terça-feira, 4 de novembro de 2025

Design para o Planeta: Evento no Rio de Janeiro reúne líderes nacionais e globais em moda sustentável




O Escritório das Nações Unidas para Parcerias e a Fashinnovation uniram forças para organizar, no Rio de Janeiro, um evento sobre design sustentável às margens do Fórum de Líderes Locais da COP30. 

Destacando a liderança emergente do Brasil em design sustentável, o evento reunirá, na próxima quinta (6), lideranças nacionais e globais em moda sustentável, incluindo empreendedores, pensadores, formuladores de políticas e organizações internacionais. 

O evento é aberto ao público; inscrições devem ser feitas através deste link

Professora Mariana Nunes Passos, em Xerém, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense

Legenda: Alunas da Escola Municipal Professora Mariana Nunes Passos, em Xerém, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em ação de plantio de árvores. Foto finalista do concurso internacional de fotografia sobre Transformação Urbana, organizado pela Universidade das Nações Unidas (UNU).
Foto: © UNU/Silvia Tkotz.

Às margens do Fórum de Líderes Locais da COP30, o Escritório das Nações Unidas para Parcerias, em colaboração com a Fashinnovation, membro da Rede de Moda e Estilo de Vida da ONU, realizará um evento de alto nível que reunirá líderes da moda, estilo de vida e inovação climática para destacar o papel fundamental do Brasil no avanço de um futuro sustentável e regenerativo.

O evento "Design para o Planeta" contará com discussões dinâmicas com o objetivo de elevar a ação climática local através das lentes do design, da moda e das indústrias de estilo de vida.

Os painéis mostrarão a crescente influência do Brasil como um centro global de moda sustentável, destacando iniciativas baseadas no design circular, no abastecimento responsável e na integração do conhecimento indígena e artesanal nas estruturas da indústria. 

De empreendedores ousados a vozes acadêmicas, formuladores de políticas e organizações internacionais, o evento destacará como a criatividade local está respondendo aos desafios climáticos globais.

"A liderança do Brasil em design, circularidade e inclusão ressalta o poder das parcerias para transformar a criatividade em ação climática. Temos orgulho de elevar as vozes que trabalham por um futuro mais sustentável e equitativo para as pessoas e o planeta", disse a diretora executiva do Escritório das Nações Unidas para Parcerias, Annemarie Hou. 

"O Brasil sempre foi uma terra de criatividade, resiliência e poder cultural — e agora também é um farol para a inovação sustentável", disse o fundador da Fashinnovation, Marcelo Guimarães. "Na Fashinnovation, acreditamos que o futuro da moda deve estar enraizado na sabedoria local e na colaboração global.

SERVIÇO: Design para o Planeta

Quando: 6 de novembro de 2025, das 15h às 17h 

Onde: Hotel Santa Teresa, Rua Almirante Alexandrino, 660 - Rio de Janeiro (RJ) 

Quem:

  • Oskar Metsavaht: Fundador da Osklen
  • Maria Laura Neves: Diretora Executiva, Vogue Brasil
  • Carla Assumpção: Gerente Geral da América Latina, Swarovski Crystal Business
  • Paulo Borges: Fundador da São Paulo Fashion Week
  • Omoyemi Akerele: Fundadora da Lagos Fashion Week
  • Amanda Mendonça: Secretária Executiva, Rio Fashion Council
  • Dayana Molina: Fundadora, Nalimo
  • Marcia Kemp: Fundadora e Diretora Criativa, Nannacay
  • Fernanda Simon: Diretora Executiva, Fashion Revolution Brasil

Inscrições: O evento é aberto ao público; inscrições devem ser feitas através do formulário on-line. 

Para mais informações, visite a página do evento global "Design para o Planeta"

NOTAS PARA EDITORES

Sobre os organizadores

O evento é organizado pela Rede de Moda e Estilo de Vida das Nações Unidas, uma iniciativa do Escritório de Parcerias das Nações Unidas e do Fashion Impact Fund, que serve como um portal global para co-criar colaborações impactantes para impulsionar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A Rede tem mais de 390 membros em todo o mundo.

Escritório das Nações Unidas para Parcerias 

Como porta de entrada global para as Nações Unidas, o Escritório das Nações Unidas para Parcerias convoca e co-cria parcerias e programas essenciais, ao mesmo tempo em que gerencia financiamentos importantes para acelerar soluções que cumpram a promessa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Fashinnovation

Como membro orgulhoso da Rede de Moda e Estilo de Vida da ONU, a Fashinnovation é uma plataforma global que conecta empreendedores, tomadores de decisão e marcas nas áreas de moda, tecnologia e sustentabilidade. A Fashinnovation é reconhecida por promover a inovação com propósito por meio de eventos globais, palestras, missões comerciais e construção de comunidades.

Sobre a COP30

A COP30 — a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática — será realizada em Belém, de 10 a 21 de novembro de 2025, reunindo líderes globais para acelerar as ações climáticas, atualizar os planos climáticos nacionais e reafirmar os compromissos assumidos no Acordo de Paris.


