/RN) é, inclusive, o coordenador da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro; a senadora Tereza Cristina (PP/MS), uma das principais figuras do Agronegócio na política brasileira, chegou a ser cotada como vice nessa mesma chapa ou como eventual próxima presidenta do Senado.

Os quatro senadores que aparecem na tabela acima votaram sistematicamente contra os direitos dos povos indígenas nestes últimos quatro anos e são coautores de proposições inconstitucionais como o PDL 717/2024 ou as Propostas de Emendas à Constituição/PEC nº 10, 36, 48, 59 e 61. Todas essas propostas de emenda constitucional pretendem transferir a demarcação das terras indígenas ao Congresso Nacional ou regulamentar o arrendamento dentro das terras já demarcadas.

Defender os direitos indígenas e defender os direitos das trabalhadoras e trabalhadores são causas absolutamente fundamentais para a garantia da democracia no Brasil. Por isso, devem unir-se à maioria social para que, através de seu voto, consigam impedir que políticos que atuam contra os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, assim como os direitos indígenas, se elejam como representantes do povo contra o qual, sistematicamente, atuam. No contexto atual, cabe analisar sobre quem apoia quem na disputa pelo segundo turno.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Personagem infantil José Totoy estrela campanha do Dia Mundial da Alimentação 2026

Fenômeno internacional em 190 países, “o Comilão” é designado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura “Campeão da FAO” e “Herói da Alimentação”. 
José Totoy foi escolhido como símbolo do Dia Mundial da Alimentação 2026 por incorporar valores diretamente alinhados ao tema da campanha. O personagem planta aquilo que come e traz a alimentação saudável, a amizade, a curiosidade e a natureza para o centro de suas histórias.

Legenda: Personagem de animação infantil, José Totoy estrela campanha do DMA 2026, com episódio inédito dedicado à data.
Foto: © Totoy Corp 2026 - All rights reserved.

O Dia Mundial da Alimentação (DMA), celebrado em 16 de outubro, este ano traz uma novidade: o personagem infantil José Totoy, o “Comilão”, como porta-voz da campanha no Brasil. 

Com o slogan “Inovar hoje para nutrir o amanhã”, a campanha é uma iniciativa das agências das Nações Unidas que atuam no combate à fome no Brasil: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (WFP), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Pela primeira vez, o público infantil ocupa o centro da iniciativa. Este ano, é o personagem José Totoy, “o Comilão”, que dará o recado sobre os desafios da fome e da má alimentação, e a importância da inovação para tornar os sistemas agroalimentares mais sustentáveis, inclusivos e resilientes. 

Por meio de uma linguagem simples, acessível e lúdica, a ideia é sensibilizar as crianças, que são o futuro do planeta, e suas famílias. 

Dia Mundial da Alimentação 2026

Legenda: Quando pensamos em inovação, é comum imaginarmos tecnologias como dados, inteligência artificial, máquinas e robôs. Mas inovação também tem a ver com ideias, tanto novas quanto tradicionais. Seja grande ou pequena, moderna ou tradicional, inovar é encontrar soluções, usando ciência, tecnologia e imaginação, para produzir alimentos, proteger a natureza e construir um futuro melhor.

Neste Dia Mundial da Alimentação, junte-se a nós. Juntos podemos inovar hoje para nutrir o amanhã.

Foto: © Leon Martins/FAO.

Totoy

A Totoy Corp, empresa que criou o personagem, em colaboração com as agências da ONU no Brasil, produziu um episódio especial dedicado ao DMA 2026. O conteúdo será lançado no dia 16 de forma simultânea no Youtube da Totoy e em todas as plataformas digitais das agências envolvidas. Além disso, José Totoy estará presente em cartazes distribuídos em mobiliários urbanos de algumas cidades do país levantando a bandeira da campanha.  

