sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Em paralelo à COP do clima, Senado tenta avançar com PL que acelera degradação ambiental quilombola


Com intensa flexibilização do licenciamento ambiental, Projeto de Lei 2159 deve impactar quase a totalidade dos territórios quilombolas. 

 

Parlamentares defensores dos interesses do agronegócio impulsionados pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) mobilizam novos esforços para avanço no Senado Federal do Projeto de Lei 2.159/2021, que redefine as normas para licenciamento ambiental. Aprovado em maio de 2021 na Câmara dos Deputados, a articulação do agronegócio no Legislativo tem sinalizado que, em breve, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) deve apresentar seu relatório na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) da casa legislativa.  

Em nota técnica divulgada nesta quinta-feira (21) a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a Terra de Direitos denunciam que, caso aprovada, a medida deve acelerar a degradação ambiental dos territórios quilombolas, ampliar o racismo ambiental contra as comunidades e causar grandes retrocessos nos direitos fundamentais garantidos aos povos e comunidades tradicionais do Brasil. Isso porque, ainda que "PL da destruição", como é conhecido, regulamente a regras gerais para o licenciamento de atividade ou de empreendimento de potencial dano ambiental, a flexibilização e o desmonte das atuais regras, contidas no texto do projeto, causarão impactos profundos para os territórios tradicionais quilombolas. Atualmente, o licenciamento ambiental é regido pela Portaria Interministerial 60/2015 e pela Instrução Normativa 111/2021.    

Acesse aqui a nota técnica sobre o PL 2.159/2021

"O PL 2.159/2021 denota a tentativa de fragilizar a legislação ambiental, a fim de que empresas possam se instalar e operar sem os óbices dos procedimentos exigidos para outorga de licenças, implicando em risco ao meio ambiente e aos modos de vida das mais de 8.400 localidades quilombolas identificadas pelo IBGE no Censo 2022, e grave violação aos direitos fundamentais assegurados na Constituição Federal", aponta a nota conjunta.  

"Com aprovação do PL da forma que está o impacto é certo nas comunidades quilombolas, pois o atual projeto exclui do processo de licenciamento a consulta, livre, previa e informada mais de 90% das comunidades quilombolas, tendo em vista que no atual projeto só serão consultadas as comunidades com o território delimitado, o que constitui violação de direitos daquelas comunidades que já estão tendo seus direitos violados pelo estado que não delimitou e titulou o território, passados mais de 36 anos da garantia constitucional. Não é justo que, as comunidades quilombolas sejam penalizadas sucessivamente por danos das quais não deram causa", destaca a coordenadora jurídica da Conaq, Vercilene Dias. 

As organizações ainda questionam o esforço da bancada ruralista em avançar na aprovação do "PL da destruição" ao mesmo momento em que as atuais normativas de licenciamento ambiental para quilombos devem passar por revisão pela Diretoria de Territórios Quilombolas, área recriada em setembro e lotada no Incra, responsável pelas atividades de licenciamento ambiental em quilombos. 

"O que precisamos nesse momento é que a diretoria do Incra revise as normativas existentes sobre o processo de licenciamento, que foi feita sem consulta às comunidades e tem acirrado conflitos em territórios quilombolas, ao reproduzindo vícios presentes nas normativas anteriores que violam direitos quilombolas", complementa Vercilene. A liderança aponta que a aprovação de uma normativa "prejudica não só as comunidades quilombolas que, buscarão o poder judiciário para fazer cessar violações, mas também o próprio empreendedor que ficará preso a um imbróglio jurídico por anos, que possivelmente teria sido evitado se o Estado brasileiro cumprisse com suas obrigações constitucionais, legais e supralegais de consultar as comunidades quilombolas sobre as medidas que lhes afetam", destaca. 

Abaixo, apresentamos algumas das principais alterações previstas na Lei e de impactos para comunidades quilombolas.  

  

Alta restrição  
O Projeto de Lei em tramitação no Senado estabelece que apenas territórios quilombolas titulados serão considerados em procedimentos de licenciamento ambiental. Com isso, o processo de licenciamento ambiental se aplicaria apenas para os atuais 24 territórios quilombolas com títulos totais de um universo de 8.400 comunidades quilombolas reconhecidas pelo IBGE, o que representa 0,28% das comunidades quilombolas. As organizações apontam que a redação do Projeto de Lei é vaga ao não tratar se o processo de licenciamento ambiental se aplica para territórios com titulação parcial.  