Fwd: PNUD lança campanha para combater desinformação sobre mudança climática


A campanha #ClimateCounts apresentará 30 fatos sobre o clima, cada um acompanhado de visual de impacto, projetado para tornar a mudança climática algo pessoal, de fácil compreensão e urgente.

Com o aumento da desinformação e da má informação sobre o clima, a #ClimateCounts também busca promover o letramento climático, capacitando indivíduos e comunidades a agir e exigir ações climáticas mais ambiciosas.

Legenda: Com o aumento da circulação de desinformação e de informações falsas sobre mudança climática nas plataformas digitais, a campanha #ClimateCounts busca promover o letramento climático, capacitando indivíduos e comunidades a agir e exigir ações climáticas mais ambiciosas.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançou a campanha #ClimateCounts ("O Clima Conta"), que busca contar a história da mudança global do clima por meio de números e inspirar a ação com base em fatos.

#ClimateCounts apresentará 30 fatos sobre o clima, cada um acompanhado de um visual de impacto, projetado para tornar a mudança climática algo pessoal, de fácil compreensão e urgente.  

A campanha faz parte dos esforços do PNUD para aumentar a conscientização e mobilizar comunidades antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP30, em Belém, de 10 a 21 de novembro. Este ano marca também o 10º aniversário do Acordo de Paris – marco significativo para a ação climática.  

"À medida que o mundo se aproxima da COP30 e os países apresentam novas metas no âmbito do Acordo de Paris, a mensagem é clara: não temos tempo a perder", afirma a diretora global de Mudança Climática do PNUD, Cassie Flynn. 

"Este é o momento de transformar planos em progresso. A #ClimateCounts destaca 30 fatos de peso, mostrando que uma ação climática ousada pode impulsionar a prosperidade, resiliência e justiça – e reafirmando que o que é bom para o planeta, é bom para as pessoas."  

Com o aumento da propagação de desinformação e de informações falsas sobre o clima, a #ClimateCounts também busca promover o letramento climático, capacitando indivíduos e comunidades a agir e exigir ações climáticas mais ambiciosas. O engajamento dos cidadãos é crucial, já que os países se preparam para apresentar e implementar seus planos climáticos nacionais atualizados, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), com novas metas no âmbito do Acordo de Paris. 

Para promover a campanha, Embaixadores da Boa Vontade do PNUD e jovens campeões do clima ajudarão a compartilhar esses fatos globalmente. A campanha estará inicialmente disponível em inglês, francês, espanhol e português, com mais idiomas sendo adicionados posteriormente.  

A #ClimateCounts se baseia no amplo trabalho do PNUD em ação climática e ciência baseada em evidências. Por meio da Climate Promise ("Promessa Climática"), o maior portfólio climático das Nações Unidas, o PNUD apoia mais de 140 países com mais de US$ 2,45 bilhões em financiamento por meio de subsídios. Esse trabalho se apoia na expertise do PNUD em adaptação, mitigação, mercados de carbono, clima e florestas, riscos climáticos e segurança, além de estratégias e políticas climáticas.  

Para saber mais, siga @pnud_brasil nas redes e visite a página da campanha em português

Os países ricos estão usando os recursos da Terra a taxas que exigiriam entre 3 a 9 planetas para se sustentar. Para deter as mudanças climáticas e garantir nosso futuro na Terra, devemos mudar.

Legenda: Os países ricos estão usando os recursos da Terra a taxas que exigiriam entre 3 a 9 planetas para se sustentar. Para deter a mudança climática e garantir nosso futuro na Terra, devemos mudar.

Sobre o PNUD

PNUD é a principal entidade das Nações Unidas no combate às injustiças da pobreza, desigualdade e mudanças climáticas. Trabalhando com ampla rede de especialistas e parceiros em 170 países, o PNUD apoia as nações na construção de soluções integradas e duradouras para as pessoas e o planeta.

Como o maior portfólio do sistema ONU de apoio à ação climática, a Climate Promise (Promessa Climática) do PNUD beneficia diretamente 37 milhões de pessoas.

Contatos para a imprensa



ONU: Projeção de aquecimento global recua para 2,3 a 2,5°C até o final do século


Desde a adoção do Acordo de Paris, há dez anos, a projeções de aquecimento global ao longo do século recuaram de 3 a 3,5°C, em 2015, para 2,3 a 2,5°C em 2015 - em um cenário em que os atuais planos climáticos nacionais, ou Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), sejam implementados integralmente.

Cumprir as metas do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais requer cortes rápidos e sem precedentes nas emissões de gases de efeito estufa, acima dos planos atuais. As emissões em 2030 teriam que cair 25% em relação aos níveis de 2019 para chegar a 2°C e 40% para 1,5°C - com apenas cinco anos restantes para atingir essa meta.

As projeções foram apresentadas nesta terça (4) no Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). 

Menos de um terço das Partes do Acordo de Paris apresentou novas NDCs até 30 de setembro de 2025 • As temperaturas globais agora devem atingir 2,3-2,5°C, abaixo dos 2,6-2,8°C do ano passado • A falta de ambição e de ação significa que o mundo está próximo de ultrapassar a meta de 1,5°C

Legenda: Menos de um terço dos países signatários do Acordo de Paris apresentou suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) até 30 de setembro de 2025. A falta de ambição e de ação significa que o mundo está próximo de ultrapassar a meta de 1,5°C: as temperaturas globais agora devem atingir 2,3-2,5°C, abaixo dos 2,6-2,8°C do ano passado, aponta o relatório sobre as Lacunas de Emissões 2025, do PNUMA, divulgado nesta terça-feira (4/11).
Foto: © Campanha Aja Agora/Act Now.

