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quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Nome Científico do Margaridão/Girassol Mexicano
ONU alerta: emissões precisam cair 18% até 2030 para evitar o agravamento da crise climática
Para viabilizar esse cenário, são necessários cortes de 18% nas emissões até 2030 e de 45% até 2035, bem como a ampliação contínua da remoção de CO₂ ao longo do século.
Avanços em energias renováveis e políticas climáticas já proporcionaram reduções reais de emissões em diversos países e setores, mas será necessária uma expansão massiva em escala global para colocar o mundo na trajetória adequada.
Com o aumento da temperatura global previsto para ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, são necessárias reduções urgentes e ambiciosas das emissões de gases de efeito estufa para minimizar a intensidade e a duração dessa ultrapassagem e fazer com que a temperatura global retorne a 1,5 °C até o fim do século, conclui um novo relatório do PNUMA lançado nesta quarta (21).
O Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2026: O Ponto de Retorno analisa um cenário de ultrapassagem do limite de 1,5 °C mais baixa possível, no qual o pico de aquecimento por volta de meados do século é limitado a 1,7–1,8 °C e o aumento da temperatura global retorna a 1,5 °C ou menos até 2100, com cerca de 50% de probabilidade.
Para seguir essa trajetória, as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) teriam de ser reduzidas em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, todos os percentuais em relação aos níveis de 2025. Em contraste, a implementação integral das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) reduziria as emissões em apenas 5% a 8% até 2030 e 11% a 15% até 2035, em comparação com os níveis de 2025.
“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos limitar ao máximo o aumento da temperatura, reduzir o tempo em que ela permanecerá acima de 1,5 °C e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo desse patamar até o fim do século”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em mensagem sobre o relatório.
“O novo Relatório sobre a Lacuna de Emissões do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostra o que será necessário para isso: reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa em 18% até 2030 e em 45% até 2035, em comparação com os níveis de 2025.”
No entanto, o relatório conclui que há mais oportunidades do que nunca para acelerar a ação climática. Desde a adoção do Acordo de Paris, a geração de energia renovável cresceu rapidamente, o aumento da oferta total de energia proveniente do carvão e do petróleo foi menor do que o projetado e políticas climáticas reduziram as emissões em muitas regiões do mundo.
“Cada fração de grau e cada ano adicional de aquecimento acima de 1,5 °C aumentam os impactos e riscos climáticos, como as enchentes, ondas de calor e incêndios florestais letais que afetaram muitos países neste ano”, disse Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA.
“Por isso, precisamos mobilizar todos os esforços para minimizar o pico de aquecimento e fazer com que a temperatura global retorne a 1,5°C até o fim do século. Isso é possível."
“Temos inúmeros casos de sucesso que mostram que as emissões podem ser reduzidas rapidamente. Agora, cabe às nações implementar com urgência políticas capazes de promover reduções rápidas, profundas e contínuas das emissões, colocando o mundo no caminho certo para um clima mais estável e economias e sociedades mais estáveis.”
Projeções de temperatura seguem altas demais
O relatório conclui que, se as políticas atuais forem mantidas, o aquecimento global poderá atingir 2,8°C neste século e continuar aumentando posteriormente. Caso todas as NDCs sejam implementadas e esforços semelhantes sejam mantidos, o aquecimento seria limitado a 2,6 °C. Esses resultados são mais desfavoráveis do que as projeções apresentadas no ano passado devido à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à revisão das estimativas de emissões históricas. As novas NDCs apresentadas desde a publicação do relatório anterior tiveram impacto negligenciável nessas projeções.
Mesmo no cenário mais otimista, em que todas as NDCs e as metas adicionais de neutralidade de emissões líquidas sejam alcançadas, o aquecimento global ainda seria limitado a apenas 2,1°C neste século. Sem ações urgentes, manter o pico de aquecimento abaixo de 1,7°C a 1,8°C logo se tornará impossível. A cada cinco anos de emissões de CO₂ nos níveis atuais, o pico do aquecimento aumenta em cerca de 0,1°C.