Pela atual legislação apenas territórios quilombolas com Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) publicados que podem ter a elaboração de análises para medição de impactos do empreendimento ao território. Dos 1.906 processos atualmente em aberto no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) 327 tem RTID publicados.  Como a publicação do RTID é etapa anterior à emissão do título no processo de regularização fundiária, uma eventual mudança da lei reduziria ainda mais o número de comunidades quilombolas submetidas a processo de licenciamento ambiental. 

A mudança da norma, caso aprovado o PL, reduziria ainda mais o universo de comunidades que teria, por exemplo, o desenvolvimento de estudos de impacto ambiental do empreendimento, que possa participar de ações de consulta prévia para validação ou não da iniciativa e negociar previamente medidas de compensação aos territórios pelos impactos da construção e operação de uma hidrelétrica ou mineradora, por exemplo. 

Como a atribuição de titular um território quilombola é do Estado brasileiro, restringir a aplicação de uma lei de proteção ambiental à territórios titulados é, na avaliação da CONAQ e Terra de Direitos, uma punição do Estado às comunidades sobre um papel que o próprio Estado não tem cumprido. Para as organizações esse afunilamento da aplicação da licença ambiental aprofunda o racismo ambiental. "A utilização do critério de titulação enquanto requisito para o reconhecimento da existência quilombola em zonas de influência direta do empreendimento é beneficiar o Estado brasileiro por sua própria torpeza", alertam na nota.  

Considerando o atual ritmo de titulação do Estado brasileiro, a aplicação da licença ambiental não deve sofrer grandes variações nos próximos anos. Segundo levantamento da Terra de Direitos realizado em maio deste ano, serão necessários 2.708 anos para titular integralmente os territórios com processos abertos no Incra, caso seja mantido o atual ritmo. Ainda que o atual governo tenha maior abertura para a pauta, não houve aceleração significativa das titulações nos últimos períodos.  

"O enfraquecimento das políticas de segurança ambiental, como é o caso do que propõe o PL 2.159 em relação ao licenciamento ambiental, pode gerar um aprofundamento do racismo ambiental contra os quilombos, ao permitir que não haja fiscalização aos empreendimentos e avaliação de seus impactos, nem mesmo medidas de compensação quanto aos danos ao meio ambiente e às comunidades", aponta a nota. 

Ausência de consulta prévia 
As organizações ainda destacam que, ao contrário do que determina a Convenção 169, o Projeto de Lei 2.159 também não passou por processo de consulta prévia, livre e informada às comunidades quilombolas. A Convenção determina que medidas administrativas e legislativas de impacto aos territórios e modos de vida de povos tradicionais devem ser submetidas à consulta.  

O prazo para manifestação da "autoridade envolvida", cargo criado pelo projeto de lei, também inviabiliza a realização de consulta às comunidades diante de empreendimento de impacto ao território tradicional. Pelo PL2.159 a autoridade possui o prazo máximo de 40 dias para se manifestar sobre o empreendimento, o que compreende a realização da consulta e outros estudos. Com isso o projeto de lei em tramitação contribui com a invisibilização das comunidades quilombolas e não reconhecimento pela lei e empreendimento.  

Caso a lei seja aprovada serão recorrentes situações como a da violação de direitos das mais de 14 comunidades quilombolas do oeste do Pará. Em 2013 a Empresa Brasileira de Portos de Santarém iniciou as atividades em Santarém (PA) e relatou no Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA) – elaborado após 2 anos de intensa reivindicação das comunidades – que "na área diretamente afetada pela implantação do Porto da Embraps não foram encontradas populações tradicionais legalmente reconhecidas". A ausência de reconhecimento da existência das comunidades e de processo de consulta prévia contribuiu para intensos impactos ambientais pelo empreendimento. 

"Se o PL 2.159/2021 for aprovado, empreendimentos que estão sobrepostos à territórios quilombolas terão o licenciamento ambiental simplificado e avançarão cada vez mais sobre os territórios. Casos como do quilombo Pérola do Maicá (Santarém), que está cercado por portos que foram instalados sem obedecer a legislação ambiental, serão cada vez mais recorrentes", aponta a assessora jurídica popular da Terra de Direitos, Selma Corrêa.  