Uma análise do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sobre os novos compromissos climáticos disponíveis no âmbito do Acordo de Paris revela que o aumento previsto da temperatura global ao longo deste século caiu apenas ligeiramente, deixando o mundo na rota de uma séria escalada de riscos e danos climáticos.

Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025: Fora da Meta, do PNUMA, aponta que as projeções de aquecimento global ao longo deste século, com base na implementação total das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), são agora de 2,3-2,5°C, em comparação com 2,6-2,8°C no relatório do ano passado. A implementação apenas das políticas atuais levaria a até 2,8°C de aquecimento, em comparação com 3,1°C no ano passado.

No entanto, as atualizações metodológicas representam 0,1°C da melhoria, e a iminente saída dos EUA do Acordo de Paris cancelará outros 0,1°C, o que significa que as novas NDCs por si só praticamente não tiveram efeito. As nações continuam longe de cumprir a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento a bem menos de 2°C, enquanto buscam esforços para permanecer abaixo de 1,5°C.

O relatório conclui que a média pluridecenal do aumento da temperatura global excederá 1,5°C, pelo menos temporariamente. Isso será difícil de reverter – exigindo reduções adicionais mais rápidas e maiores nas emissões de gases de efeito estufa para minimizar o excesso (overshoot), reduzir os danos a vidas e economias e evitar a dependência excessiva de métodos incertos de remoção de dióxido de carbono.

"As nações tiveram três tentativas para cumprir as promessas feitas no âmbito do Acordo de Paris, e elas erraram o alvo", disse a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen. 

"Embora os planos climáticos nacionais tenham alcançado algum progresso, ele está longe de ser rápido o suficiente, e é por isso que ainda precisamos de reduções de emissões sem precedentes em um prazo cada vez mais curto, com um cenário geopolítico cada vez mais desafiador."

"Mas ainda é possível – por pouco. Já existem soluções comprovadas. Desde o rápido crescimento das energias renováveis baratas até ao combate às emissões de metano, sabemos o que é preciso fazer. Agora é o momento de os países se empenharem a fundo e investirem no seu futuro com ações climáticas ambiciosas – ações que proporcionem um crescimento econômico mais rápido, mais saúde, mais empregos, segurança energética e resiliência."

Fora do alvo

O relatório aponta que apenas 60 Partes do Acordo de Paris, responsáveis por 63% das emissões de gases de efeito estufa, apresentaram ou anunciaram novas NDCs contendo metas de mitigação para 2035 até 30 de setembro de 2025. Além da falta de progresso nas promessas, permanece uma enorme lacuna na implementação, com os países fora do caminho para cumprir suas NDCs para 2030, sem falar nas novas metas para 2035. 

O alinhamento com o Acordo de Paris requer cortes rápidos e sem precedentes nas emissões de gases de efeito estufa acima das promessas – uma tarefa dificultada pelo crescimento das emissões de 2,3% ano a ano, para 57,7 gigatoneladas de CO2 equivalente em 2024. As emissões em 2030 teriam que cair 25% em relação aos níveis de 2019 para chegar a 2°C e 40% para 1,5°C - com apenas cinco anos restantes para atingir essa meta.

A implementação integral de todas as NDCs reduziria as emissões globais esperadas em 2035 em cerca de 15% em comparação com os níveis de 2019 – embora a retirada dos EUA altere esses números. Essas reduções estão muito abaixo dos 35% e 55% necessários em 2035 para estarem alinhadas com os caminhos de 2°C e 1,5°C, respectivamente. 

Perseguir a meta de 1,5 °C continua sendo fundamental 

O tamanho dos cortes necessários e o pouco tempo restante para entregá-los significam que a média pluridecenal da temperatura global agora excederá 1,5°C, muito provavelmente na próxima década. Cortes rigorosos nas emissões de curto prazo podem atrasar o início da superação da meta, mas não evitá-la totalmente. A grande tarefa que temos pela frente é fazer um esforço para tornar esse excesso temporário e mínimo, por meio de cortes rápidos de emissões que continuem mantendo a meta de 1,5°C até 2100 dentro do campo das possibilidades. 

Cada fração de grau evitada reduz uma escalada dos danos, perdas e impactos na saúde que estão prejudicando todas as nações – enquanto atinge os mais pobres e vulneráveis – e reduz os riscos de pontos de inflexão climáticos e outros impactos irreversíveis.

Minimizar a superação da meta também reduziria a dependência de métodos incertos, arriscados e caros de remoção de dióxido de carbono – que precisariam remover e armazenar permanentemente cerca de cinco anos das atuais emissões anuais globais de CO2 para reverter cada 0,1°C de superação.

O relatório analisa um cenário de "ação de mitigação rápida a partir de 2025", projetado para limitar a ultrapassagem a cerca de 0,3°C, com 66% de chance, e retornar a 1,5°C até 2100. 