Além disso, o cenário de menor ultrapassagem possível da meta de 1,5°C exige a remoção e o armazenamento permanente de aproximadamente 320 gigatoneladas de CO₂ da atmosfera ao longo deste século, o equivalente a cerca de oito anos das emissões globais de CO₂ registradas em 2024. No entanto, desafios socioeconômicos e tecnológicos tornam incertas as chances de alcançar esse objetivo.
Iniciativas climáticas bem-sucedidas precisam ser ampliadas
Retornar a 1,5°C ou menos ainda é possível, especialmente porque há evidências crescentes de que políticas climáticas adotadas em diferentes partes do mundo podem, e de fato têm conseguido, reduzir as emissões. O relatório relaciona a implementação ou o fortalecimento de políticas voltadas ao clima a dezenas de mudanças estruturais em países desenvolvidos e em desenvolvimento, resultando em reduções significativas das emissões.
Mais de 220 avaliações de políticas públicas oferecem evidências adicionais sobre quais medidas são eficazes. As políticas avaliadas no setor de eletricidade reduziram as emissões em uma média de 9%, enquanto instrumentos econômicos, incluindo sistemas de comércio de emissões e impostos sobre carbono, alcançaram reduções de 5% a 13% em diferentes setores durante os períodos analisados. Ainda assim, esses sucessos permanecem concentrados em setores, países e períodos específicos. Colocar o mundo na trajetória de menor ultrapassagem possível da meta de 1,5°C exige replicar, ampliar e sustentar esses resultados positivos.
Acelerar a implementação das metas do Balanço Global
Na primeira edição do Balanço Global (GST, na sigla em inglês), os países concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar a taxa anual de melhoria da eficiência energética até 2030, além de promover a transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, reduzir as emissões não relacionadas ao CO₂, interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal, entre outras medidas.
No entanto, as taxas recentes de variação em todos os indicadores que acompanham as emissões absolutas de GEE apontam na direção errada. Isso inclui as emissões de CO₂ dos sistemas energéticos, as emissões do transporte rodoviário e as emissões não relacionadas ao CO₂, especialmente as emissões de metano. Embora os cenários baseados nas políticas atuais projetem que algumas dessas emissões se estabilizem até 2030, nenhum deles aponta para reduções na velocidade e na escala necessárias para minimizar a magnitude e a duração da ultrapassagem da meta de 1,5°C.
A segunda edição do GST pode avançar a partir dos compromissos assumidos na primeira ao reafirmar as áreas prioritárias de ação para mitigação, ampliar as metas quantitativas para 2035 e 2040 e tornar as ações já previstas mais concretas, por meio de objetivos mais claros e, sempre que possível, quantificados. O relatório apresenta uma avaliação preliminar dessas possíveis extensões para 2035 e 2040, alinhadas ao cenário de menor ultrapassagem possível da meta de 1,5°C.
Para alcançar a meta de triplicar a capacidade global de energia renovável e dobrar a taxa anual de melhoria da eficiência energética, uma extensão desse objetivo até 2035 implicaria, no mínimo, triplicar a capacidade de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis e reduzir a intensidade energética primária do PIB em pelo menos 30% em relação aos níveis de 2025. Para 2040, essas estimativas aumentariam para, no mínimo, 4,5 vezes e pelo menos 40%, respectivamente.
A boa notícia é que, desde a adoção do Acordo de Paris, a capacidade global de geração de eletricidade renovável cresceu em um ritmo três vezes superior ao previsto, enquanto a expansão da energia solar fotovoltaica aumentou sete vezes mais do que o antecipado.
A continuidade dessas tendências, apoiada por políticas adicionais, colocaria o mundo na trajetória necessária para triplicar a capacidade de energia renovável até 2030 e elevar a participação da energia eólica e solar na geração de eletricidade a níveis compatíveis com o cenário de menor ultrapassagem possível da meta de 1,5°C.