José Totoy foi escolhido como símbolo do DMA 2026 por incorporar valores diretamente alinhados ao tema da campanha. O personagem planta aquilo que come e traz a alimentação saudável, a amizade, a curiosidade e a natureza para o centro de suas histórias. Por meio de experiências cotidianas, José descobre que a melhor forma de aprender é pela tentativa e exploração. 

Fenômeno internacional entre o público infantil, com conteúdos disponíveis em mais de 30 idiomas em plataformas de streaming e no Youtube, o personagem já registrou 26 bilhões de visualizações, e tem mais de 50 milhões de seguidores em sua rede global de canais. 

Por isso, a parceria com a FAO, que lidera a campanha internacionalmente, extrapolou o território nacional: o episódio da animação dedicada ao DMA 2026 terá versões em inglês e espanhol, que serão reproduzidas nas redes sociais e em cerca de 190 países pelo Youtube.

Neste Dia Mundial da Alimentação 2026, José Totoy nos convida a embarcar em uma aventura inspirada pelo tema “Inovar hoje para Nutrir o Amanhã”, mostrando que a alimentação cria uma ponte entre as pessoas, a natureza e o futuro. E lembrando que cada escolha conta, cada aprendizado importa e cada criança tem o poder de ajudar a construir um mundo melhor.
Legenda: O personagem de animação infantil José Totoy foi escolhido como símbolo do Dia Mundial da Alimentação 2026 por incorporar valores diretamente alinhados ao tema da campanha. O Totoy planta aquilo que come e traz a alimentação saudável, a amizade, a curiosidade e a natureza para o centro de suas histórias.
Foto: © Totoy Corp 2026 - All rights reserved.

Herói da Alimentação

A FAO nomeou o personagem como “Herói da Alimentação” e “Campeão da FAO” (FAO Champion), ganhando assim uma página com sua biografia em inglês, português e espanhol, no site regional e global da organização. 

Os “Heróis da Alimentação” designados pela FAO são lideranças influentes, que apoiam e fortalecem suas comunidades por meio de ações concretas em torno da alimentação, gerando impactos positivos diante dos desafios globais.

Inserir um personagem de desenho animado é algo inovador dentro da organização, bem como conceder o título de “Campeão da FAO”, obtido mediante um processo de avaliação de integridade, reputação e alcance público para formalização da parceria. Geralmente são designados especialistas, chefs, atletas, influenciadores, artistas ou lideranças reconhecidas em áreas relacionadas. 

“Esta parceria é uma oportunidade de aproximar crianças e famílias dos temas relacionados à alimentação, à nutrição e ao desenvolvimento sustentável. As crianças são especialmente receptivas ao aprendizado e à construção de valores e serão os futuros tomadores das decisões que moldarão nossos sistemas agroalimentares e o planeta”, afirma o representante da FAO no Brasil, Jorge Meza. 

Meza acrescenta que o tema da inovação, mote do slogan da campanha do DMA 2026, deve ser compreendido de maneira ampla:

“Inovar não é só investir em tecnologia de ponta. Significa também encontrar novas formas de aplicar conhecimentos tradicionais, compartilhar experiências, conectar saberes e construir soluções adaptadas às realidades locais. A inovação deve estar a serviço das pessoas e contribuir para transformar os sistemas agroalimentares.”

“Neste Dia Mundial da Alimentação, somos convidados a refletir sobre como as escolhas e as ações de hoje moldam o futuro da alimentação. Com a ajuda do José Comilão, queremos inspirar crianças, jovens e famílias a adotarem hábitos alimentares mais conscientes e a se tornarem protagonistas de um futuro sem fome”, afirma o diretor do Centro de Excelência contra a fome do WFP no Brasil, Daniel Balaban. 

“Inovar hoje é também pensar nas condições que queremos construir para a alimentação de amanhã. Isso passa por valorizar os conhecimentos das comunidades rurais, ampliar o acesso a novas tecnologias e criar oportunidades, especialmente para os jovens rurais, para que possam permanecer, empreender e contribuir ativamente para a transformação dos sistemas alimentares”, afirmou o diretor do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers. 