Impactos ambientais e climáticos 
As organizações destacam que as novas regras de licenciamento ambiental propostas no Projeto de Lei devem intensificar o colapso climático. Isto porque coloca "em xeque os aspectos procedimentais dos instrumentos da política nacional de meio ambiente", aponta a nota.  

Para as autoras da nota técnica os esforços da bancada ruralista e de setores como da mineração para flexibilizar a regras de licenciamento vão na contramão dos movimentos internacionais de avaliação de impactos de empreendimentos e de reconhecimento dos territórios tradicionais como áreas de preservação e equilíbrio climático.  

De acordo com o MapBiomas, os territórios quilombolas são os que apresentam as menores taxas de desmatamento. Entre 1985 e 2022 a perda de vegetação nativa foi de 4,7% contra 17% de áreas privadas. Em territórios titulados a taxa é ainda menor: 3,2%. 

Kathllen Tiê, assessora jurídica da Terra de Direitos, afirma que a aprovação do PL da Destruição vai contra os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil nas Conferências das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU, as COPs. "A aprovação do PL 2159/2023, que flexibiliza o licenciamento ambiental, contraria os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil nas COPs, especialmente ao ignorar a proteção de territórios quilombolas, que são essenciais para mitigar a crise ambiental e climática. Enquanto a comunidade internacional se reúne na COP 29  em Baku, Azerbaijão, em busca de acordos para alcance das metas climáticas de resfriamento do planeta, o Brasil caminha na direção oposta, fragilizando salvaguardas ambientais. 

Fonte: Terra de Direitos

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Relatório do UNAIDS mostra que defesa dos direitos humanos é essencial para acabar com a AIDS


Antes do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, 1º de dezembro, um novo relatório do UNAIDS mostra que o mundo pode alcançar a meta acordada de acabar com a AIDS como uma ameaça à saúde pública até 2030 – mas apenas se as lideranças protegerem os direitos humanos de todas as pessoas que vivem com HIV e mais expostas ao risco de infecção pelo vírus. 

A mensagem do relatório é resumida em seu título: "Sigamos o caminho dos direitos". 

O lançamento aconteceu no dia 26 de novembro e teve a participação da Cecília Ishitani, representante da Missão Permanente do Brasil junto à ONU e demais Organismos Internacionais em Genebra. 

"Apesar do enorme progresso feito na resposta ao HIV, as violações dos direitos humanos ainda estão impedindo o mundo de acabar com a AIDS", disse Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS. "Quando meninas são negadas à educação; quando há impunidade para a violência de gênero; quando as pessoas podem ser presas por quem são ou por quem amam; quando uma visita aos serviços de saúde é perigosa para as pessoas por causa da comunidade a que pertencem – o resultado é que as pessoas são impedidas de acessar os serviços de HIV que são essenciais para salvar suas vidas e acabar com a pandemia de AIDS. Para proteger a saúde de todas as pessoas, precisamos proteger os direitos de cada pessoa." 

Dados globais sobre HIV

Das 39,9 milhões de pessoas vivendo com HIV, cerca de 23% (9,3 milhões) ainda não acessam o tratamento antirretroviral.  

Em 2023, 630 mil pessoas morreram por doenças relacionadas à AIDS, e 1,3 milhão de pessoas em todo o mundo testaram positivo para o HIV. Em pelo menos 28 países, o número de novas infecções por HIV está aumentando. Para reduzir a trajetória da pandemia, é crucial que os programas que salvam vidas possam ser alcançados sem medo por quem precisa deles. 

Diariamente, em 2023, 570 jovens mulheres e meninas com idades entre 15 e 24 anos foram infectadas pelo HIV. Em pelo menos 22 países da África Oriental e Austral, mulheres e meninas dessa faixa etária têm três vezes mais chances de viver com HIV do que meninos jovens homens. 

"A nenhuma menina deve ser negada a educação e à informação necessária para se manter segura. A discriminação e a violência contra meninas devem ser tratadas como uma emergência de direitos humanos e saúde", disse Nomonde Ngema, ativista de 21 anos que fala sobre HIV. 

A criminalização e estigmatização impedem o acesso a serviços de HIV 

Na Declaração Política de 2021 sobre o Fim do HIV/AIDS, os países se comprometeram a garantir que até 2025 menos de 10% dos países tenham estruturas jurídicas e políticas restritivas que levem à negação ou limitação do acesso aos serviços de HIV. 