Ampliar a meta relacionada à transição para longe dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos exigiria, globalmente, uma redução da participação de carvão, petróleo e gás na oferta total de energia em, no mínimo, 55%, 15% e 5%, respectivamente, até 2035, em comparação com 2025. Para 2040, seriam necessárias reduções de pelo menos 75%, 30% e 35%, respectivamente.
Ao mesmo tempo, a geração de eletricidade a partir do carvão teria de cair pelo menos 75% até 2035, em relação aos níveis de 2025, e ser praticamente eliminada em escala global até 2040. As emissões de metano precisariam ser ao menos 25% inferiores aos níveis de 2025 até 2035 e ao menos 40% inferiores até 2040.
Para saber mais, acesse o relatório na página global do PNUMA e siga @unep_pt nas redes sociais!
O que eu posso fazer?
A mudança climática não é uma ameaça distante. É uma realidade que impacta nosso presente e o futuro da humanidade na Terra, nosso lar compartilhado.
Todas as pessoas podem apoiar a #AçãoClimática e ajudar a minimizar os impactos da mudança global do clima em nossas comunidades, cidades e na natureza.
Confira algumas dicas das Nações Unidas:
📢 Pressione as autoridades a adotarem políticas e práticas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e investirem nas capacidades de adaptação de nossas cidades aos efeitos da mudança do clima.
♻️ Faça escolhas sustentáveis no seu dia a dia e coloque em prática os cinco pilares do conceito do #ResíduoZero: repense, recuse, reduza, reutilize, recicle.
🌳 Procure obter mais informações sobre as cadeias de produção, e dê preferência a produtos e empresas que adotam práticas sustentáveis, incluindo a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade.
🗣️ Informe-se e compartilhe conhecimento com pessoas próximas e familiares. Conscientização é o primeiro passo para a mudança!
💚 Apoie e participe de iniciativas e organizações que atuam para a restauração de ecossistemas degradados pela ação humana.
📌 Confira mais informações na página especial da ONU Brasil sobre educação ambiental.
NOTA AOS EDITORES
Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal voz global em questões ambientais. A organização exerce liderança e promove parcerias em prol da proteção do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando países e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer o bem-estar das futuras gerações.
terça-feira, 27 de outubro de 2026
ONU parabeniza o Brasil por eleições participativas e pacíficas
O Sistema das Nações Unidas (ONU) no Brasil parabeniza o povo brasileiro pela realização de eleições gerais participativas e pacíficas, que resultaram na escolha de representantes dos poderes executivo e legislativo, em âmbito federal e estadual.
A ONU Brasil cumprimenta as autoridades eleitas e as brasileiras e os brasileiros por seu engajamento cívico e compromisso com o processo democrático, além de reiterar o apoio ao Brasil em seus esforços para promover o desenvolvimento justo, inclusivo e sustentável.
Para saber mais, siga @onubrasil nas redes sociais e acompanhe a cobertura da ONU News.
Acreditamos na luta coletiva, diz Greenpeace
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segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Guaíra-PR: Lula cresce 24,77% nos votos, enquanto Bolsonaro avança 4,58%
Em Guaíra, no Paraná, Lula conquistou 1.201 votos a mais entre o primeiro e o segundo turno, mais que o dobro dos 550 votos adicionais de Bolsonaro.
Os números da eleição presidencial revelam uma diferença expressiva no crescimento dos dois candidatos.
Jair Bolsonaro
1º turno: 12.008 votos (67,35%).
2º turno: 12.558 votos (67,49%).
Crescimento: 550 votos, ou 4,58%.
Luiz Inácio Lula da Silva
1º turno: 4.848 votos (27,19%).
2º turno: 6.049 votos (32,51%).
Crescimento: 1.201 votos, ou 24,77%.
O que chama a atenção?
Lula teve um crescimento proporcional de votos aproximadamente 5,4 vezes maior que o de Bolsonaro. Sua participação na votação aumentou 5,32 pontos percentuais, enquanto a de Bolsonaro subiu apenas 0,14 ponto percentual.