“Conhecer de onde vêm os alimentos é um passo importante para valorizar quem os produz e compreender a relação entre agricultura, natureza e saúde. Ao levar essa mensagem às crianças por meio do José Totoy, a campanha aproxima o campo do cotidiano das famílias e estimula o cuidado com a alimentação e o meio ambiente. Para o IICA, inovar também é criar caminhos para compartilhar conhecimentos e fortalecer uma agricultura capaz de nutrir as próximas gerações”, esclarece o representante do IICA no Brasil, Gabriel Delgado. 

“Ver o José Totoy, um personagem que criamos com tanto carinho e atenção, participar de um projeto de importância global como esse nos traz muita alegria. Essa parceria reconhece o cuidado que dedicamos às histórias e nos permite contribuir para que a alimentação seja um assunto presente na vida das crianças desde cedo. Para nós, é uma satisfação fazer parte dessa mobilização com um desenho brasileiro”, enfatiza o cofundador da Totoy Corp, André Vaz.

Mobilização infanto-juvenil

O DMA conta com outras ações educativas para mobilização do público infanto-juvenil. Este ano, a FAO produziu uma versão em português de uma animação infantil. Também foi distribuída a versão em português, de um Livro de Atividades para que educadores e pais ajudam crianças e jovens a explorar sobre inovações nos sistemas agroalimentares e sobre os desafios globais por meio de histórias e de projetos reais da FAO. 

E até o dia 6 de novembro, crianças e jovens entre 5 e 19 anos podem participar do Concurso de Cartazes com o tema “Inovar hoje para nutrir o amanhã”. 

Projeção urbana

Quem estiver circulando pelo Plano Piloto, em Brasília, às 18h do dia 16 de outubro, poderá assistir à exibição do vídeo institucional do Dia Mundial da Alimentação 2026 em mobiliários urbanos e nos painéis de led gigantes da fachada do CONIC, centro comercial e cultural localizado no Setor de Diversões Sul. 

Os painéis têm visibilidade na Esplanada dos Ministérios, no centro da capital federal, uma das áreas de maior circulação do Distrito Federal. A iniciativa das agências da ONU é realizada graças à parceria com a Mosaico/weOOH e a Visualplac, que disponibilizam seus espaços de mídia sem custos para a veiculação da campanha como contribuição de interesse público às ações de conscientização. 

SERVIÇO

Onde assistir à animação do José Totoy em português:

Canais do Youtube: 

Redes sociais: 

Onde assistir à animação do José Totoy em inglês:

Onde assistir à animação do José Totoy em espanhol:

Animação Infantil Institucional da FAO do Dia Mundial da Alimentação 2026

Vídeo institucional da FAO do Dia Mundial da Alimentação 2026 que será exibido no CONIC e nos Mobiliários Urbanos

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OMPI abre inscrições para o Prêmio de Vídeo para Jovens Indígenas 2026

A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) está com inscrições abertas para a edição de 2026 do Prêmio de Vídeo da OMPI para Jovens Indígenas, uma iniciativa internacional que celebra a criatividade e os conhecimentos dos Povos Indígenas por meio da produção audiovisual.

Com o tema “Os conhecimentos e a criatividade dos Povos Indígenas em ação”, o concurso convida jovens indígenas de 18 a 35 anos a produzirem vídeos sobre conhecimentos tradicionais, expressões culturais e práticas comunitárias que permanecem vivas e relevantes na atualidade.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 6 de novembro de 2026 por meio da página da OMPI.

Participante da COP30 em Belém do Pará, fotografada pela ONU Mudança Climática (UNFCCC) em 18 de novembro de 2025.

Legenda: Participante da COP30 em Belém do Pará, fotografada pela ONU Mudança Climática (UNFCCC) em 18 de novembro de 2025.
Foto: © UN Climate Change - Zô Guimarães.