Nesse cenário, as emissões de 2030 teriam que cair 26% e as emissões de 2035 em 46% em comparação com os níveis de 2019.
Existem ferramentas para uma ação mais rápida, mas o clima político é desafiador. 

Desde a adoção do Acordo de Paris, há dez anos, as previsões de temperatura recuaram dos 3 a 3,5°C iniciais. As tecnologias de baixo carbono necessárias para fornecer grandes cortes de emissões estão disponíveis. O desenvolvimento de energia eólica e solar está crescendo, reduzindo os custos de implantação. Isso significa que a comunidade internacional pode acelerar a ação climática, caso opte por fazê-lo. No entanto, realizar cortes mais rápidos exigiria navegar em um ambiente geopolítico desafiador, um aumento maciço no apoio aos países em desenvolvimento e redesenhar a arquitetura financeira internacional. 

A ação e a liderança do G20 serão fundamentais, pois os membros do G20 – sem contar a União Africana – respondem por 77% das emissões globais. Sete membros do G20 apresentaram novas NDCs com metas para 2035, enquanto três membros anunciaram essas metas. No entanto, essas promessas não são ambiciosas o suficiente: os membros do G20 coletivamente não estão no caminho certo para atingir nem mesmo suas metas de NDC para 2030 e as emissões do G20 aumentaram 0,7% em 2024 – tudo apontando para a necessidade de um aumento maciço na ação dos maiores emissores.

Para saber mais, siga @unep_pt nas redes, assista à gravação da coletiva de imprensa sobre o lançamento do relatório e leia o documento na íntegra na página global do PNUMA (em inglês): https://www.unep.org/resources/emissions-gap-report-2025 

NOTAS AOS EDITORES

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

PNUMA é a principal voz global sobre o meio ambiente. Ele promove liderança e incentiva a parceria no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.

Contato para a imprensa: 

  • Unidade de Notícias e Mídia, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: unep-newsdesk@un.org   



quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético é aberta para assinatura em Hanói


A primeira convenção global destinada a prevenir e responder aos crimes cibernéticos foi aberta para assinatura no último sábado (25/10), em Hanói, no Vietnã. Desde então, 65 Estados assinaram o tratado, que entrará em vigor 90 dias após a ratificação pelo 40º signatário. 

A Convenção busca responder à crescente ameaça representada pelo crime cibernético, reconhecendo que o uso indevido das tecnologias da informação e comunicação tem facilitado crimes como terrorismo, tráfico de pessoas, crimes financeiros e tráfico de drogas em escala sem precedentes. 

A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético foi adotada pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2024. 

Na cerimônia de assinatura em Hanói, em 25 de outubro de 2025, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, descreveu a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético (Convenção de Hanói) como um instrumento poderoso e juridicamente vinculante para fortalecer as defesas coletivas contra o crime cibernétic
Legenda: Na cerimônia de assinatura em Hanói, em 25 de outubro de 2025, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, descreveu a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético (Convenção de Hanói) como um instrumento poderoso e juridicamente vinculante para fortalecer as defesas coletivas contra o crime cibernético.
Foto: © Escritório das Nações sobre Drogas e Crime (UNODC)

A primeira convenção global destinada a prevenir e responder aos crimes cibernéticos foi aberta para assinatura em 25 de outubro de 2025, em Hanói, no Vietnã.

65 Estados assinaram a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético, que ainda deverá ser ratificada por cada Estado, de acordo com seus procedimentos nacionais. A convenção entrará em vigor 90 dias após a ratificação pelo 40º signatário. 

"A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético é um instrumento jurídico vinculante e poderoso, que fortalece nossas defesas coletivas contra o cibercrime", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a cerimônia de assinatura, em Hanói, no Vietnã. 

"Ela é uma prova do poder duradouro do multilateralismo em oferecer soluções, e um compromisso de que nenhum país, independentemente do seu nível de desenvolvimento, ficará indefeso diante do cibercrime."

A Convenção busca responder à crescente ameaça representada pelo crime cibernético, reconhecendo que o uso indevido das tecnologias da informação e comunicação tem facilitado crimes como terrorismo, tráfico de pessoas, crimes financeiros e tráfico de drogas em escala sem precedentes. O objetivo é tornar mais eficazes a prevenção e a resposta ao crime cibernético, fortalecendo a cooperação internacional, a assistência técnica e o desenvolvimento de capacidades, especialmente nos países em desenvolvimento.

Principais destaques da Convenção:

  • Estabelece o primeiro marco jurídico global para coleta, compartilhamento e uso de provas eletrônicas relacionadas a crimes graves. Até agora, não havia normas internacionais amplamente aceitas sobre provas eletrônicas;
  • É o primeiro tratado global que criminaliza os crimes ciberdependentes, além de infrações relacionadas à fraude online, ao material de abuso e exploração sexual infantil e ao aliciamento de crianças na internet;
  • É o primeiro tratado internacional a reconhecer a divulgação não consensual de imagens íntimas como infração;
  • Cria a primeira rede mundial de contato permanente (24 horas por dia, 7 dias por semana), permitindo que os países iniciem rapidamente a cooperação; e
  • Reconhece e promove a necessidade de fortalecer capacidades nacionais para investigar e cooperar no combate ao cibercrime, que evolui de forma acelerada.