No entanto, em 2023, 63 países ainda criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo. Essas leis estão prejudicando a resposta ao HIV: Entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, a prevalência do HIV é cinco vezes maior em países que criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo do que naqueles que não criminalizam. 

"Leis e políticas punitivas mantêm as pessoas vulneráveis longe da ajuda de que precisam para prevenir o HIV, testar o HIV e tratar o HIV", disse Axel Bautista, gerente de engajamento comunitário da MPact Global Action for Gay Men's Health & Rights (Ação Global MPact para a Saúde e Direitos dos Homens Gays, em tradução livre para o português). "Em vez de punir comunidades marginalizadas, os governos precisam defender seus direitos humanos." 

Inovações científicas na prevenção ao HIV

A ciência continua a inovar contra a AIDS Medicamentos de ação prolongada que precisam ser utilizados apenas algumas vezes por ano podem mudar a realidade em relação à prevenção ao HIV, mas apenas se uma abordagem de direitos humanos for adotada para compartilhar a tecnologia, reduzir os preços e permitir a produção em todas as partes do mundo. 

"Ferramentas médicas que salvam vidas não podem ser tratadas apenas como mercadorias", disse Alexandra Calmy, líder de HIV dos Hospitais Universitários de Genebra. "As opções terapêuticas e preventivas revolucionárias que estão sendo desenvolvidas atualmente devem ser acessíveis sem demora para alcançar a cobertura universal." 

"Nós conhecemos o caminho para construir uma sociedade na qual todas e todos prosperamos", disse Jeanne Gapiya-Niyonzima, primeira pessoa no Burundi a anunciar publicamente que vivia com HIV e fundadora da Association for Support for HIV-Positive People with AIDS (ANSS), Associação de Apoio às Pessoas HIV-Positivas com AIDS, em tradução literal para o português. "Se o mundo quer acabar com a AIDS como uma ameaça à saúde pública, precisa proteger os direitos de cada pessoa." 

Sobre o Lançamento
O lançamento aconteceu no dia 26 de novembro e teve a participação da Cecília Ishitani, representante da Missão Permanente do Brasil junto à ONU e demais Organismos Internacionais em Genebra. Entre as informações mencionadas, Cecília lembrou que o Brasil foi o primeiro país do mundo a oferecer tratamento gratuito para as pessoas vivendo com HIV, mencionou legislação que protege os direitos das pessoas vivendo com HIV e do compromisso do G20, liderado pelo Brasil, para acabar com a AIDS até 2030. Cecília também reforçou as 900 mil pessoas em tratamento e orçamento de U$ 500 milhões para a resposta ao HIV.

Sobre o Relatório Global

O relatório inclui dez ensaios de lideranças convidadas na resposta global à AIDS, incluindo: Elton John; Thabo Makgoba, arcebispo da Cidade do Cabo; Michael D. Higgins, presidente da Irlanda; Volker Türk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos; e Adeeba Kamarulzaman, ex-presidente da Sociedade Internacional de AIDS.

O Relatório Global está disponível, em inglês, na página de Relatórios e Publicações do UNAIDS. Abaixo, segue o sumário executivo, também em inglês, com as principais informações do documento.


Focus Brasil #169 - A tentativa violenta de golpe de Estado de Bolsonaro





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terça-feira, 19 de novembro de 2024

FAO conclama todos os seus membros e parceiros a se unirem à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza



PARANÁ PLAN
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Iniciativa do G20 é oficialmente lançada no Brasil, durante a Cúpula de Líderes do grupo das maiores economias do mundo realizada no Rio de Janeiro. 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) sediará o Mecanismo de Apoio da Aliança Global. 

Legenda: Durante a sessão especial da Cúpula do G20 sobre o combate à fome e à pobreza, o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, instou todos os membros e parceiros da FAO a aderirem à nova Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada oficialmente nesta segunda-feira (18/11) durante a Cúpula de Líderes do G20, no Brasil.
Foto: © FAO

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), QU Dongyu, instou hoje todos os membros e parceiros da FAO a aderirem à nova Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada oficialmente durante a Cúpula de Líderes do G20, no Brasil.

Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma iniciativa elaborada pela presidência brasileira do G20, busca oferecer uma plataforma ambiciosa e urgente para acelerar o progresso rumo ao cumprimento dos compromissos internacionais de erradicação da pobreza e da fome até 2030 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 1 e 2), além de reduzir as desigualdades (ODS 10).

