quarta-feira, 11 de março de 2026

FAO e Brasil renovam aliança para fortalecer a cooperação Sul-Sul trilateral no Sul Global


O governo do Brasil e a FAO atuam juntos em diversas iniciativas de Cooperação Sul-Sul, impulsionando o desenho e a implementação de políticas públicas em áreas como agricultura familiar, alimentação escolar e desenvolvimento rural sustentável, entre outras.

Brasil e FAO renovaram em 5 de março de 2026, em Brasília, durante a Conferência Regional da FAO, um acordo para ampliar a Cooperação Sul-Sul, visando fortalecer sistemas agroalimentares e fortalecer políticas públicas para combater fome e desigualdades.
Legenda: Em 5 de março de 2026, durante a Conferência Regional da FAO em Brasília, o Governo do Brasil e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) renovaram parceria para ampliar a Cooperação Sul-Sul, visando fortalecer sistemas agroalimentares e fortalecer políticas públicas para combater a fome e as desigualdades.
Foto: © FAO/Max Valencia.

O Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assinaram, durante o 39º período de sessões da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, um novo acordo de cooperação técnica Sul-Sul trilateral para continuar trabalhando, juntamente com os governos dos países do Sul Global, pela transformação dos sistemas agroalimentares.

Com base em sua bem-sucedida experiência em políticas e programas de combate à fome e à pobreza, o Brasil mantém seu firme compromisso de compartilhar conhecimentos, experiências e lições aprendidas por meio da cooperação Sul-Sul.

A FAO conta com mais de 40 anos de experiência como promotora e facilitadora da cooperação Sul-Sul e da cooperação trilateral nas áreas de agricultura, segurança alimentar e nutricional.

Com este novo acordo, prevê-se ampliar a participação de instituições brasileiras no intercâmbio de conhecimentos e experiências para o fortalecimento de capacidades de países do Sul Global. Além disso, busca-se implementar novas iniciativas conjuntas e continuar contribuindo para o avanço das agendas regionais e globais que têm como objetivo erradicar a fome e reduzir as desigualdades por meio de políticas inclusivas voltadas aos que mais necessitam.

O documento foi assinado na última quinta-feira (05/03) pela diretora-geral adjunta da FAO, Beth Bechdol, e pelo diretor da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), Embaixador Ruy Pereira.

Ao longo dos últimos 18 anos, a FAO e o Governo do Brasil trabalharam juntos, com foco prioritário na América Latina e no Caribe, compartilhando conhecimentos e boas práticas por meio do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil–FAO.

Essa atuação conjunta tem promovido o fortalecimento de capacidades em áreas prioritárias como segurança alimentar e nutricional, alimentação escolar, agricultura familiar, fortalecimento de cadeias produtivas como a do algodão, desenvolvimento rural sustentável e governança da terra. A cooperação técnica de instituições brasileiras tem sido fundamental, juntamente com as contribuições da FAO como plataforma neutra, facilitadora e catalisadora de políticas que podem ser adaptadas e ampliadas para outros países.

Além disso, foram incorporadas duas novas iniciativas que reforçam a cooperação: uma voltada ao fortalecimento dos sistemas agroalimentares urbanos dirigidos a populações vulneráveis, e outra focada na melhoria dos sistemas públicos de abastecimento de alimentos, ampliando o alcance e o impacto da cooperação na região.

Resultados

Ao longo da trajetória de cooperação entre a FAO e o Brasil, foram alcançados importantes resultados na América Latina e no Caribe, entre os quais se destacam:

  • capacitação de mais de 40 mil profissionais em alimentação escolar, com impacto direto em 1,6 milhão de estudantes de mais de 23 mil escolas, por meio da metodologia de Escolas Sustentáveis.
  • A criação da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), que atualmente reúne 18 países e promove o intercâmbio de experiências e o fortalecimento de políticas públicas na região.
  • O fortalecimento de sistemas produtivos diversificados no âmbito do Projeto +Algodão, com a participação de mais de 100 instituições cooperantes. A iniciativa já beneficiou mais de 14 mil famílias e cerca de 10 mil produtores, ampliando o acesso à inovação, aos mercados e contribuindo para a melhoria da renda rural.
  • O avanço na modernização dos sistemas de informação sobre a terra na América Latina e no Caribe, por meio do intercâmbio de experiências e boas práticas em governança territorial e uso sustentável dos recursos naturais.
  • O fortalecimento de políticas públicas para a agricultura familiar no âmbito da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do MERCOSUL (REAF).
  • O apoio ao fortalecimento da resiliência de países do Corredor Seco da América Central frente à mudança climática, por meio da introdução de inovações nos sistemas produtivos.
  • O incentivo à inclusão de mulheres e jovens, promovendo sua participação nos diferentes projetos.

Alianças estratégicas

A atuação na região tem contado com a participação de pelo menos 13 instituições brasileiras que compartilham experiências e políticas públicas bem-sucedidas, promovem o intercâmbio de boas práticas e fortalecem redes e espaços de diálogo sobre políticas públicas em nível regional e sub-regional, gerando benefícios mútuos entre os países do Sul Global.

Entre as instituições participantes estão o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização de Terras (Empaer-PB) e a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).



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