"O crime cibernético está transformando a natureza do crime organizado como a conhecemos, e a nova Convenção das Nações Unidas contra o Cibercrime oferece aos Estados-Membros um instrumento essencial para enfrentarem esse desafio juntos", declarou a diretora-executiva do UNODC, Ghada Waly. 

"A assinatura da Convenção demonstra o valor duradouro da cooperação multilateral, após cinco anos de negociações. Tenho orgulho do papel que o UNODC desempenhou nessa conquista e sou profundamente grata ao Vietnã por sua liderança ao sediar a cerimônia de assinatura. Agora, devemos garantir a rápida entrada em vigor e implementação da Convenção, para um mundo digital mais seguro para todos."

A Convenção das Nações Unidas contra o Crime Cibernético foi adotada pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2024. Entrará em vigor 90 dias após a ratificação pelo 40º signatário. 

Para saber mais, siga @unodcprt nas redes e visite a página da Convenção de Hanói: https://hanoiconvention.org/ 





CUFA - Central Única das Favelas é finalista em premiação da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável


Nascida nas favelas brasileiras e agora ativa em todos os estados brasileiros e em mais de 60 países, a Central Única das Favelas (CUFA) é finalista da edição de 2025 do Prêmio da ONU de Ação pelos ODS, na categoria Resiliência.

A CUFA transforma desigualdades sistêmicas em oportunidades por meio da educação, cultura, esportes, empreendedorismo e cidadania. 

A cerimônia de premiação será realizada nesta quarta-feira (29/10) em Roma, na Itália, a partir das 12h (horário de Brasília). 

Nascida no Brasil, a CUFA envolve milhões de pessoas em todo o mundo e transforma as favelas em centros de talento, criatividade e inovação
Legenda: Nascida no Brasil, a Central Única das Favelas (CUFA) envolve milhões de pessoas em todo o mundo e transforma as favelas em centros de talento, criatividade e inovação. A CUFA é uma das finalistas da edição de 2025 do Prêmio de Ação do ODS, na categoria Resiliência. A cerimônia de premiação das Nações Unidas acontecerá nesta quarta (29) em Roma, na Itália.

O Prêmio de Ação dos ODS reconhece iniciativas e indivíduos que usam a criatividade e a inovação para impulsionar o progresso em direção aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Todos os anos, um painel internacional e uma equipe de revisão técnica analisam candidaturas e nomeações de mais de 190 países e territórios para selecionar finalistas e vencedores em três categorias: Prêmio Resiliência, Prêmio Agente de Mudança e Prêmio Criatividade. Na edição de 2025, a Central Única das Favelas (CUFA), do Brasil, é uma das finalistas do Prêmio Resiliência

"Estar entre os finalistas de uma premiação tão relevante é o reconhecimento do trabalho coletivo de milhares de lideranças e moradores de favelas no Brasil e no mundo. A CUFA é um exemplo de resiliência cotidiana, de quem transforma vulnerabilidade em potência," afirma Marcus Vinícius Athayde, presidente da CUFA Global, que estará presente em Roma representando a organização.

Prêmio Resiliência homenageia iniciativas que transformaram adversidade em ação diante de desafios sistêmicos, ambientais ou sociais, demonstrando inovação, perseverança e impacto. A premiação é mais do que um momento de reconhecimento - eles são um chamado global para destacar pessoas visionárias, realizadoras, agentes de mudança que estão construindo um mundo mais justo, sustentável e inclusivo.

A Central Única das Favelas (CUFA) é finalista na premiação da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que acontece nesta quarta (29) em Roma, na Itália.
Legenda: A Central Única das Favelas (CUFA) é finalista na premiação da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que acontece nesta quarta (29) em Roma, na Itália.

CUFA: Das favelas do Brasil para o mundo

Em um país onde mais de 16 milhões de pessoas vivem em favelas com acesso limitado a serviços básicos, a CUFA cria soluções para a comunidade, a partir da comunidade. Desde o programa Mães da Favela — que apoiou 17 milhões de pessoas durante a pandemia da COVID-19— até a rápida ajuda humanitária após as enchentes de 2024 no Brasil, a CUFA combina resposta a emergências com empoderamento de longo prazo.

O alcance da CUFA é vasto — administrando mais de 5.000 projetos comunitários, criando milhares de empregos e levando líderes das favelas a palcos globais como o G20. Sua mensagem é clara: a favela não é um lugar de carência, mas um centro de talento, criatividade e inovação.

Campanha da ONU de Ação dos ODS é uma iniciativa especial do secretário-geral sediada no Escritório Executivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Bonn, na Alemanha. Este ano, a cerimônia de premiação acontece no dia 29 de outubro de 2025, em Roma, na Itália.

Nascida no Brasil, a CUFA envolve milhões de pessoas em todo o mundo e transforma as favelas em centros de talento, criatividade e inovação
Legenda: Nascida no Brasil, a CUFA envolve milhões de pessoas em todo o mundo e transforma as favelas em centros de talento, criatividade e inovação. A CUFA é uma das finalistas do Prêmio da ONU de Ação dos ODS 2025, na categoria Resiliência.