Durante uma sessão especial da Cúpula do G20 sobre o combate à fome e à pobreza, Qu elogiou o Governo do Brasil e o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva por seu compromisso pessoal em colocar a redução da fome, da pobreza e das desigualdades no centro das discussões do G20, com uma iniciativa concreta e ações de apoio.

"Alcançar a fome zero é possível. Isso exige esforços coletivos ainda mais fortes e estratégias para enfrentar os desafios econômicos, ambientais, sociais e institucionais que perpetuam a pobreza e a fome." - Qu Dongyu, diretor-geral da FAO

FAO como membro fundador da Aliança Global

A FAO aderiu à Aliança Global como membro fundador, juntamente com outras agências das Nações Unidas, governos, instituições financeiras internacionais, fundações filantrópicas e instituições de conhecimento.

Papel da FAO na Aliança Global

Qu destacou que a FAO sediará o Mecanismo de Apoio da Aliança Global na sede da Organização em Roma, em estreita colaboração com outras agências da ONU e instituições financeiras internacionais. Esse mecanismo busca otimizar os três pilares – conhecimento, financiamento e ação – no nível nacional.

O diretor-geral da FAO ressaltou que o princípio fundamental da Aliança Global é o poder da ação coletiva para apoiar a implementação de instrumentos políticos baseados em evidências, bem como promover a eficiência e a complementaridade no financiamento coordenado, garantindo progresso real e mensurável para erradicar a fome e a pobreza.

A FAO fornecerá assistência técnica aos países implementadores, colocando à disposição seu considerável conhecimento sobre segurança alimentar e desenvolvimento rural inclusivo, com o objetivo de levar expertise e exemplos de boas práticas às regiões mais necessitadas.

A Aliança contará com uma "cesta de políticas" que reúne políticas de sucesso com impacto significativo na erradicação da pobreza e da fome. A FAO contribuiu amplamente para os 50 instrumentos políticos identificados até o momento, que incluem desde programas de transferência de renda e garantia de emprego até mecanismos para garantir financiamento e crédito inclusivos, possibilitando que pequenos agricultores tenham acesso a tecnologias resilientes ao clima, por exemplo.

Os "sprints" da Aliança Global

A Aliança Global envolve seis "sprints", que são áreas de alto impacto para ações iniciais. São eles:

  • Alimentação escolar
  • Transferências de renda
  • Programas de apoio a pequenos agricultores e agricultura familiar
  • Programas de inclusão socioeconômica
  • Intervenções integradas de saúde materna e na primeira infância
  • Soluções para acesso à água

Por exemplo, a FAO pretende alavancar 128 intervenções programáticas atuais que apoiam pequenos produtores em todas as regiões para integrar um dos "sprints" da Aliança Global focado em pequenos agricultores.

Desafios para redução da fome e erradicação da pobreza

Os esforços para reduzir a fome e erradicar a pobreza têm sido desacelerados pela recuperação econômica desigual após a pandemia de COVID-19, conflitos, impactos da crise climática e outras causas. 

Cerca de 733 milhões de pessoas, ou 9,1% da população mundial, enfrentam fome crônica, e aproximadamente 2,8 bilhões de pessoas não podem pagar por uma dieta saudável, segundo as estimativas mais recentes da FAO.

O diretor-geral tem buscado integrar o trabalho da FAO junto ao G7, às cúpulas da COP (COP16 e COP29) e, mais recentemente, à cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), no Peru, para apoiar a Aliança Global do G20.

A Aliança "promove a ação coletiva mesmo além dos membros do G20" e é um mecanismo muito importante para apoiar os esforços da FAO no cumprimento de seu mandato, afirmou.

Para saber mais, siga @FAOBrasil no X e visite a página da FAO no Brasil


Brasil e UNIDO lançam projeto para reduzir emissões de mercúrio na indústria de cimento


PARANÁ PLAN Consultoria Ambiental
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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial anunciaram nesta segunda (11) um novo projeto financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) para fortalecer a capacidade nacional de monitoramento e controle das emissões de mercúrio na produção de cimento.

O objetivo do projeto é mitigar a emissão de 7,8 toneladas de mercúrio e 3 milhões de toneladas de CO₂ resultantes da produção de cimento até 2030.