Apesar do avanço de Lula, Bolsonaro manteve a liderança em Guaíra, alcançando 67,49% dos votos válidos no segundo turno.
O dado que chama a atenção: Lula acrescentou 651 votos a mais que Bolsonaro entre os dois turnos, embora tenha permanecido em segundo lugar na cidade.
Análise baseada nos resultados eleitorais informados para Guaíra-PR. O crescimento percentual considera a votação de cada candidato no primeiro turno como base de comparação. A diferença de votos entre os turnos não permite identificar, por si só, como cada eleitor votou anteriormente.
E você, o que acha desses números? Compartilhe e participe do debate!
TETRA: Lula vence em virada histórica
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Contra o fim da escala 6×1 e das demarcações: os aliados de Flávio Bolsonaro servem às elites
Levantamento da Plataforma Congresso Anti-Indígena mostra que parlamentares bolsonaristas que se opuseram ao fim da escala 6×1 também atuam de forma sistemática contra os direitos dos povos indígenas
Por Luis Ventura Fernández, secretário executivo do Cimi
O fim da escala 6×1 é uma das principais discussões dentro do Congresso Nacional nos últimos tempos. Ontem (14) a proposta foi aprovada por 75 votos a favor e apenas um contrário. O senador Hamilton Mourão (Republicanos/RS), ex vice-presidente de Jair Bolsonaro, foi o único senador a votar contra e revelou que colegas do PL votaram a favor por ‘pressão popular’, não por convicção de que o texto é um direito a ser reconhecido. A pauta também está presente na disputa eleitoral entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo agora no segundo turno, que decide o futuro da democracia no Brasil. Para os candidatos à presidência, o debate se apresenta como um tema estratégico, visto que afeta de maneira direta a vida de aproximadamente 37 milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiras.
Existem duas perspectivas presentes sobre o fim da escala 6×1 nos planos de governos para os próximos quatro anos. O presidente Lula impulsiona o debate em favor da redução da jornada de trabalho, o que beneficiaria trabalhadoras e trabalhadores a contar com maior tempo para passar com sua família, se profissionalizar, ou que permitiria ocupar com lazer e descanso. Para Flávio Bolsonaro, a escala de trabalho foi debatida via fragilização dos direitos trabalhistas, com uma ilusória orientação de que empresa e empregado acordariam como proceder, sem uma regularização trabalhista e com uma disparidade de peso na decisão que não garantiria uma segurança ao trabalhador.
Flávio Bolsonaro precisou ceder um dia da votação da PEC 221/2019, em um oportunismo diante da campanha eleitoral. Certamente descontente em adaptar seu posicionamento e contradizer o que vinha sustentando até então, o senador sinalizou favorável ao fim da escala 6×1. A mudança ocorreu devido à pressão, como sinalizou o senador Hamilton Mourão, e Flávio Bolsonaro evitou desgaste em tempo de campanha. Uma pesquisa da Genial/Quaest indica que 72% da população brasileira é favorável à medida. Logo, o candidato do PL não opta pelo direito dos trabalhadores e trabalhadoras, mas assinala positivamente ao fim da escala 6×1 devido a uma obstinação quase patológica pelo poder que circunda a família Bolsonaro, na qual a ambição pessoal se sobrepõe a qualquer compromisso ético, democrático ou coletivo. Inclusive, os posicionamentos do presidenciável indicam uma possível revogação da decisão ocorrida ontem sobre a PEC do fim da escala 6×1.
No Legislativo, a temática foi debatida através da Proposta de Emenda à Constituição 221/2019, que prevê dois dias de repouso na semana e redução da carga horária máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. A intensa mobilização social em defesa das trabalhadoras e trabalhadores, ocupando as ruas e as redes pelo fim da escala 6×1, obrigou o Congresso Nacional a avançar no debate. A PEC iniciou as discussões na terça-feira (6), na plenária do Senado Federal e ontem (14), após cinco sessões de pronunciamentos, foi aprovada. Ainda assim, parlamentares aliados a Flávio Bolsonaro articularam para não comparecer ao plenário do Senado Federal para dificultar a formação do quórum necessário à votação que iniciou a discussão da matéria. Rogério Marinho (PL/RN), chefe da campanha de Flávio Bolsonaro, tentou pautar no mesmo dia antes da votação do fim da escala 6×1 a PEC do pagamento do trabalhador por horas trabalhadas, medida que fragiliza os direitos trabalhistas. E Tereza Cristina (PP/MS), que mudou o voto também só ontem, se articula para chegar à presidência do Senado, o que facilitaria a derrubada do que foi conquistado pela mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras.