SERVIÇO: Cerimônia de Premiação do Prêmio de Ação dos ODS "Heróis do Amanhã" 

Contato para a imprensa: 

NOTAS PARA EDITORES

Lista completa de finalistas: 

Finalistas do Prêmio Criatividade - iniciativas que aproveitam a criatividade e a inovação para inspirar e influenciar mudanças em todo o mundo.

  • Sounds Right - Mudando narrativas climáticas por meio de som, narração de histórias e streaming, transmitindo seus sons para milhões de ouvintes e direcionando royalties para proteger refúgios de biodiversidade.  
  • Smartel - Construindo sistemas alimentares climaticamente inteligentes na Nigéria e além: dos telhados das cidades aos campos de refugiados, a Smartel cultiva alimentos para fortalecer a segurança alimentar, ampliando um novo modelo de agricultura na Nigéria e além.
  • Stolen, Missing & Murdered - Recuperando a verdade indígena por meio de narrativas investigativas: podcasts investigativos poderosos que rompem décadas de silêncio e alcançam milhões de ouvintes, restaurando as vozes das comunidades indígenas — e remodelando a opinião pública. 

Finalistas do Prêmio Resiliência - iniciativas que transformam adversidades em ação, ajudando comunidades a prosperar apesar de barreiras sistêmicas, conflitos ou desastres climáticos.

  • Central Única das Favelas (CUFA) - Redefinindo o desenvolvimento para a comunidade, a partir da comunidade no Brasil. Nascida no Brasil, a CUFA envolve milhões de pessoas em todo o mundo e transforma as favelas em centros de talento, criatividade e inovação.
  • Women for Peace and Democracy Nepal - Mulheres Construindo Paz Duradoura e Resiliência Econômica no Nepal, fortalecendo a participação democrática em comunidades profundamente afetadas pela guerra, desigualdade e desastres.
  • Footprint to Freedom - Resiliência liderada por sobreviventes para acabar com o tráfico humano. Trabalhando em toda a África e Europa, a Footprint to Freedom reformula a forma como o mundo enfrenta o tráfico humano — mostrando que quando os sobreviventes lideram, a liberdade segue.

Finalistas do Prêmio Agente de Mudança - indivíduos que promovem a justiça, a igualdade e a paz por meio de ações populares e mudanças sistêmicas.

  • Julienne Lusenge  - Defendendo as mulheres, enfrentando a violência, construindo a paz. Defensora dos direitos humanos congolesa que transformou seus primeiros passos como jornalista em uma luta ao longo da vida pela justiça, dignidade e paz na República Democrática do Congo.
  • Jîn Dawod  - Cura além das fronteiras para refugiados em todos os lugares. Forçada a fugir da guerra na Síria, Jîn Dawod oferece apoio à saúde mental a milhares de pessoas deslocadas por meio de sua plataforma premiada, provando que a cura pode atravessar todas as fronteiras.  
  • Shiori Ito - Quebrando o silêncio pela justiça de gênero. Shiori Ito quebra o silêncio sobre a violência sexual — transformando seu trauma pessoal em um movimento global pela justiça, pelos direitos das sobreviventes e pela reforma sistêmica.

Sobre a Campanha da ONU de Ação dos ODS 

Campanha de Ação dos ODS da ONU é uma iniciativa especial do secretário-geral da ONU, organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e sediada em Bonn, na Alemanha. Para nos aproximar de um futuro justo, inclusivo e sustentável, a Campanha dá visibilidade a comunidades desconhecidas, incentiva agentes de mudança e aproveita a criatividade para inspirar esperança e ações ousadas.

Prêmio de Ação dos ODS da ONU é viabilizado em parceria com o Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália (MAECI) e o Ministério Federal Alemão para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ).

Fotos e vídeos: BAIXAR RECURSOS



Pedido de Desculpas do Estado Brasileiro ao Povo Avá-Guarani


Pelas graves violações de direitos humanos sofridas pelo povo indígena Avá-Guarani durante a construção da Usina Hidroelétrica de Itaipu no lado brasileiro.


Representado pela União, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Estado Brasileiro e a Itaipu Binacional (margem esquerda) reconhecem publicamente e pedem desculpas ao povo Avá-Guarani, do oeste do Paraná, pelos danos e violações de direitos humanos ocorridos durante a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu nas décadas de 1970 e 1980.


O presente pedido resulta de acordo firmado pelas partes perante a Câmara de Mediação e Conciliação da Administração Pública Federal (CCAF/CGU/AGU) e homologado 
judicialmente na Ação Cível Originária (ACO) nº 3.555, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), ajuizada por iniciativa do Ministério Público Federal (MPF) e das Comunidades Avá-Guarani, com o objetivo de promover a reparação às comunidades indígenas Avá-Guarani do oeste do Paraná, tendo como um de seus requerimentos que "seguindo as recomendações da Comissão Nacional da Verdade", o Estado brasileiro, realize "Pedido público de desculpas do Estado brasileiro aos povos indígenas pelo esbulho das terras indígenas e pelas demais graves violações de direitos humanos ocorridas sob sua responsabilidade direta ou indireta no período investigado, visando a instauração de um marco inicial de um processo reparatório amplo e de caráter coletivo a esses povos.' [...]".