Legenda: O "Projeto GEF - Controle e Redução de Emissões de Mercúrio da Indústria de Cimento no Brasil" foi lançado durante um workshop híbrido realizado em 11 de novembro de 2024 na sede do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em Brasília - DF.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) lançaram o Projeto GEF - Controle e Redução de Emissões de Mercúrio da Indústria de Cimento no Brasil durante um workshop híbrido realizado nesta segunda-feira (11/11) em Brasília - DF. 

Financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), a nova iniciativa visa fortalecer a capacidade do governo brasileiro de monitorar e controlar as emissões de mercúrio na produção de cimento. 

A principal meta do projeto é mitigar a emissão de 7,8 toneladas de mercúrio e 3 milhões de toneladas de CO₂ no setor de cimento até 2030, data prevista para o fim do projeto.

A equipe do projeto trabalhará em conjunto com o setor industrial e a academia, apoiando os compromissos do Brasil com a Convenção de Minamata – acordo ambiental internacional ratificado pelo Brasil em 2017 – e com as metas nacionais de descarbonização.

As principais atividades do projeto serão:

  • Revisão regulatória.
  • Desenvolvimento de um sistema de monitoramento e controle de emissões de mercúrio.
  • Diretrizes para melhores práticas e tecnologias com maior sustentabilidade ambiental.
  • Soluções para mitigação de emissões de CO2 que garantam que o mercúrio não seja introduzido na composição de combustíveis alternativos.
  • Promoção da reciclagem de concreto e cimento.

Workshop de lançamento 

O evento reuniu, na sede do MMA em Brasília - DF, representantes das instituições parcerias, pesquisadores, especialistas da indústria e líderes do setor para apresentar e discutir os objetivos e desafios do novo projeto.

Especialistas da UNIDO também apresentaram as atividades planejadas para os próximos seis meses, período em que o documento do projeto será formulado, com início da implementação previsto para 2025.

Em seu discurso de boas-vindas, o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, destacou a importância do projeto para a sustentabilidade na indústria de cimento: 

"Este projeto é um passo significativo no fortalecimento da capacidade de monitoramento da indústria de cimento do Brasil, possibilitando a análise e aplicação das melhores práticas ambientais globais."

O chefe da Divisão de Economia Circular e Indústria Verde da UNIDO, Smail Alhilali, ressaltou o compromisso do Brasil com práticas industriais sustentáveis: 

"O Brasil é um membro muito importante da UNIDO, e temos aqui uma oportunidade de implementar um projeto que apoia o desenvolvimento industrial inclusivo e sustentável, alinhado aos esforços do Brasil para descarbonização e desintoxicação."

O representante da UNIDO no Brasil, Clovis Zapata, enfatizou os esforços do Brasil na cooperação internacional para catalisar a descarbonização industrial nacional: 

"A Convenção de Minamata é um grande esforço internacional, e estamos comprometidos em ajudar o Brasil a alcançar suas metas nacionais. Este projeto é uma oportunidade para avançar com a indústria de cimento do Brasil em direção a práticas mais sustentáveis."

Sobre o projeto

Projeto GEF - Controle e Redução de Emissões de Mercúrio da Indústria de Cimento no Brasil visa envolver o governo federal, o setor privado, instituições internacionais, universidades e a sociedade civil na implementação das melhores práticas ambientais e tecnologias existentes para a produção sustentável de cimento no Brasil. A iniciativa inclui a promoção de combustíveis alternativos e a reciclagem de cimento, considerando as necessidades específicas do setor de fabricação de cimento nacional.

Em sua apresentação no workshop de lançamento, a coordenadora nacional do projeto pela UNIDO, Renata Marques, explicou a fase atual: 

"Estamos na fase preparatória deste projeto, focados em expandir a capacidade institucional para demonstrar como tecnologias avançadas e práticas sustentáveis podem ajudar a reduzir as emissões de mercúrio, beneficiando tanto o meio ambiente quanto as comunidades impactadas."

O oficial de Desenvolvimento Industrial da UNIDO, Vladimir Anastasov, destacou o papel do GEF no projeto: 

"A parceria com o GEF oferece uma possibilidade de fortalecer iniciativas nacionais e aumentar as credenciais ambientais do país, apoiando o compromisso do Brasil com a redução de emissões. Ela incentiva uma abordagem integrada para o desenvolvimento de novos padrões e práticas técnicas adaptadas ao cenário brasileiro."

Para saber mais, visite a página do projeto no site do GEF (em inglês): https://www.thegef.org/projects-operations/projects/11574 



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