O que une as duas pautas é a mesma agenda de interesses econômicos neoliberal que fragilizam direitos territoriais e trabalhistas, como mostram os dados a seguir.
A questão que cabe entender, desde a relação aos indígenas, é a afinidade entre a dignidade do trabalhador e da trabalhadora (jornada de trabalho e fim da escala 6×1) e os direitos dos povos. As semelhanças vão além dos parlamentares que votaram a favor ou contra esses direitos. É de conhecimento público que a agenda eleitoral se encontra aberta e com projetos tão dissonantes. Contudo, ainda que alguns políticos tenham readequado os discursos e votos, constrangidos pela força da mobilização social dos trabalhadores e das trabalhadoras, a decisão em permanecer ao lado dos trabalhadores não aconteceu para Flávio Bolsonaro e 23 parlamentares que apoiam o candidato à presidência. Nos debates sobre o fim da escala 6×1 que antecederam a aprovação na noite de ontem, foram 19 deputados e 4 senadores da ala bolsonarista que mantiveram sua posição contra o direito, sobretudo, das trabalhadoras. São principalmente as mulheres que sofrem com a sobrecarga na jornada de trabalho. O que une as duas pautas é a mesma agenda de interesses econômicos neoliberal que fragilizam direitos territoriais e trabalhistas, como mostram os dados a seguir.
Povos Indígenas, agronegócio e a relação com o trabalho
O agronegócio brasileiro se articulou politicamente na virada do século, em meio a disputas crescentes com o governo federal e com setores progressistas da sociedade civil. Muitos dos embates entre legislativo e executivo se deram em torno das questões agrária, ambiental, indígena, mas também trabalhista. Caio Pompeia, antropólogo pesquisador sobre o tema, analisa que entre os anos 1990 e 2000 o projeto do agronegócio se reconstitui, de maneira intersetorial, em um coletivo político. Isso fez com que, por volta de 2010, o agronegócio pudesse se consolidar e aglutinar forças para a promoção de metas extensivas comuns na retirada de direitos.
Desde então, percebe-se a captura da agenda política pelo agronegócio, por meio do Legislativo, acompanhada pelo aumento do poder político dos agentes da concertação, entendida como um fenômeno que articula, em torno da pauta do agronegócio, interesses de diferentes setores econômicos neoliberais. Nesse sentido, a relação entre um Congresso Nacional majoritariamente anti-indígena e a atuação de parlamentares contrários a direitos trabalhistas – aqui especificamente sobre o debate do fim da escala 6×1 – pode ser analisada a partir dessa convergência de interesses. A pauta ruralista, historicamente marcada por conflitos em torno dos direitos indígenas, passou a congregar não apenas produtores rurais que avançam as fronteiras agrícolas às terras tradicionais, mas diferentes segmentos que abrangem toda a cadeia produtiva, da produção ao processamento, à comercialização e à distribuição. É possível mencionar exemplos dessa abertura, como são os casos dos frigoríficos, varejo e supermercados (onde a 6×1 é regra) ou resgates de trabalho análogo à escravidão no campo, onde muitos trabalhadores resgatados são indígenas.
O que nos dizem os dados sobre o Congresso Nacional?
Diante a relação entre as temáticas do agronegócio e a atuação como campo intersetorial que ataca desde os direitos indígenas até os dos trabalhadores e trabalhadoras, é urgente analisar quem são os 23 parlamentares que votaram contra a escala 6×1 e como esses atuaram, nos últimos anos, na temática dos direitos indígenas. Essa é uma questão possível de ser analisada a partir da Plataforma Congresso Anti-Indígena, do Conselho Indigenista Missionário.