Os Avá-Guarani que hoje vivem na região são falantes do tronco linguístico tupi-guarani, que ocupavam no século XV vasto espaço correspondente às atuais regiões Sul, Sudeste e Centro- Oeste do território brasileiro. São sobreviventes de um longo processo de expropriação de suas terras e direitos, desde a colonização de seu território de
ocupação tradicional até a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Histórico de violações

Entre o final do século XIX e início do século XX, as populações Guarani sobreviventes deste longo histórico de escravização foram empregadas no oeste paranaense na
produção de erva- mate e derrubada de madeira. Eles viviam em regime de trabalho análogo à escravidão, ou de escravidão por dívidas, em vastas áreas concedidas pelo
Governo Imperial e, posteriormente, pelo Governo Republicano para companhias privadas.
Com o declínio da atividade ervateira a partir da década de 1930, teve início um novo padrão de exploração e ocupação do território. Iniciada em 1938, a chamada marcha
para o oeste causou a chegada massiva de colonos ao oeste do Paraná. As terras indígenas foram alvo dessa onda neocolonial e passaram a ser tituladas a não indígenas,
por meio de iniciativas estatais dos governos federal e estadual, que partiam da premissa de existência de vazio demográfico.

Portanto, a região oeste do Paraná estaria despovoada, cabendo ao Estado ocupá-la como estratégia de desenvolvimento. Contudo, esse pressuposto ignorava a existência
dos povos originários que viviam há séculos no território, possibilitando a violação de seus direitos. A invisibilização nas narrativas oficiais e no imaginário social foi
acompanhada do apagamento violento de sua existência concreta.
Mesmo existindo leis, desde a Constituição de 1934, que protegiam as terras ocupadas pelos povos originários, bem como o Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e sua sucessora, a Fundação Nacional do Índio (Funai) negligenciaram a existência dos Avá-Guarani do oeste do Paraná até os anos 1970, não demarcando suas terras. Era comum na época, nas várias esferas governamentais e na sociedade regional, a concepção de que os indígenas deveriam estar confinados em reservas.

Tanto o SPI quanto, posteriormente, a Funai pressionaram os Avá-Guarani a deixarem suas terras e a migrarem para reservas indígenas, localizadas a centenas de
quilômetros de onde moravam, em muitos casos, para reservas já destinadas a outros povos indígenas. Desse modo, articulada com outras instâncias do Estado a nível
nacional e regional, a ação dos órgãos indigenistas contribuiu para o desterro dos indígenas ao negar-lhes o reconhecimento pleno de seus territórios tradicionais. Isto
promoveu o seu confinamento em áreas reservadas, com o propósito de disponibilizar terras à colonização, não bastando que a retirada dos indígenas de suas terras fosse
proibida pelas leis da época.

Nem mesmo áreas antigas, reconhecidas pela sociedade regional e por agentes do Estado como de ocupação indígena, foram poupadas da espoliação. Casos como o da
Colônia Guarani, situada em Foz do Iguaçu, e da área conhecida como Jakutinga - também chamada Ocoy, Jacutinga ou Barra do Ocoí - comprovam essa situação. Ainda
que não tenham sido ofcialmente demarcadas, embora existam documentos da época que demonstram a intenção do órgão indigenista em demarcá-las, essas terras
mantinham condições ambientais consideradas adequadas pelos Guarani para o desenvolvimento de seu modo de vida.

Eram consideradas por eles áreas mais seguras das pressões externas, servindo de refúgio para as famílias Guarani que saíam de outras localidades, em
razão das diversas formas de violência sofridas. Em 1976, o Incra, em conjunto com a Funai, destinou as terras da Colônia Guarani para o assentamento de colonos, o que
resultou na expulsão das comunidades indígenas.

 

Construção da Hidrelétrica de Itaipu

Após esse processo contínuo de esbulho das terras indígenas, nos anos 1970, os Avá-Guarani foram confinados nas margens do rio Paraná e logo foram impactadas com a
construção da Hidrelétrica de Itaipu.

Iniciadas em 1966 para o aproveitamento do potencial energético do rio Paraná, as negociações diplomáticas entre Brasil e Paraguai culminaram, no ano de 1973, na
celebração de um acordo entre os dois países. O acordo previa o represamento do rio e a construção de uma grande usina hidrelétrica, conforme Decreto nº 72.707, de 28
de agosto de 1973.

No início dos anos 1970, o governo já implementava medidas para deslocar as populações que seriam atingidas pelo represamento do rio, incluindo os Avá-Guarani, aos
quais foram negados indenização e reassentamento, pois tais medidas tiveram como pressuposto a existência de "título regular". Evidentemente, os indígenas não possuíam
títulos de suas terras e nem território demarcado pelos órgãos indigenistas, sendo apartados das políticas compensatórias e indenizatórias. Ademais, seus últimos refúgios
foram utilizados para reassentamento de não indígenas.