A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) lançou o Prêmio de Vídeo da OMPI para Jovens Indígenas 2026, iniciativa que busca promover a visibilidade dos conhecimentos tradicionais, da criatividade e das expressões culturais dos Povos Indígenas em todo o mundo. A premiação contribui para ampliar a conscientização sobre o papel dos direitos autorais na proteção de obras criativas produzidas por comunidades indígenas. 

Neste ano, o tema do concurso internacional é “Saberes e criatividade dos povos indígenas em ação”, incentivando participantes a mostrarem, por meio do vídeo, como suas comunidades preservam, renovam e transmitem conhecimentos e práticas culturais tradicionais. 

Os vídeos podem retratar, por exemplo:

  • Artes e ofícios tradicionais, como tecelagem, cerâmica, trabalho com miçangas e entalhe.
  • Narrativas, apresentações e formas tradicionais de contar histórias.
  • Preparação de remédios naturais, plantas medicinais e alimentos tradicionais.
  • Práticas relacionadas à agricultura, ao meio ambiente e à medicina tradicional. 

Os vídeos serão avaliados com base em critérios como aderência ao tema, originalidade, criatividade, expressão artística, capacidade de inspirar, impacto comunitário e qualidade visual. A seleção será realizada por um júri externo composto por cineastas indígenas reconhecidos internacionalmente. 

As pessoas vencedoras receberão equipamentos digitais nos valores de até US$ 4 mil para o primeiro lugar, US$ 3 mil para o segundo, US$ 2 mil para o terceiro e US$ 1 mil para o vencedor do Prêmio Escolha do Público. Além disso, os produtores dos 15 melhores vídeos terão acesso a oportunidades de formação oferecidas pela Academia da OMPI.

Os direitos autorais sobre os materiais enviados permanecem com os participantes. Entretanto, ao participar, os candidatos autorizam a OMPI a utilizar os conteúdos para fins educacionais, promocionais e de capacitação, com o devido reconhecimento da autoria. 

Participante da COP30 em Belém do Pará, fotografado pela ONU Mudança Climática (UNFCCC) em 17 de novembro de 2025.
Legenda: Participante da COP30 em Belém do Pará, fotografado pela ONU Mudança Climática (UNFCCC) em 17 de novembro de 2025.
Foto: © UN Climate Change - Zô Guimarães.

Serviço: Prêmio de Vídeo da OMPI para Jovens Indígenas 2026

  • Prazo de inscrição: 6 de novembro de 2026
  • Público-alvo: jovens indígenas, com idade entre 18 e 35 anos, residentes em Estados-membros da OMPI, incluindo o Brasil. 
  • Como se inscrever: O material deve ser submetido através da plataforma oficial da premiação: https://youth-prize.wipo.int/. A participação é gratuita.  

Para mais informações, siga @wipo nas redes sociais e acesse a página da OMPI no Brasil. 



quinta-feira, 15 de outubro de 2026

UNCTAD: Crescimento global deve desacelerar para 2,6% em 2026

Lançado na última sexta (9), o Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento 2026 da UNCTAD projeta que o crescimento econômico médio das economias em desenvolvimento deve desacelerar para 4% em 2026. 

A publicação anual das Nações Unidas ressalta que a inteligência artificial (IA) se tornou um motor fundamental do dinamismo no comércio global, mas alerta que os ganhos seguem extremamente concentrados.

O Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento 2026, da ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), constata que um novo mapa do comércio mundial está surgindo. Os produtos de inteligência artificial são hoje o principal motor do comércio de bens, mas os ganhos continuam concentrados. Na foto, Porto de Santos (SP).

Legenda: O Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento 2026, da ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), constata que um novo mapa do comércio mundial está surgindo. Os produtos de inteligência artificial são hoje o principal motor do comércio de bens, mas os ganhos continuam concentrados. Na foto, Porto de Santos (SP).
Foto: © Amaro Fotografia/Getty Images.

A ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apresentou, na última sexta-feira (09/10), o Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026: Geoeconomia do Desenvolvimento, que projeta uma desaceleração do crescimento da economia global de 2,9% em 2025 para 2,6%, e de 4,7% para 4% nas economias em desenvolvimento. 

O comércio de bens e serviços deve crescer cerca de 4% a preços constantes, após o comércio global ter atingido um recorde de US$ 35 trilhões em 2025. Os valores mais altos do comércio em 2026 são impulsionados por aumentos de preços decorrentes do choque energético. 

O mapa do comércio global está mudando: o comércio entre a China e os Estados Unidos caiu mais de 20% desde 2024, enquanto o Leste Asiático ampliou o comércio tanto com a China quanto com a América do Norte. Controles de exportação, triagem de investimentos e condições das cadeias de suprimento dificultam o acesso de novos entrantes a setores estratégicos. 

O principal relatório anual da UNCTAD constata que os governos recorrem cada vez mais a políticas industriais, comerciais, financeiras e tecnológicas para alcançar objetivos geopolíticos e de segurança nacional. O acesso a mercados e a capacidade de avançar para atividades de maior valor agregado agora dependem mais fortemente de tecnologia e finanças. 

Ásia lidera, mas o caminho para alcançar renda dos países industrializados está mais estreito 

A Ásia deve contribuir com 59% do crescimento global em 2026, com a Índia crescendo 7,3%, a China 4,5% e a Indonésia 5,2%. Outros países com altas taxas de crescimento na região são Quirguistão (8,8%), Uzbequistão (7,9%), Vietnã (7,8%), Mongólia (7%) e Tajiquistão (6,6%). 

Algumas economias asiáticas em desenvolvimento continuam reduzindo a diferença de renda em relação aos países desenvolvidos, enquanto a convergência estagnou na maior parte do mundo em desenvolvimento desde meados da década de 2010. Isso se explica porque a trajetória industrial que impulsionou boa parte da ascensão da Ásia está se tornando mais difícil de replicar para os demais países. O Leste Asiático é central, por exemplo, para o salto na fabricação de semicondutores e na computação avançada, num momento em que os produtos de IA representam o principal motor do comércio de mercadorias. 

É necessária mais especialização para acessar os ganhos das cadeias globais de valor 

As economias industrializadas do Norte Global capturam cerca de 70% do valor dos novos projetos de investimento direto estrangeiro anunciados em setores estratégicos de alto valor, incluindo semicondutores, tecnologias de transição energética e infraestrutura de IA, segundo dados de 2020–2025. 

As economias em desenvolvimento lideram apenas em minerais críticos e materiais estratégicos, concentrando 60% dos novos projetos. O relatório constata que a África extrai a maior parte do cobalto do mundo, mas retém menos de 1% do valor ao longo das cadeias de suprimento. 

O principal relatório anual da UNCTAD constata que os governos recorrem cada vez mais a políticas industriais, comerciais, financeiras e tecnológicas para alcançar objetivos geopolíticos e de segurança nacional. O acesso a mercados e a capacidade de avançar para atividades de maior valor agregado agora dependem mais fortemente de tecnologia e finanças. Na foto, Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP).
Legenda: O principal relatório anual da UNCTAD constata que os governos recorrem cada vez mais a políticas industriais, comerciais, financeiras e tecnológicas para alcançar objetivos geopolíticos e de segurança nacional. O acesso a mercados e a capacidade de avançar para atividades de maior valor agregado agora dependem mais fortemente de tecnologia e finanças. Na foto, Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP).
Foto: © Herbert Pictures/Getty Images.

Choque energético e instabilidade financeira põem a economia global à prova

O conflito no Oriente Médio elevou o preço do petróleo Brent de US$ 70 para mais de US$ 110 por barril nas semanas seguintes à sua eclosão. Os custos de energia mais altos atingiram especialmente as economias em desenvolvimento dependentes de importações e as famílias mais pobres. Os custos de energia mais altos se somam ao aumento dos custos de financiamento e à volatilidade dos fluxos de capital para os países em desenvolvimento, que dobrou desde o início do conflito. 