Os dados levantados pela Plataforma Congresso Anti-Indígena evidenciam que aqueles que votaram contra os direitos trabalhistas também tiveram um comportamento desfavorável aos povos indígenas, unificando as vertentes ruralista e liberal de mercado em uma agenda de retirada de direitos. Ou seja, a visão de mundo e a visão da política destes parlamentares consiste em um país em que as trabalhadoras e trabalhadores devem ser explorados até a exaustão, assim como as terras indígenas devem ser retiradas de seus verdadeiros donos e colocadas à disposição das elites econômicas. Esta visão de país, extremamente colonial e autoritária, é radicalmente contrária a um Estado Democrático de Direito e caminha no avesso da Constituição Federal e dos desafios de nosso tempo. Este motivo já deveria ser suficiente para que parlamentares que apoiam as pautas de retirada de direitos não continuassem ocupando espaço no Congresso Nacional, porque representam o que de pior existe na velha política oligárquica.
Se analisarmos o comportamento dos 19 deputados e deputadas que votaram contra o fim da escala 6×1 e, de forma sistemática, contra os direitos indígenas, um elemento de destaque é que 17 dos 19 deputados foram coautores do Requerimento de Comissão Parlamentar (RCP) nº 04/2024. O RCP 04/2024 solicita a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar “fatos relativos à demarcação”. O requerimento parte de parlamentares ligados à bancada ruralista e a interesses do agronegócio e da mineração, setores historicamente contrários à demarcação e proteção das terras indígenas. Este requerimento é uma forma evidente de uso do poder legislativo para disseminar uma narrativa de suspeição sobre a demarcação das terras indígenas e de criminalização de órgãos estatais como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF). O RCP 04/2024 aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados.
Alguns dos deputados que buscam restringir o avanço nos direitos trabalhistas também foram autores de outras proposições legislativas claramente contrárias aos povos indígenas. É o caso do deputado Nicoletti (PL/RR), autor do PL 2303/2023, que pretende regulamentar a mineração e a exploração de recursos hídricos nas terras indígenas; ou o deputado Carlos Chiodini (MDB/SC), autor do PL 5531/2019, que pretendia manter a posse de não indígenas sobre territórios tradicionais até depois do decreto de homologação.
É fundamental destacar que dos 19 deputados que votaram contra o fim da escala 6×1 na Câmara, três se elegeram para o senado nas eleições que ocorreram no domingo (4): Caroline de Toni (PL/SC), Marcel van Hattem (NOVO/RS) e Nicoletti (PL/RR). Constitui-se, com esses, um senado majoritariamente anti-indígena e contra os direitos trabalhistas.
Contra os direitos indígenas e trabalhistas, a serviço do clã Bolsonaro
Um dos pontos de destaque é que três dos quatro senadores que votaram contra o fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e que votam contra os direitos indígenas, também integraram o governo Bolsonaro. Dois atuaram como ministros – Rogério Marinho e Tereza Cristina, ministra da Agricultura (2019–2022) indicada com o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) – e um como vice-presidente, no caso de Hamilton Mourão. O senador Rogério Marinho (PL/RN) é, inclusive, o coordenador da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro; a senadora Tereza Cristina (PP/MS), uma das principais figuras do Agronegócio na política brasileira, chegou a ser cotada como vice nessa mesma chapa ou como eventual próxima presidenta do Senado.
Os quatro senadores que aparecem na tabela acima votaram sistematicamente contra os direitos dos povos indígenas nestes últimos quatro anos e são coautores de proposições inconstitucionais como o PDL 717/2024 ou as Propostas de Emendas à Constituição/PEC nº 10, 36, 48, 59 e 61. Todas essas propostas de emenda constitucional pretendem transferir a demarcação das terras indígenas ao Congresso Nacional ou regulamentar o arrendamento dentro das terras já demarcadas.