Mencionada anteriormente, a Barra do Ocoí foi drasticamente reduzida pelo Incra para a implementação do Projeto Integrado de Colonização Ocoí (PIC-Ocoí), que visava
reassentar posseiros que se encontravam instalados no Parque Nacional do Iguaçu, nas áreas de inundação do reservatório de Itaipu. A Funai corroborou com esse processo
ao negar a identidade de famílias indígenas que permaneciam no local. Isso os confinou a uma estreita aixa de terra à beira do rio, a Reserva do Ocoí, que se tornou área de
proteção permanente com a formação da barragem de Itaipu.
Diante da iminente inundação de várias áreas onde a população Avá-Guarani havia se refugiado, nas margens do Rio Paraná, a Funai estimulou a mudança dos indígenas
para reservas Kaingang e outras áreas indígenas no interior do Paraná. Os Avá-Guarani relatam que o exílio em terras de outros povos e a forma autoritária como a Funai
administrava estes espaços foi fonte de sofrimento para esse povo.
No processo de desocupação do perímetro que seria alagado pelo enchimento da barragem de Itaipu, equipes do INCRA pressionaram os indígenas para que fossem
embora de suas terras. Deste modo, os Avá-Guarani foram expulsos das últimas terras que ocupavam, como a Okoy Jakutinga e outras pequenas áreas espalhadas pelas
margens do Rio Paraná. Posteriormente, a maior parte das terras ocupadas pelos Avá-Guarani oram definitivamente inundadas com o enchimento da barragem de Itaipu.
O alagamento das margens do rio Paraná atingiu as matas habitadas pelos Avá-Guarani e deixou totalmente submersa a maior cachoeira em volume de águas do mundo, a
Sete Quedas. O local é sagrado para os Guarani e permitia aos pajés do povo uma conexão com outros patamares habitados por suas divindades. Também o local da Usina
destruiu Itaipyte, outro sítio sagrado para os Avá-Guarani, onde os pajés conheciam os caminhos para Yvy Marã'e'y, ou Terra Imperecível.

O indígena Lourenço Figueiredo relata como foi vivenciar o deslocamento forçado:
"Aqui mesmo, em Dois Irmãos, tinha 70 famílias indígenas. Eu sou daqui de Santa Helena Velha, eu nasci, criei com os indígenas e tudo. Eu era cacique
também. Depois veio Itaipu e mandou tudo embora. Não pagou nada, deixou só. A Itaipu chegou e só falou que ia vir a água e que 'pode se mandar'. E o que
nós ia azer? Ficamos triste. Saímos tudo pelo rio Paraná, por outro lado, por Paraguai. Cada um oi pra um lado. Eu fiquei aqui. Itaipu voltou e alou: 'vão
embora tudo, a água vem vindo'. O que nós ia fazer? Itaipu disse "pode sair tudo'. Eu tinha 4 filhos, não podia sair, fui a Santa Helena. Sorte que encontrei
o Prates, que era prefeito. Ele me arrumou serviço. Depois mandou tudo embora, não pagou nada nossa terra." (Entrevista concedida por FIGUEIREDO,
Lourenço, em junho de 2013. CTI, 2013, p.76.).

 

Desculpas aos Avá-Guarani

Poucos percebem que o genocídio dos povos indígenas segue se repetindo e que a construção de uma nação democrática depende de uma
justiça de transição ampla para com os povos originários dessa terra, alvos da opressão primeira, que deu origem a essa nação. Enquanto não houver esse
reconhecimento, a violação histórica é continuada" (Sonia Guajajara, 2014, Discurso no julgamento do caso Aikewara-suruí, na Comissão da Anistia).
Como se nota, foram empregadas à época medidas que desconsideraram os direitos, as tradições e os laços espirituais e culturais que os Avá-Guarani mantêm com suas
terras ancestrais por força da colonização agrícola do território a partir do início do século XX e depois para a geração de energia elétrica, com a construção de Itaipu.
Diante desses fatos, por meio do presente ato, o ESTADO BRASILEIRO, representado pela União, FUNAI, INCRA e ITAIPU BINACIONAL(margem esquerda), reconhecem
os impactos ocasionados às comunidades indígenas Avá-Guarani do oeste do Paraná antes e durante o processo de idealização e construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu
e expressam publicamente tudo que foi suportado pelas comunidades indígenas, submetidas a deslocamentos, perda de territórios sagrados e impactos em suas formas de
vida e expressões culturais ao longo de todo esse período.
Reconhecem, portanto, que a formação do reservatório e a subsequente expropriação de territórios contribuíram para desestruturar suas formas de vida e subsistência,
ocasionando significativos impactos sociais, econômicos e culturais.
Por este ato, o Estado Brasileiro e Itaipu Binacional (margem esquerda) reconhecem suas responsabilidades e se desculpam publicamente pelas violações de direitos
humanos cometidas contra o povo Avá-Guarani no processo de construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, divulgando esses fatos à sociedade no intuito de honrar a
memória das vítimas que tiveram sua dignidade, identidade cultural e existência sistematicamente negadas e, em última instância, tiveram suas vidas destruídas.

Por fim, se comprometem a efetuar medidas concretas de reparação e preservação da memória histórica dos acontecimentos, como mecanismo de não repetição,
fortalecendo o Estado Democrático de Direito no país.





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Fonte: Revista Exame