O boom da IA também traz riscos à estabilidade financeira, à medida que os mercados se tornam mais expostos a um número reduzido de empresas. 

A assistência oficial para o desenvolvimento, fonte fundamental de financiamento para os países menos desenvolvidos e os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, deve recuar quase 7% em 2026, seu terceiro declínio anual consecutivo. 

Prioridades de política para os países em desenvolvimento: priorizar setores-chave, diversificar perfis comerciais, avançar na transição energética 

O choque energético reforça os argumentos a favor da diversificação do fornecimento de energia. Desde 2024, as fontes renováveis têm sido mais baratas do que a alternativa fóssil recém-instalada de menor preço em mais de 90% dos casos, constata o relatório. Fontes renováveis domésticas, quando viáveis, podem reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. O relatório argumenta que enfrentar as restrições de energia e de oferta é mais eficaz contra a inflação impulsionada pela oferta do que um aperto monetário e fiscal amplo. À medida que a produção se torna mais especializada sob pressões geoeconômicas, a integração econômica ocorre cada vez mais setor a setor. Isso permite que muitas potências médias do Sul Global fortaleçam setores específicos, mantendo, ao mesmo tempo, laços econômicos e financeiros com múltiplos parceiros. 

O relatório recomenda a coordenação de políticas industriais, financeiras e tecnológicas, incluindo vincular o investimento direto estrangeiro a fornecedores locais e aumentar o valor agregado doméstico. 

O Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026 argumenta que o atual choque energético reforça os argumentos a favor da diversificação do fornecimento de energia. Desde 2024, as fontes renováveis têm sido mais baratas do que a alternativa fóssil recém-instalada de menor preço em mais de 90% dos casos, constata o relatório. Fontes renováveis domésticas, quando viáveis, podem reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. Na foto, usina de energia solar em Uberlândia (MG).
Legenda: O Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026 argumenta que o atual choque energético reforça os argumentos a favor da diversificação do fornecimento de energia. Desde 2024, as fontes renováveis têm sido mais baratas do que a alternativa fóssil recém-instalada de menor preço em mais de 90% dos casos, constata o relatório. Fontes renováveis domésticas, quando viáveis, podem reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. Na foto, usina de energia solar em Uberlândia (MG).
Foto: © Rafael Carneiro/Pexels.

Potências médias do Sul Global ancoram a cooperação regional 

Acordos regionais podem ampliar mercados, reduzir custos comerciais e apoiar a cooperação regulatória. A Área de Livre Comércio Continental Africana vincula a integração de mercados à diversificação e às cadeias regionais de valor. Paralelamente, o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação busca conectar 42 moedas africanas para facilitar os pagamentos. 

O secretário-geral interino da UNCTAD, Pedro Manuel Moreno, destaca:

“As potências médias do Sul Global estão se tornando âncoras regionais, estendendo a integração comercial a novas iniciativas financeiras. Isso funciona melhor ao lado de um sistema multilateral de comércio que mantenha a não discriminação e o tratamento especial e diferenciado em seu núcleo”. 

Para saber mais, siga @unctad nas redes sociais e acesse o Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2026: https://unctad.org/publication/trade-and-development-report-2026 

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NOTA PARA EDITORES: 

Sobre a ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) 

A UNCTAD é o principal órgão da ONU dedicado a comércio e desenvolvimento. Fundada em 1964, apoia 195 Estados-membros com análises especializadas, assistência técnica, e serve como plataforma de diálogo intergovernamental. A UNCTAD ajuda os países em desenvolvimento a fazer com que o comércio, as finanças, o investimento e a economia digital funcionem a favor de um desenvolvimento inclusivo e sustentável.