Defender os direitos indígenas e defender os direitos das trabalhadoras e trabalhadores são causas absolutamente fundamentais para a garantia da democracia no Brasil. Por isso, devem unir-se à maioria social para que, através de seu voto, consigam impedir que políticos que atuam contra os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, assim como os direitos indígenas, se elejam como representantes do povo contra o qual, sistematicamente, atuam. No contexto atual, cabe analisar sobre quem apoia quem na disputa pelo segundo turno.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Personagem infantil José Totoy estrela campanha do Dia Mundial da Alimentação 2026
O Dia Mundial da Alimentação (DMA), celebrado em 16 de outubro, este ano traz uma novidade: o personagem infantil José Totoy, o “Comilão”, como porta-voz da campanha no Brasil.
Com o slogan “Inovar hoje para nutrir o amanhã”, a campanha é uma iniciativa das agências das Nações Unidas que atuam no combate à fome no Brasil: a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (WFP), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
Pela primeira vez, o público infantil ocupa o centro da iniciativa. Este ano, é o personagem José Totoy, “o Comilão”, que dará o recado sobre os desafios da fome e da má alimentação, e a importância da inovação para tornar os sistemas agroalimentares mais sustentáveis, inclusivos e resilientes.
Por meio de uma linguagem simples, acessível e lúdica, a ideia é sensibilizar as crianças, que são o futuro do planeta, e suas famílias.
Neste Dia Mundial da Alimentação, junte-se a nós. Juntos podemos inovar hoje para nutrir o amanhã.
Totoy
A Totoy Corp, empresa que criou o personagem, em colaboração com as agências da ONU no Brasil, produziu um episódio especial dedicado ao DMA 2026. O conteúdo será lançado no dia 16 de forma simultânea no Youtube da Totoy e em todas as plataformas digitais das agências envolvidas. Além disso, José Totoy estará presente em cartazes distribuídos em mobiliários urbanos de algumas cidades do país levantando a bandeira da campanha.
José Totoy foi escolhido como símbolo do DMA 2026 por incorporar valores diretamente alinhados ao tema da campanha. O personagem planta aquilo que come e traz a alimentação saudável, a amizade, a curiosidade e a natureza para o centro de suas histórias. Por meio de experiências cotidianas, José descobre que a melhor forma de aprender é pela tentativa e exploração.
Fenômeno internacional entre o público infantil, com conteúdos disponíveis em mais de 30 idiomas em plataformas de streaming e no Youtube, o personagem já registrou 26 bilhões de visualizações, e tem mais de 50 milhões de seguidores em sua rede global de canais.
Por isso, a parceria com a FAO, que lidera a campanha internacionalmente, extrapolou o território nacional: o episódio da animação dedicada ao DMA 2026 terá versões em inglês e espanhol, que serão reproduzidas nas redes sociais e em cerca de 190 países pelo Youtube.
Herói da Alimentação
A FAO nomeou o personagem como “Herói da Alimentação” e “Campeão da FAO” (FAO Champion), ganhando assim uma página com sua biografia em inglês, português e espanhol, no site regional e global da organização.
Os “Heróis da Alimentação” designados pela FAO são lideranças influentes, que apoiam e fortalecem suas comunidades por meio de ações concretas em torno da alimentação, gerando impactos positivos diante dos desafios globais.
Inserir um personagem de desenho animado é algo inovador dentro da organização, bem como conceder o título de “Campeão da FAO”, obtido mediante um processo de avaliação de integridade, reputação e alcance público para formalização da parceria. Geralmente são designados especialistas, chefs, atletas, influenciadores, artistas ou lideranças reconhecidas em áreas relacionadas.
“Esta parceria é uma oportunidade de aproximar crianças e famílias dos temas relacionados à alimentação, à nutrição e ao desenvolvimento sustentável. As crianças são especialmente receptivas ao aprendizado e à construção de valores e serão os futuros tomadores das decisões que moldarão nossos sistemas agroalimentares e o planeta”, afirma o representante da FAO no Brasil, Jorge Meza.
Meza acrescenta que o tema da inovação, mote do slogan da campanha do DMA 2026, deve ser compreendido de maneira ampla:
“Inovar não é só investir em tecnologia de ponta. Significa também encontrar novas formas de aplicar conhecimentos tradicionais, compartilhar experiências, conectar saberes e construir soluções adaptadas às realidades locais. A inovação deve estar a serviço das pessoas e contribuir para transformar os sistemas agroalimentares.”
“Neste Dia Mundial da Alimentação, somos convidados a refletir sobre como as escolhas e as ações de hoje moldam o futuro da alimentação. Com a ajuda do José Comilão, queremos inspirar crianças, jovens e famílias a adotarem hábitos alimentares mais conscientes e a se tornarem protagonistas de um futuro sem fome”, afirma o diretor do Centro de Excelência contra a fome do WFP no Brasil, Daniel Balaban.
“Inovar hoje é também pensar nas condições que queremos construir para a alimentação de amanhã. Isso passa por valorizar os conhecimentos das comunidades rurais, ampliar o acesso a novas tecnologias e criar oportunidades, especialmente para os jovens rurais, para que possam permanecer, empreender e contribuir ativamente para a transformação dos sistemas alimentares”, afirmou o diretor do FIDA no Brasil, Arnoud Hameleers.
“Conhecer de onde vêm os alimentos é um passo importante para valorizar quem os produz e compreender a relação entre agricultura, natureza e saúde. Ao levar essa mensagem às crianças por meio do José Totoy, a campanha aproxima o campo do cotidiano das famílias e estimula o cuidado com a alimentação e o meio ambiente. Para o IICA, inovar também é criar caminhos para compartilhar conhecimentos e fortalecer uma agricultura capaz de nutrir as próximas gerações”, esclarece o representante do IICA no Brasil, Gabriel Delgado.
“Ver o José Totoy, um personagem que criamos com tanto carinho e atenção, participar de um projeto de importância global como esse nos traz muita alegria. Essa parceria reconhece o cuidado que dedicamos às histórias e nos permite contribuir para que a alimentação seja um assunto presente na vida das crianças desde cedo. Para nós, é uma satisfação fazer parte dessa mobilização com um desenho brasileiro”, enfatiza o cofundador da Totoy Corp, André Vaz.
Mobilização infanto-juvenil
O DMA conta com outras ações educativas para mobilização do público infanto-juvenil. Este ano, a FAO produziu uma versão em português de uma animação infantil. Também foi distribuída a versão em português, de um Livro de Atividades para que educadores e pais ajudam crianças e jovens a explorar sobre inovações nos sistemas agroalimentares e sobre os desafios globais por meio de histórias e de projetos reais da FAO.
E até o dia 6 de novembro, crianças e jovens entre 5 e 19 anos podem participar do Concurso de Cartazes com o tema “Inovar hoje para nutrir o amanhã”.
Projeção urbana
Quem estiver circulando pelo Plano Piloto, em Brasília, às 18h do dia 16 de outubro, poderá assistir à exibição do vídeo institucional do Dia Mundial da Alimentação 2026 em mobiliários urbanos e nos painéis de led gigantes da fachada do CONIC, centro comercial e cultural localizado no Setor de Diversões Sul.
Os painéis têm visibilidade na Esplanada dos Ministérios, no centro da capital federal, uma das áreas de maior circulação do Distrito Federal. A iniciativa das agências da ONU é realizada graças à parceria com a Mosaico/weOOH e a Visualplac, que disponibilizam seus espaços de mídia sem custos para a veiculação da campanha como contribuição de interesse público às ações de conscientização.
SERVIÇO
Onde assistir à animação do José Totoy em português:
Canais do Youtube:
Redes sociais:
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Animação Infantil Institucional da FAO do Dia Mundial da Alimentação 2026
Vídeo institucional da FAO do Dia Mundial da Alimentação 2026 que será exibido no CONIC e nos Mobiliários Urbanos
